adblock ativo

Pré-candidato Niltinho defende retorno das barracas de praia na orla de Salvador

Publicado segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 07/02/2020, 19:37 | Autor: Aparecido Silva, com colaboração de Yasmin Hohenfeld
Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE
Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE -
adblock ativo

O deputado estadual Niltinho, pré-candidato a prefeito de Salvador pelo PP, é o entrevistado da semana pelo A TARDE na série de conversas com os aspirantes ao cargo de chefe do Executivo da capital baiana. O parlamentar fala das articulações da base aliada ao governador Rui Costa para o pleito de outubro e defende que o grupo aposte na polarização contra o pré-candidato Bruno Reis (DEM). Entre suas ideias para a cidade de Salvador, estão a retomada das barracas de praia na orla da capital, como forma de gerar emprego e renda, criação de escolas bilíngues na rede municipal de ensino e fim da “elitização” do carnaval soteropolitano.

Confira, a seguir, a entrevista completa:

Deputado, como está a articulação dentro da base de Rui Costa nesse afunilamento para a definição de como vai marchar esse grupo nas eleições de Salvador?

Eu acredito que o governador deva chamando todos os pré-candidatos logo após o carnaval. Felizmente, a gente costuma dizer que o ano sempre começa após o carnaval, e isso é uma realidade aqui. É lógico que toda política tem sido movimentada, a gente vem se movimentando dentro do PP, o PSD com o senador (Angelo) Coronel, o Podemos, enfim, todos os pré-candidatos. Mas a gente, hoje, espera a definição do PT, porque o PT tendo candidato, é mais um pré-candidato na discussão nessa disputa. E a gente acredita que, após o carnaval, o governador vai estar convidando todos os pré-candidatos. Ele já vem fazendo conversas individuais com cada um, mas eu inclusive tenho sugerido que a gente faça também uma conversa com todos os pré-candidatos, e que a gente possa entender o que cada um realmente deseja, o que cada um espera para discutir a possibilidade da unidade. Haverá três candidaturas, como tem sido definido pela grande maioria. Mas eu venho defendendo uma disputa em polarização, é o candidato do atual prefeito de Salvador e o candidato do nosso governador Rui Costa. Mas ainda há muito pano para manga nos próximos meses.

Por que o senhor aposta nessa polarização? Não acha que dificulta até mesmo um segundo turno?

Olhá só, a polarização, ela tem naturalmente um grande risco de não ter segundo turno, porque você traz as duas maiores forças na disputa eleitoral da capital, que é o prefeito da capital, o prefeito ACM Neto, com o governador Rui Costa, que tem feito grandes intervenções. Eu costumo dizer que o governador Rui Costa ele tem sido o maior prefeito de Salvador, e aí eu dou como exemplo você pegar o mapa de Salvador e começar a tirar as grandes obras, você vai enxergar a cidade de Salvador extremamente vazia no que diz respeito a grandes obras de infraestrutura que foram feitas pelo governo do Estado, pelo nosso governador Rui Costa. Naturalmente, se você polariza essa disputa, dificilmente, irá para o segundo turno, porque tem outros candidatos, é claro. Você tem uma candidatura de Hilton Coelho, que é a candidatura do PSOL, independente, tem a candidatura do próprio Celsinho Cotrim, que é um outro pré-candidato, também tem a Rede. Mas dentro desse contexto todo, a gente sabe que se polarizar, é uma disputa de um único turno, mas eu acho saudável. Eu acho que seria uma disputa de proposta de trabalho, e a base do nosso governador Rui Costa tem, de fato, um trabalho, um serviço prestado na capital que agrada todo o povo soteropolitano. Mas, pelas conversas que tenho feito com outros pré-candidatos, acredito que haverá, sim, duas, três candidaturas. Não vamos conseguir trazer uma única candidatura, mas eu acho que a gente tem que defender nossa tese até o final, e se ela for exitosa, eu não tenho dúvida que dará condição de disputa para vencer a eleição em outubro.

Desde que o seu nome foi lançado até o momento, com quais partidos efetivamente você já sentou para tratar desse cenário para outubro?

Eu sentei com o PcdoB, com a deputada Olívia Santana, minha colega parlamentar. Temos uma relação muito boa, discutimos a possibilidade da gente fazer uma composição mais adiante, discutimos a possibilidade independentemente de chapa, de Olívia ser a candidata e eu ir para a composição de vice, ou eu ser o candidato e ela ser vice. Eu sempre digo que eu não tenho vaidade, eu não quero ser candidato de mim mesmo, eu preciso ser candidato de um grupo, eu preciso ser candidato de uma vontade do povo soteropolitano, e esse é o nosso desejo. Então, conversei com Olívia Santana, conversei com o deputado Bacelar (Podemos) também, que concorda a gente, tem pensado muito parecido também. O deputado Bacelar tem dito também que não tem vaidade em ser o candidato, se for ele o indicado, que ele quer, sim, o apoio de todos da base do nosso governador Rui Costa. E se ele não for o candidato, que ele apoiará também. Tive a mesma conversa com o senador Ângelo Coronel, ele concorda de que a gente tem que pensar dessa forma, se a gente construir uma unidade em torno do nome, se for o nome dele, é lógico que é um grande nome. É um senador da República, tem uma representação importante para o nosso estado e para Salvador. Conversei também com o deputado Pastor Sargento Isidório (Avanate). Ele entende que tem que estar dentro desse diálogo. É natural, ele vem trabalhando para que seja o candidato, vem liderando pesquisas quantitativas, pesquisas que têm sido divulgadas. Então, é natural que ele esteja mais buscando o nosso apoio, e eu não vejo dificuldade nenhuma, se necessário for, apoiá-lo. Agora, o que eu bato sempre na tecla, é que a gente precisa ter a sensatez de sentar em grupo, de sentar com todos os pré-candidatos, fazermos pesquisas qualitativas, pesquisas que a gente avalie a opinião pública, a opinião dos soteropolitanos.

Realmente fala no cenário de três candidaturas dentro do grupo aliado a Rui Costa. Uma de esquerda, uma de centro e outra mais conservadora, que seria a de Isidório. Desse tríduo formado por Niltinho, Coronel e Bacelar, é que nascerá o nome do Centro?

Olha só, o cenário é basicamente esse. Eu acho que nessa caminhada pode haver grandes surpresas também, eu tenho ouvido vários pré-candidatos, não seria delicado citar nome, mas há candidaturas também com a aproximação maior na esquerda, com grande possibilidade fazer essa candidatura aproximando com esses partidos mais de centro. E aí a gente não traria essa denominação de ser partido de centro, porque a gente uniria os partidos de centro com alguns partidos da esquerda. Essa é uma possibilidade muito real. Há, sem dúvidas, também por algumas pré-candidaturas, uma relativa insatisfação da forma como está sendo conduzida, eu não gosto muito de perder tempo construindo ou pensando em satisfação. Eu acho que o tempo que a gente tem que ter é para ser de diálogo, de construção e de aproximação. Hoje, o perfil é exatamente o que você falou. É o perfil de partidos que são mais de centro, de um partido mais à esquerda e uma candidatura conservadora. Mas a esta, que hoje é denominada de centro, possivelmente haverá adesões de partidos da esquerda.

O deputado vem de uma carreira formada na iniciativa privada. Como esse perfil empresarial vai ajudar na gestão pública em eventual administração do prefeito Niltinho?

Se você observar, nesta ultima eleição, o próprio eleitor, em varios estados, definiu seu voto dentro de um perfil de gestão. A gente tem o exemplo do governador de Minas Gerais, um grande exemplo disso, um empresário bem sucedido e experiente na área de gestão. Não tenho dúvida de que a cidade de Salvador não cabe mais uma gestão aventureira, não cabe mais alguém que entre querendo administrar um município da grandiosidade que é Salvador, a terceira maior capital do Brasil, e dentro dessa gestão a pessoa não ter preparo, conhecimento de gestão pública, de gestão privada. A gente vive um momento que não é mais de arriscar. Precisamos, agora, acertar. Venho dizendo constantemente, quando as pessoas me perguntam sobre o governo Bolsonaro, eu digo sempre, eu desejo que governo funcione, que dê certo. A gente precisa que o Brasil volte a crescer, que a gente retome o crescimento da economia. A gente não pode, dentro de Salvador, colocar alguém que queira ser gestor, mas que sequer tenha administrado uma empresa privada ou participado de uma administração pública e que possa trazer algo dessa experiência para a àrea pública. Eu não tenho dúvida, quem passa pela iniciativa privada, quando participa do setor público, consegue, naturalmente, se destacar pela capacidade e pelo pensamento que se tem no setor privado.

Caso eleito prefeito de Salvador, qual seria a principal bandeira que defenderia ao chegar ao Palácio Thomé de Souza?

A primeira coisa que precisamos destacar é a geração de emprego. Salvador é uma cidade do empreendedorismo, precisamos renovar alguns pontos que estão esquecidos. Tenho batido muito na tecla de um ponto que atrai o turista, que gera lazer para o soteropolitano, que são as barracas de praia que foram esquecidas. Para mim, esse é um dos pontos mais críticos de Salvador. Em cada barraca de praia, você via cinco, dez, vinte funcionários trabalhando, tendo o seu ganha pão para sustentar a família. A gente tem uma costa tão extensa, Salvador é praticamente toda rodeada pelo mar. A gente precisa resgatar o lazer, o que é importantíssimo para as camadas mais carentes de Salvador. Somos uma capital de praia, mas viramos um pouco paulistanos. Pois o lazer é ir para o shopping center. Hoje, o soteropolitano, quando quer se distrair, vai ao shopping. Não vai mais à praia, porque as praias já não oferecem mais condição. Na barraca de praia, você tem uma água, refrigerante, cerveja, peixe, você consegue se divertir no mar e confraternizar com a família, com amigos. Essa é uma preocupação nossa, é um ponto importante na geração de emprego. Precisamos resgatar o carnaval e a música baiana, isso me preoupa muito. O Carnaval de Salvador se tornou um carnaval elitizado, é um carnaval restrito a camarotes. Precisamos retirar parte das estruturas de camarotes e resgatar o carnaval de rua, resgatar o carnaval na Avenida Sete. Eu, que nasci e me criei em Salvador, ainda muito pequeno, participei do brilho do carnaval de Salvador, que perdeu o encanto. A gente precisa resgatar a música da Bahia. Hoje, a gente vê, o Axé da bahia não tem o devido incentivo do Estado e, principalmente, da prefeitura, porque aqui em Salvador a grande festa é promovida pela capital. Então, a gente precisa resgatar a música da Bahia, os blocos. Hoje, você tem dificuldade de botar os blocos tradicionais na rua. Eles já não conseguem mais participar do carnaval, porque não há mais compradores de abadá, porque os que compram já estão mais restritos ali ao um ambiente fechado, que é o camarote. Na educação, defendo a implantação da escola em tempo integral, o município precisa investir nesta modalidade. É muito fácil um gestor municipal criticar e colocar a questão da segurança pública na conta do governo estadual. É preciso fazer ações efetivas do município promovendo educação, levando esporte às escolas, para que a gente possa colocar o estudante dentro da escola e fazer com que ele não fique vulnerável nas ruas e seja cooptado pelo tráfico. Eu tenho defendido a escola em tempo integral. Sendo prefeito de Salvador, vou colocar educação em tempo integral em grande parte da rede municipal. Podemos implementar o inglês, quem sabe a gente consiga colocar escolas bilíngues. Imagine isso para uma população muito carente, que não tem acesso a um curso na área de inglês, que não pode pagar um curso particular, ter aulas de inglês nas escolas. Imagine Salvador, uma cidade turística, com qualquer cidadão na rua podendo se comunicar com turistas. Olhe só o orgulho que a gente quer promover para Salvador.

Qual a avaliação que o deputado faz da gestão do prefeito ACM Neto nestes quatro anos do seu segundo mandato?

Jamais vou dizer que o prefeito não faz um bom trabalho. Faz, sim. Ele teve a oportunidade de ser gestor de uma cidade que vinha com uma péssima administração, que, infelizmente, estava entregue. Como gestor, ele, realmente, conseguiu retomar a administração da cidade e fazer algumas obras importantes. Requalificou vários bairros da cidade, colocando praças, mas enfim, eu acho que o prefeito fez, mas acho que o soteropolitano merece muito mais. Aqui, eu digo, verdadeiramente, que o grande agradecimento, como soteropolitano, faço ao governador Rui Costa por todo empenho que ele tem tido na cidade de Salvador.

adblock ativo

Publicações relacionadas