CONFIANÇA
Wagner defende chapa com Alckmin e freia debate sobre Haddad
Senador ressaltou que definição sobre tema está distante do horizonte político imediato

Por Rodrigo Tardio

O senador Jaques Wagner (PT-BA) minimizou, em declaração recente ao A TARDE, as especulações sobre a ida do ministro Fernando Haddad para a coordenação da campanha do presidente Lula. Embora tenha confirmado que o ministro da Fazenda chegou a abordar o assunto, Wagner ressaltou que qualquer definição sobre o tema ainda está distante do horizonte político imediato.
O parlamentar aproveitou a ocasião para reforçar a confiança na atual composição do Executivo. De acordo com Wagner, o presidente Lula demonstra satisfação com a "dobradinha" formada com Geraldo Alckmin. O senador elogiou a postura do vice-presidente, citando como exemplo o discurso proferido por Alckmin no ato de 8 de janeiro, e resgatou a trajetória política do antigo tucano para justificar a proximidade entre os dois líderes.
"Ele é do tempo do MDB de Waldir Pires e de Mário Covas, que depois criaram o PSDB. Portanto, eu diria que tem uma cabeça próxima do ideário do próprio presidente Lula", afirmou.
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Com um tom pragmático, Wagner posicionou-se contra alterações na estrutura política que garantiu a vitória eleitoral e a estabilidade do governo até o momento. "Eu sou do time que está ganhando, não se mexe. Eu não mexeria. Sinceramente, na minha opinião, se for pedida, mantém a chapa", concluiu.
Chapa majoritária
A composição da chapa majoritária governista na Bahia ainda não foi oficializada devido à dificuldade de acomodar os interesses de todos os partidos da base. Wagner afirmou que a construção do acordo passa por encontrar um denominador comum que traga satisfação mútua aos aliados, o que ainda não ocorreu.
Um dos pontos centrais da tensão é a postura do senador Angelo Coronel. O parlamentar reivindica espaço na chapa e tem sinalizado a possibilidade de lançar uma candidatura avulsa caso não seja contemplado. Wagner, no entanto, minimizou a viabilidade da estratégia.
"Eu acho que não tem candidato avulso. A chapa é a chapa", pontuou o senador, reforçando o trabalho de articulação interna para evitar dissidências.

Embora o cenário de incerteza persista, Wagner indicou que a tendência mais forte no momento é a confirmação dos nomes que já vêm sendo discutidos pela cúpula política para liderar o grupo nas urnas.
Eleição acirrada
O senador subiu o tom ao avaliar o cenário político para as eleições de 2026. Para o parlamentar, embora a dinâmica estadual possua características próprias, o pleito vai ser inevitavelmente "tensionado" pela disputa presidencial. Wagner diz que o sucesso da base governista na Bahia vai depender da manutenção da "casadinha" entre os nomes locais e a figura do presidente Lula.
"Toda eleição, quem vai puxar sempre é a eleição presidencial. Querendo ou não, ela vai ser tensionada e isso reflete aqui no estado", afirmou o senador. Ele reforçou que a estratégia do grupo vai ser consolidar a aliança "Lula e Jerônimo" para alavancar as candidaturas federais e estaduais da base aliada.
Críticas à oposição
Ao analisar o campo adversário, Wagner apontou uma suposta desorganização nas fileiras da oposição. O alvo principal foi o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). De acordo com o senador, Neto repete o comportamento de 2022 ao não definir um palanque presidencial claro.
"O outro lado ainda não se arrumou. ACM Neto não sabe quem vai ser o candidato dele a presidente e está sem lado ainda", disparou.
Incerteza sobre candidaturas
Wagner também demonstrou ceticismo quanto à manutenção da pré-candidatura de ACM Neto ao Palácio de Ondina. O petista relembrou o recuo estratégico do adversário no pleito de 2018 para sugerir que o cenário ainda pode mudar.
"Eu não sei ainda se o ex-prefeito vai ser candidato mesmo. Ele está dizendo que vai, mas é bom lembrar que em 2018 ele também falou que era e, na reta final, tirou o tapete do pessoal dele todo", relembrou Wagner, referindo-se à desistência de Neto naquela ocasião.
Apesar das provocações, o senador minimizou a dependência dos movimentos da oposição: "Isso não é problema meu. Vou preparar nosso time para a gente ganhar a eleição".
Segurança Pública
Em análise sobre segurança pública, o senador destaca que facções operam como empresas transnacionais e defende asfixia financeira e monitoramento tecnológico como pilares do combate à violência. Wagner subiu o tom ao analisar o cenário da segurança pública na Bahia, definindo as atuais organizações criminosas como "multinacionais do crime".
De acordo com o parlamentar, o enfrentamento ao crime organizado exige uma mudança de paradigma: o foco saiu do "ladrão de rua" para estruturas complexas que operam em 26 países e infiltram-se na economia formal, dominando postos de gasolina, bancos e consultorias.
"Não é o ladrão do meu tempo de criança. Estamos falando de uma multinacional que usa inteligência e domina uma série de setores", afirmou Wagner. Para ele, o sucesso das operações recentes contra o Comando Vermelho e o PCC deve-se à integração com a Polícia Federal e ao foco na inteligência, em vez do confronto impensado.
O "bolso" como alvo estratégico
Wagner reforçou a tese de que a desarticulação financeira é a arma mais eficaz do Estado. Ele citou a imobilização de R$ 30 milhões em uma única operação como exemplo do caminho a ser seguido.
"O povo gosta de dizer que a parte do corpo que mais dói é o bolso. Na minha opinião, bandido bom é bandido preso, e a gente tem prendido muita gente", pontuou, defendendo que os números de prisões e apreensões precisam ser mais divulgados para a sociedade.
O modelo tecnológico
Inspirado em modelos internacionais, como o monitoramento em massa utilizado na China, o senador defendeu a substituição progressiva do policiamento ostensivo em cada esquina por redes de câmeras inteligentes. O objetivo é monitorar placas, veículos e movimentações suspeitas com precisão técnica.
"Você não vê guarda em tudo que é canto na China, mas vê câmeras em todos os postes. É assim que se monitora o bandido", explicou, ressaltando que as grandes operações do Governo do Estado levam meses de preparação, envolvendo quebras de sigilo bancário e escutas autorizadas.
Apoio à gestão estadual
Ao avaliar o impacto político do tema, Wagner foi enfático ao eximir o governador Jerônimo Rodrigues de culpa direta pelo problema, atribuindo a violência à conjuntura global do tráfico de drogas e armas.
"O povo nos julga pela postura frente ao problema. O investimento que Jerônimo tem feito em contratação de policiais, equipamentos e câmeras mostra eficácia". De acordo com o senador, a percepção de insegurança tem perdido força em pesquisas recentes à medida que as ações de governo se tornam mais visíveis.
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