POLÍTICA
Rejeição a Messias abre crise entre Lula e ministro do STF
Presidente chegou a tecer críticas a ministro em reunião com dois membros da Corte
A rejeição pelo nome de Jorge Messias ao cargo vago de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no final de abril, abriu uma fissura na relação entre o presidente Lula (PT) e um dos componentes da Corte, Alexandre de Moraes.
A atuação do magistrado para barrar a aprovação do advogado-geral da União ainda gera incômodo no mandatário, segundo aliados. A indisposição, inclusive, foi manifestada para colegas de Alexandre de Moraes no Supremo.
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Conforme a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, Lula teve um encontro reservado com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, há cerca de um mês, quando evidenciou o descontentamento. O presidente chegou a criticar Moraes no âmbito do escândalo do Master.
Na oportunidade, o presidente teria dito que Moraes deveria vir a público explicar o contrato milionário firmado pelo escritório da esposa do ministro, Viviane Barci, com o banco fundado por Daniel Vorcaro. Em conversas privadas, Lula já demonstrou incredulidade quanto ao valor de R$ 130 milhões do negócio.
Trégua
Apesar da tensão, nos bastidores há uma movimentação para que os dois selem uma trégua. Ela vem sendo costurada por uma frente que reúne integrantes do Judiciário, do governo e do Congresso.
O argumento é que o petista precisa preservar a melhor relação possível com os ministros da Corte, especialmente porque Moraes assumirá a presidência do tribunal no próximo ano.
Flávio Bolsonaro quer que Moraes se torne suspeito pelo caso Master
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira, 5, para que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para a análise de um requerimento apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
Na ação, o parlamentar petista busca incluir Flávio Bolsonaro no inquérito que investiga o seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por supostamente se articular com autoridades dos Estados Unidos para coagir o STF e o Governo Federal no curso do processo que julgou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista.
Lindbergh argumentou que o inquérito também precisa investigar se os recursos destinados ao filme Dark Horse, financiado por Daniel Vorcaro e articulado por Flávio, podem ter sido usados para custear a permanência de Eduardo nos EUA, onde ele está autoexilado desde fevereiro de 2025.