1313
PT enfrenta racha interno em razão de disputa por número de urna
Discussões envolvem o uso do número “1313” no Rio de Janeiro, com insatisfação de Lindberg e Freixo



Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro expuseram nas redes sociais um racha interno na legenda em razão de uma discussão envolvendo o número de urna de um candidato da sigla. A briga envolve o deputado federal Lindbergh Farias, o ex-presidente da Embratur e candidato à Câmara dos Deputados, Marcelo Freixo, e o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá.
O embate gira em torno da escolha do número “1313” para o candidato a deputado federal e presidente do diretório estadual do partido no Rio, Diego Quaquá, que é filho do prefeito de Maricá. A decisão enfureceu Lindbergh e Freixo, que foram em conjunto às redes sociais classificar a conduta da direção estadual como a criação de uma “capitania hereditária”.
“Não é questão de número, é questão de democracia interna, é questão da boa condução da campanha de Lula no estado do Rio”, afirmou Lindbergh.
“O PT não pode, no Rio de Janeiro, ser conduzido como uma capitania hereditária. Não pode, em qualquer debate, ter gestos de autoritarismo acompanhados de silêncio”, completou Freixo.
Quaquá rebate
Washington Quaquá, que utilizou o 1313 em 2022, quando foi eleito deputado federal, afirmou que seu filho usará o “número de Maricá”. Ele argumentou que, caso não estivesse ocupando o cargo de prefeito, ainda estaria no exercício do mandato parlamentar e com a prerrogativa de utilizar a mesma numeração nas urnas.
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“O número 1313 foi usado por mim na eleição passada e eu fui eleito deputado federal. Saí para ser prefeito de Maricá e, portanto, estaria inclusive dentro do meu mandato ainda. O Diego é presidente do PT e está usando o número que Maricá, a cidade mais importante do PT no Rio de Janeiro e uma das maiores administrações da história do PT no Brasil”, argumentou o prefeito.
O gestor ainda criticou Lindbergh e Freixo, citando que o ex-presidente da Embratur chegou a ser apoiador declarado da Operação Lava Jato, que foi responsável pela prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, e declarou que o deputado petista quis “abandonar” o partido para fundar o PSOL em 2004.
“Eu queria dizer o seguinte: quando o Freixo apoiava a Lava-Jato e o Moro contra o Lula, dizia que, inclusive, que Lula Livre não era prioridade da esquerda, e quando Lindberg quis abandonar o PT para ficar com Heloísa Helena e fundar o PSOL e ser contra o presidente Lula, eu tava lá, junto com o presidente Lula, junto com o PT”, disparou Quaquá.
Regras do PT
As regras fixadas pela Secretaria Nacional de Organização do PT estabelecem que, quando houver disputa, a prioridade é quem já tenha usado o número nas últimas eleições. Caso não tenha havido uso em pleitos anteriores, os membros devem buscar o consenso e, em último caso, deverá ocorrer um sorteio entre os candidatos.
Em razão da decisão, Lindbergh e Freixo impetraram uma queixa no Diretório Nacional do PT contra a decisão de Quaquá de entregar o 1313 para o filho. O argumento principal é que o PT do Rio entregou o número de forma autoritária para Diego. Para os dois, é inaceitável que interesses familiares orientem as decisões estratégicas da legenda.


