ESQUEMA
PF identifica “bancada” das emendas em esquema que desviou R$ 1 bilhão
Investigações da Operação Overclean avançam sobre o Congresso

Por Rodrigo Tardio

A Polícia Federal (PF) aprofundou as investigações da Operação Overclean e identificou a existência de uma estrutura articulada de parlamentares — descrita por investigadores como uma verdadeira “bancada” — dedicada ao desvio de emendas parlamentares.
O esquema, que já contabiliza rombos superiores a R$ 1 bilhão, entrou em uma nova fase neste início de 2026, com o foco voltado para pelo menos mais dois deputados federais ainda não atingidos por buscas e apreensões.
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Conduzido sob estrito sigilo pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito agora monitora seis deputados. A ofensiva teve início em dezembro de 2024 e, até o momento, já resultou em diligências contra prefeitos, quatro parlamentares e servidores públicos.
De acordo com fontes ligadas à investigação, o método de corrupção envolve fraudes em contratos e superfaturamento de obras. Seis deputados federais estão sob investigação direta na Corte.
Dinheiro em calçados
As fases anteriores da operação revelaram o caráter rudimentar, porém vultoso, do ocultamento de valores. Durante o cumprimento de mandados, agentes da PF encontraram grandes quantias de dinheiro em espécie escondidas em gavetas, dentro de sapatos e, em um dos casos, arremessadas pela janela por um dos alvos ao perceber a chegada da polícia.
O epicentro do esquema é o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), autarquia vinculada ao Ministério da Integração Nacional. Embora o foco inicial das apurações tenha sido o estado da Bahia, a Polícia Federal já detectou que o modelo de desvio foi "exportado" para outras regiões do país.
Overclean
O avanço da Overclean para outros estados brasileiros é iminente. O setor de inteligência da corporação constatou que o modus operandi de manipulação de verbas federais foi replicado nacionalmente, utilizando o Dnocs como principal duto para o escoamento irregular de recursos.
A expectativa é que, com a quebra de sigilos e novas delações, a lista de parlamentares envolvidos sofra uma nova expansão nos próximos meses.
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