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Rui Costa defende apoio federal para interiorizar desenvolvimento na Bahia

Candidato ao Senado pelo PT criticou concentração histórica de investimentos no Sudeste

Luan Julião
Por
Rui Costa (PT)
Rui Costa (PT) - Foto: Uendel Galter / Ag. A TARDE
Eleições 2026

A concentração histórica de investimentos no Sudeste e os obstáculos para levar desenvolvimento econômico ao interior da Bahia foram alguns dos temas abordados por Rui Costa (PT) durante a sabatina doGrupo A TARDE, realizada nesta segunda-feira, 17. Candidato ao Senado Federal, o ex-governador da Bahia defendeu uma atuação mais forte do governo federal para reduzir as desigualdades regionais e tornar outras áreas do país mais atrativas para investimentos privados.

Na avaliação de Rui, a concentração econômica em estados como São Paulo criou, ao longo das décadas, uma vantagem competitiva que dificulta a distribuição dos investimentos pelo território nacional. Ele argumentou que, diante de menores custos e maiores possibilidades de retorno, empresas tendem naturalmente a concentrar seus recursos onde a infraestrutura já está consolidada.

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"É preciso olhar, eu acho que historicamente, inclusive no Brasil. O Brasil teve historicamente uma concentração muito brutal, muito perversa dos investimentos econômicos com estímulos governamentais no Sudeste brasileiro, em especial no estado de São Paulo, e é evidente que você cria um círculo virtuoso para aquele estado e para aquela região, e uma certa algema para as outras regiões, porque, para qualquer empresário, ao longo dos anos, ficou muito mais barato, muito mais rentável investir no Sudeste, especialmente em São Paulo, do que investir no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste. É muito mais economicamente viável."

Rui defende prioridade para Nordeste

Para o candidato, a redução das desigualdades depende de uma mudança na lógica de distribuição dos investimentos. Rui citou os incentivos fiscais utilizados pelos estados nordestinos para atrair empresas e defendeu que a União estabeleça políticas capazes de compensar as diferenças de competitividade entre as regiões.

"E o Nordeste, eu diria assim, se virou nos 30, com incentivos fiscais, que acabam agora em 2027, para atrair investimentos. E, portanto, é preciso ter uma lógica de prioridade nacional, de descentralização do investimento, porque, pela lógica microeconômica, ou seja, a partir da decisão de cada empresa, ela vai fazer uma conta simples: onde eu tenho o maior lucro, onde eu tenho o maior retorno? Se o maior retorno for em São Paulo, ela tenderá a botar o investimento dela em São Paulo. Você gosta ou não, a gente queira ou não."

Rui também atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma mudança na atenção dada ao Nordeste. Segundo ele, a atuação federal passou a considerar investimentos em infraestrutura como parte fundamental da estratégia para interiorizar o desenvolvimento econômico.

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"É por isso que a gente elogia tanto o presidente Lula, e eu digo sempre que tem o Nordeste antes do Lula e o Nordeste depois do Lula, porque o Lula passou a enxergar o Nordeste e redirecionar políticas públicas, investimentos e infraestrutura. Não é possível pensar em levar desenvolvimento para o interior sem logística, sem infraestrutura."

Bahia depende de infraestrutura, diz candidato

Ao tratar especificamente da Bahia, Rui destacou a dimensão territorial do estado e a relação entre arrecadação e tamanho da população. Para ele, essas características aumentam a dificuldade de ampliar a infraestrutura e conectar regiões mais distantes dos grandes centros econômicos.

"A Bahia é do tamanho da França, do tamanho geográfico da Bahia, só que a França é um país, a Bahia é um estado cuja arrecadação é a décima sexta per capita do Brasil, portanto arrecada pouco por tamanho da sua população e arrecada pouco pela dimensão territorial."

Nesse cenário, o candidato citou obras de infraestrutura que considera estratégicas para reduzir os custos de produção e transporte no estado. Entre os projetos mencionados estão a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), o Porto Sul, a Ponte Salvador-Itaparica e a duplicação de rodovias.

"Então, sem o apoio federal, é muito difícil superar essa diferença logística e, por isso, nós apostamos muito na FIOL, no Porto Sul, apostamos muito na Ponte, em obras de infraestrutura, duplicação de vias para que o investimento no interior, para o privado, seja mais rentável e tenha menos custos."

Interiorização da economia

Rui também reconheceu que a Região Metropolitana de Salvador possui vantagens econômicas pela proximidade com o porto e com outros mercados. Segundo ele, a concentração do Produto Interno Bruto (PIB) baiano também é influenciada pela presença de grandes empreendimentos industriais, como o Polo Petroquímico de Camaçari e a refinaria.

"E a região metropolitana, evidente, por estar em torno de um porto muito próximo a outros mercados, ela é mais fácil. E a concentração também reflete, eu diria, um certo exagero do PIB, quando a gente coloca aí dentro o polo petroquímico de Camaçari e a refinaria. Mas, ao longo dos anos, nós fomos descentralizando. Ontem mesmo eu fiquei alegre em ver a potência econômica que Irecê está se formando como uma cidade de serviço para toda a região."

A sabatina contou com a participação de Eduardo Dias, editor de Política do Grupo A TARDE, Juliana Nobre, head do núcleo Massa!, Cássio Moreira, jornalista da editoria de Política do Grupo A TARDE, e Claudio André de Souza, cientista político.

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