BRASIL
Operação da PF prende aliado de Flávio Bolsonaro a 10 dias do 2º turno
Márcio Canella chegou a lançar pré-candidatura ao Senado, mas disputou eleição para a Alerj



O ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, Márcio Canella (União Brasil), aliado político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 15.
A prisão ocorreu no âmbito de uma investigação sobre uma suposta organização criminosa que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis usada para lavagem de dinheiro.
A ligação política entre Canella e Flávio Bolsonaro ganhou destaque em fevereiro, quando o senador anunciou o nome do ex-prefeito como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Na mesma ocasião, Flávio apresentou Douglas Ruas (PL) como pré-candidato ao governo estadual e afirmou haver “convergência sobre essa chapa”.
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Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, desistiu da disputa pelo Senado em julho, após ser preso em flagrante por porte de arma de uso restrito. Na ocasião, disse que concorreria a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O anúncio da pré-candidatura de Canella ao Senado foi parte da articulação política de Flávio Bolsonaro para as eleições no Rio de Janeiro. Na ocasião, o senador também mencionou o apoio do ex-governador Cláudio Castro (PL), que foi alvo de operações da Polícia Federal neste ano.
Investigação envolve suspeita de lavagem bilionária
Segundo a Polícia Federal, Canella é suspeito de envolvimento em uma organização criminosa armada que utilizava postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
As investigações apontam que o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos e contaria com apoio de agentes públicos e articulação político-institucional.
Além de Canella, a operação teve como alvos o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, o inspetor Pablo Russo e os policiais Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior.
Decisão de Alexandre de Moraes
As prisões preventivas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também ordenou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada.
De acordo com a PF, 96 dessas empresas são postos de combustíveis que teriam sido usados para dissimular a origem dos recursos.
A investigação busca esclarecer a participação dos suspeitos e a estrutura de funcionamento do esquema. As suspeitas atribuídas a Canella ainda dependem da apuração policial e da análise judicial.


