POLÍTICA
Queda de Maduro divide opiniões entre candidatos ao Planalto
Nomes na pré-disputa se manifestam após captura de venezuelano

Por Cássio Moreira

A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nas primeiras horas do último sábado, 3, tomou conta do debate político do Brasil, que entrou oficialmente em seu ano eleitoral. Nas redes sociais, os pré-candidatos ao Palácio do Planalto se manifestaram contra e a favor do movimento liderado pelos Estados Unidos.
Presidente e virtual candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou em nota publicada no X. O líder petista, que já foi próximo de Maduro, mas se afastou nos últimos meses, criticou a postura adotada pela Casa Branca, afirmando que os Estados Unidos ultrapassaram "uma linha inaceitável".
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"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", escreveu Lula na nota divulgada.
Quem também condenou a ocupação americana foi o ex-ministro Aldo Rebelo, pré-candidato ao Planalto pelo partido Democracia Cristã. Autointitulado como nacionalista, o ex-comunista, que agora atua no campo da direita, acusou o governo americano de tentar usurpar as riquezas venezuelanas, como o petróleo.
Em coletiva, Trump confirmou que empresas estadunidenses tomarão conta do petróleo venezuelano.
"O que o pessoal não percebeu é que o pretexto usado para tirar o Maduro do poder é o mesmo para manter na cadeia o ex-presidente Bolsonaro. A verdade é que a democracia na geopolítica é sempre um pretexto", disse em trecho de um vídeo publicado em suas redes sociais.
Governador do Rio Grande do Sul e também pré-candidato à presidência pelo PSD, Eduardo Leite criticou o regime de Maduro, a quem chamou de ditador, mas condenou a ação dos Estados Unidos que, segundo o gestor, viola a soberania da Venezuela.
"O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano. No entanto, a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, é igualmente inaceitável", afirmou Eduardo Leite.
Principal nome do campo da direita para a eleição de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), defendeu a posição adotada pela Casa Branca, comemorando a prisão de Maduro.
"Hoje é um dia histórico para quem defende a liberdade e a democracia. A Venezuela dá um passo importante para se libertar de um regime que oprimiu seu povo, destruiu a economia, enfraqueceu as instituições, perseguiu opositores, derrotou a imprensa e permitiu que o narcotráfico e o crime organizado se infiltrassem no Estado", escreveu Flávio, que ainda tentou associar a imagem de Maduro ao presidente Lula.
Aposta do partido Missão, oriundo do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos elogiou Trump pela captura de Maduro, e criticou o governo brasileiro que, segundo ele, teria investido no regime da Venezuela nos últimos anos.
"Uma decisão bacana, Donald Trump foi gigante [...] Inaugura na América do Sul uma nova doutrina americana. O Brasil foi falho nisso, e o Brasil é, supostamente, o líder da América do Sul [...] Isso nos diminui. Na verdade, o Brasil investiu no regime venezuelano", destacou em um vídeo publicado no X, antigo Twitter.

Governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), filho do apresentador Ratinho, também parabenizou Trump, afirmando que o presidente dos Estados Unidos libertou o povo do país vizinho.
"Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos", afirmou Ratinho Júnior.
Na mesma linha, Romeu Zema (Novo), hoje governador de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), que governa Goiás, expressaram gratidão a Trump pela captura de Maduro.
"Que a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento", disparou Zema.
"Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista. Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país", escreveu.
Eleições 2026
Em outubro deste ano, milhões de eleitores vão às urnas para a escolha do presidente da República. O eleito terá um mandato de quatro anos, assumindo o cargo nos primeiros dias de 2027.
Pré-candidatos ao Planalto:
- Lula (PT)
- Flávio Bolsonaro (PL)
- Renan Santos (Missão)
- Romeu Zema (Novo)
- Ronaldo Caiado (União Brasil)
- Aldo Rebelo (DC)
- Eduardo Leite (PSD)
- Ratinho Júnior (PSD)
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