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ELEIÇÕES

Violência contra mulher: como Lula e Flávio Bolsonaro adotam tema como bandeira eleitoral

Portal A TARDE mostra que assunto virou estratégia na pré-campanha

Ane Catarine

Por Ane Catarine

04/03/2026 - 10:44 h

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Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro -

De quatro em quatro anos, o combate à violência contra a mulher ganha espaço nos discursos de candidatos à Presidência da República. Em um país onde as mulheres representam 52,5% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tema ultrapassa o campo das políticas públicas e passa a integrar a estratégia eleitoral.

Isso já pode ser observado entre os principais nomes postos para a disputa ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano, que passaram a incorporar o tema como eixo central de seus discursos.

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De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição em outubro, tenta contornar os números elevados de feminicídio registrados no atual mandato, elevando o tom no discurso de combate à violência.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que, de janeiro a dezembro de 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio, o maior número da série histórica.

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Do outro lado, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usa esses dados a seu favor ao incluir em seu discurso eleitoral narrativas que reforçam a necessidade de dar um basta à morte de mulheres no país por conta da violência de gênero.

O Portal A TARDE, a seguir, mostra como os presidenciáveis têm tratado a violência contra a mulher nos discursos recentes.

Flávio tenta herdar capital eleitoral do pai com cautela

Sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro no campo da direita, Flávio começou a adotar o tema da violência contra a mulher de forma mais enfática em discurso proferido durante manifestação da direita no último domingo, 1º, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Na ocasião, citou o aumento dos casos de feminicídio no governo Lula e defendeu uma “defesa intransigente das mulheres”. Também afirmou que, na gestão do pai, elas “eram protegidas” por meio da aprovação de leis específicas, ao pontuar que pretende retomar essa visão de governo.

Se em 2022 Jair Bolsonaro enfatizava o legado legislativo da própria gestão no combate ao feminicídio, tentando afastar polêmicas que o associavam a declarações sobre violência contra a mulher, o senador busca combinar a defesa dessas medidas com uma abordagem mais pessoal e emocional.

Eu sou casado, pai de duas princesinhas, que são a razão do meu viver. E eu imagino a dor dessas famílias que têm uma mulher agredida ou assassinada por um covarde. E a gente não vai mais tolerar isso neste país
Flávio Bolsonaro - Senador

Lula tenta nadar contra os dados

Como o aumento dos casos de feminicídio tem sido explorado pela oposição como sinal de fragilidade na segurança pública, Lula tem reforçado o discurso de responsabilização dos agressores e de fortalecimento da atuação do Estado.

Ao lado da primeira-dama Janja da Silva, Lula tem ampliado a presença do tema em agendas públicas. Em fevereiro, afirmou que o enfrentamento ao feminicídio “exige punição efetiva e mudança de comportamento na sociedade".

Também anunciou medidas para responsabilizar economicamente agressores, com ações para obrigá-los a pagar pensão aos filhos até os 21 anos.

Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio

Também em fevereiro deste ano, Lula também assinou decreto que institui o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.

Na cerimônia de assinatura, endureceu o tom ao afirmar que o combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra a mulher devem ser responsabilidade dos homens.

Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões. Cada homem deste país tem uma missão a cumprir
Lula - Presidente

O pacto prevê atuações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.

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Tags:

eleições feminicídio Flávio Bolsonaro Lula Violência contra a mulher

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