ANÁLISE
Estratégia de Jaques Wagner: desarticular finanças para derrotar o crime
Wagner defende asfixia financeira e monitoramento como pilares ao combate

Por Rodrigo Tardio

Osenador Jaques Wagner (PT-BA)elevou o tom ao analisar o cenário da segurança pública na Bahia, definindo as atuais organizações criminosas como "multinacionais do crime". De acordo com o parlamentar, o enfrentamento ao crime organizado exige uma mudança de paradigma.
"O foco saiu do ladrão de rua para estruturas complexas que operam em 26 países e infiltram-se na economia formal, dominando postos de gasolina, bancos e consultorias. Não é o ladrão do meu tempo de criança. Estamos falando de uma multinacional que usa inteligência e domina uma série de setores", afirmou, em entrevista exclusiva ao A TARDE.
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Para ele, o sucesso das operações recentes contra o Comando Vermelho e o PCC deve-se à integração com a Polícia Federal e ao foco na inteligência, em vez do confronto impensado.
O "bolso" como alvo estratégico
Wagner reforçou a tese de que a desarticulação financeira é a arma mais eficaz do Estado. Ele citou a imobilização de R$ 30 milhões em uma única operação como exemplo do caminho a ser seguido.
"O povo gosta de dizer que a parte do corpo que mais dói é o bolso. Na minha opinião, bandido bom é bandido preso, e a gente tem prendido muita gente", pontuou, defendendo que os números de prisões e apreensões precisam ser mais divulgados para a sociedade.
O modelo tecnológico
Inspirado em modelos internacionais, como o monitoramento em massa utilizado na China, o senador defendeu a substituição progressiva do policiamento ostensivo em cada esquina por redes de câmeras inteligentes. O objetivo é monitorar placas, veículos e movimentações suspeitas com precisão técnica.
"Você não vê guarda em tudo que é canto na China, mas vê câmeras em todos os postes. É assim que se monitora o bandido", explicou, ressaltando que as grandes operações do Governo do Estado levam meses de preparação, envolvendo quebras de sigilo bancário e escutas autorizadas.
Apoio à gestão estadual
Ao avaliar o impacto político do tema, Wagner foi enfático ao eximir o governador Jerônimo Rodrigues de culpa direta pelo problema, atribuindo a violência à conjuntura global do tráfico de drogas e armas.
"O povo nos julga pela postura frente ao problema. O investimento que Jerônimo tem feito em contratação de policiais, equipamentos e câmeras mostra eficácia". De acordo com o senador, a percepção de insegurança tem perdido força em pesquisas recentes à medida que as ações de governo se tornam mais visíveis.
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