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Sistema Kiss e Fly ficará em 'operação-teste' por dois meses

SALVADOR

Aeroporto de Salvador lança Kiss & Fly sob desconfiança de trabalhadores que temem prejuízo financeiro

Sistema estabelece limite gratuito de 10 minutos para embarque e desembarque

Sistema Kiss e Fly ficará em 'operação-teste' por dois meses - Foto Reprodução

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Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

07/04/2026 - 22:38 h | Atualizada em 07/04/2026 - 23:00

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Mesmo diante de críticas e questionamentos de motoristas de transporte por aplicativo e taxistas, o Salvador Bahia Airport lançou, nesta terça-feira, 7, o sistema Kiss & Fly - Beije e Voe, na tradução literal -, em evento realizado no auditório do terminal.

A proposta apresentada pelo CEO da VINCI Airports no Brasil, Julio Ribas, prevê a reorganização do embarque e desembarque com limite de tempo para permanência de veículos.

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Julio Ribas é CEO da VINCI Airports no Brasil
Julio Ribas é CEO da VINCI Airports no Brasil | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

O sistema estabelece 10 minutos de tolerância gratuita. Após esse período, o motorista deverá pagar pela permanência.

“A gente fez os estudos, definiu o tempo de 10 minutos, mas, vamos monitorar e medir na prática. Com a leitura de placas, conseguimos saber quanto tempo cada veículo permanece", explicou Ribas.

Para Julio Ribas, Kiss e Fly vai organizar tráfego no aeroporto
Para Julio Ribas, Kiss e Fly vai organizar tráfego no aeroporto | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Durante a apresentação e em conversa com o portal A TARDE, o CEO defendeu o projeto como uma solução para problemas recorrentes no acesso ao terminal. Ele citou o alto fluxo de pessoas - entre 35 mil e 40 mil por dia e até 16 milhões por ano - e afirmou que o espaço do meio-fio é limitado e precisa ser utilizado de forma mais eficiente.

Segundo Ribas, a intenção não é engessar o sistema, mas ajustá-lo conforme a realidade observada.

"Por exemplo: se 85% dos veículos ficam até 10 minutos, 5% ficam meia hora ou mais - esses nem entram na conta - e cerca de 10% ficam entre 10 e 12 minutos. O que a gente pode fazer? Ajustar. Talvez ampliar para 15 minutos", avaliou.

Insatisfação e desconfiança

Apesar de o sistema só começar a operar neste mês de abril e ainda não estar em funcionamento, a medida já causa insatisfação, desde o início, e é vista com desconfiança por quem circula diariamente na área.

"Eu acho que o tempo é muito curto, 10 minutos é muito pouco, não tem condições, não. Acho que é uma forma também de arrecadar, eu acho isso injusto", desabafou um motorista de receptivo, enquanto aguardava alguns passageiros.

Imagem ilustrativa da imagem Aeroporto de Salvador lança Kiss & Fly sob desconfiança de trabalhadores que temem prejuízo financeiro
| Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Ainda ao portal A Tarde, o trabalhador relatou que vê o sistema Kiss & Fly como uma forma de arrecadação, já que acredita que os motoristas serão forçados a usarem o estacionamento, que ele classificou como caro e complicado para quem depende da área diariamente.

"Acho que é uma forma de arrecadar, porque, infelizmente, aqui é um dos estacionamentos mais caros que existem. É uma forma de tirar [dinheiro] da gente, é tudo caro aqui, tudo absurdo. E pra nós que trabalhamos, é complicado", finalizou ele.

Estacionamento da aeroporto cobra R$30 por até 1 hora
Estacionamento da aeroporto cobra R$30 por até 1 hora | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

O estacionamento do Salvador Bahia Airport possui tarifas que variam conforme o tempo de permanência. Atualmente, o valor para até uma hora é de R$ 30, enquanto cada fração ou hora adicional é acrescida de R$ 15.

Preços que são apontados por usuários como altos, especialmente por motoristas que circulam diariamente pelo aeroporto, como receptivos e taxistas, aumentando o debate sobre a implementação do sistema Kiss Fly.

Taxistas apontam prejuízos e desigualdade

Entre taxistas independentes, as críticas envolvem tanto a cobrança quanto a organização do serviço no aeroporto. Sob anonimato por temer represália, um profissional, que tem 33 anos de atuação no mercado, questiona a legitimidade da medida.

"Eu acho um absurdo essa cancela que eles estão pondo aí. Isso aí é uma via pública, isso aqui pertence à Prefeitura de Salvador, não ao aeroporto. E eles fazem essa cancela para a pessoa pagar após os 10 minutos de tolerância, que eu não concordo de maneira alguma, em hipótese nenhuma", declarou o senhor.

"Isso não deveria acontecer. A gente vai ter que pagar. Todo mundo que entrar aqui agora vai ter que pagar", lamenta.

Sistema estabelece 10 minutos de tolerância gratuita
Sistema estabelece 10 minutos de tolerância gratuita | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A TARDE

Outro trabalhador, que preferiu não se identificar, destacou que outro ponto em questão, que pode prejudicar os taxistas independentes, é o contrato exclusivo que duas cooperativas possuem com a administração do aeroporto.

"A Coopteletaxi e a Tele Táxi é que vão ficar atendendo o aeroporto. Então, vai se pagar uma média de R$ 30 mil cada uma [cooperativa] e R$600 a R$700 por mês, cada um taxista que roda aqui", revelou o rapaz, demonstrando preocupação.

"Então, o taxista vai pagar para ficar exclusivo lá dentro. Os taxistas que trabalham de forma autônoma não vão poder ter essa oportunidade de vender. Ele só vai chegar aqui e pegar o passageiro e ir embora. Eu vou ter que pagar pelo meio fio, se passar do tempo, vou ter que pagar", concluiu.

Respostas da concessionária

Questionado sobre as críticas, o CEO da Vinci Aiports no Brasil negou que o projeto tenha caráter arrecadatório e reforçou que o sistema possui, sobretudo, finalidade educativa e que não há nenhum favorecimento.

“Quem critica o projeto está focando nos que desrespeitam, mas não está pensando no direito das pessoas de terem uma área segura para parar, desembarcar e seguir viagem. Os 10 minutos iniciais são suficientes, mas haverá monitoramento e ajustes conforme a realidade”, reafirmou ele, sem revelar o valor que será cobrado, caso o motorista ultrapasse o tempo determinado.

Julio Ribas, CEO Vinci Aiports no Brasil
Julio Ribas, CEO Vinci Aiports no Brasil | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Já com relação às duas cooperativas, Júlio Ribas declarou que elas mantêm um acordo com o aeroporto por conta de vagas previamente definidas, o que não representa um benefício exclusivo, mas visa proporcionar um atendimento mais eficaz aos passageiros.

"As duas cooperativas têm contrato com o aeroporto porque possuem uma situação privilegiada de vagas delimitadas. Isso não é feito para conceder qualquer privilégio a elas, mas sim para oferecer um serviço melhor ao passageiro", ratificou Ribas.

"O que acontece é o seguinte: o taxista independente, atividade que respeitamos muito e que é muito importante - são cerca de 7 mil na cidade de Salvador - atende ao aeroporto, mas, também faz corridas em shows na Pupileira, na Concha Acústica, leva pessoas a diferentes pontos da cidade e transita por lá. Precisamos ter a certeza de que o passageiro que chega às 3 horas da manhã encontrará um táxi disponível", completou ele, ao justificar os contratos com as duas associações.

Antes e depois das obras
Antes e depois das obras | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Sobre os valores dos contratos, Ribas apenas declarou: "quanto ao valor do contrato, não discuto publicamente negociações entre duas partes externas, por questão de elegância. Mas, posso garantir que esse contrato é vantajoso para todos os envolvidos: as cooperativas têm uma fonte de receita consistente e o aeroporto consegue oferecer um bom serviço aos passageiros".

Aos taxistas independentes e motoristas por aplicativo

"A gente conversou com todo mundo. Nesse processo de consulta, não chamamos todos os interlocutores de uma vez. Chamamos motoristas de táxi, motoristas de aplicativo, motoristas de van e responsáveis por carros oficiais", explicou Ribas, ao ser questionado se os taxistas independentes haviam sido chamados para conversar.

Ainda segundo ele, foram adotadas alternativas para que esses profissionais, mesmo com corridas ocasionais, possam também atender ao aeroporto, que passa a integrar o portfólio de oportunidades de trabalho desses profissionais.


"Na verdade, não serão prejudicados, inclusive, com a implementação do bolsão, que melhora o fluxo e elimina os clandestinos [motoristas]", pontou ao revelar que está sendo feita uma reestruturação em um antigo ponto que abrigava os taxistas independentes e por aplicativo, antes da entrada do Bambuzal. A data de entrega da obra não foi informada.

Sobre valores

No dia 3 de março, o portal A TARDE publicou com exclusividade uma matéria que revelou o valor que será cobrado caso o motorista ultrapasse o tempo determinado pelo sistema Kiss & Fly. Na ocasião, uma fonte informou à reportagem que o valor será de R$ 18.

Nesta terça-feira, 7, durante o lançamento do sistema, Julio Ribas foi questionado sobre a informação, mas negou que já tenha sido definido o valor final da cobrança.

"Já divulgaram o valor… Não sei de onde tiraram isso. Eu sou presidente do aeroporto, eu não sabia o valor”, afirmou ele.

Julio Ribas afirmou que ainda não tem valor de cobrança definido
Julio Ribas afirmou que ainda não tem valor de cobrança definido | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Ribas explicou ainda que o Kiss & Fly não foi concebido principalmente para gerar receita. Segundo ele, “a ideia é não ter receita disso” e o critério de sucesso, na sua avaliação, seria justamente não haver pagamento na saída dos veículos, porque as pessoas usariam o sistema da forma adequada.

O CEO ponderou que a eventual cobrança, quando definida, não pode incentivar usos indevidos, nem premiar quem abusa da conveniência, “usurpando o direito dos outros”. Para ele, o sistema funcionará como um projeto educativo e de civilidade, cujo foco não é arrecadar, mas organizar o fluxo de veículos nas áreas de embarque e desembarque do aeroporto.

Legalidade

Ainda durante o lançamento do Kiss & Fly, Julio Ribas comentou sobre outro trecho da matéria do A TARDE, do dia 3 de março, a qual mencionava pareceres técnicos contrários à instalação do sistema de cancelas.

A reportagem apontava que, ao menos, quatro órgãos municipais, incluindo a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), haviam emitido pareceres técnicos e jurídicos contrários à cobrança para veículos que ultrapassassem o tempo de 10 minutos parados no meio-fio das áreas de embarque e desembarque do terminal.

Documentação de liberação apresentado durante lançamento do sistema
Documentação de liberação apresentado durante lançamento do sistema | Foto: Andrêzza Moura/ Ag. A Tarde

Em resposta, Ribas afirmou: “Como tudo, foi feito o projeto e estamos chegando agora nessa final. Então, todos os pareceres técnicos necessários, diferente do que foi divulgado, certamente, não por má fé, mas porque às vezes a gente não sabe, né? A gente tem tudo aqui, tem toda a informação, tem todo o dossiê, tudo que foi feito. Nós não somos responsáveis.”

Segundo ele, o projeto seguiu todos os trâmites técnicos exigidos e toda a documentação necessária está completa.

  • O que é prevê o funcionamento Kiss & Fly
  • Contagem automática do tempo desde a entrada
  • Permanência rápida no meio-fio (não é estacionamento)
  • Direcionamento para pagamento caso o limite seja excedido
  • Pagamento via tag (tipo Sem Parar) ou totens

Conforme o CEO, o sistema terá um período de testes de 60 dias - abril e maio-, com caráter educativo, destinado à validação do funcionamento e à realização de possíveis ajustes no tempo permitido.

Ele revelou que pessoas com deficiência não estarão sujeitas ao limite de tempo, podendo permanecer nas áreas de embarque e desembarque pelo tempo necessário, e que essa condição será reconhecida por meio de autodeclaração do usuário.

“É o tempo que levar. Preferimos errar por permitir do que prejudicar alguém que precisa”, concluiu.

"Teste drive"

Depois do lançamento do sistema, a reportagem foi convidada a realizar uma simulação prática nas dependências do aeroporto para testar se os 10 minutos previstos pelo Kiss & Fly seriam suficientes para o motorista permanecer parado no meio-fio.

Durante o percurso, foi possível observar que o setor de desembarque, palco da simulação, estava tranquilo e sem tumultos, e que não foram registrados transtornos na entrada da via. No teste, foi possível desembarcar passageiros, retirar malas, se despedir e sair pela outra cancela em cerca de 5 minutos e 40 segundos.

Um debate em aberto

O sistema Kiss & Fly começa a operar em meio a um cenário de tensão entre a proposta de organização defendida pela VINCI Airports e as preocupações de trabalhadores que dependem do aeroporto para garantir renda.

De um lado, a concessionária aposta na melhoria do fluxo, segurança e experiência do passageiro. Do outro, motoristas, taxistas e usuários questionam o tempo, os custos e possíveis impactos econômicos.

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Citados

O portal A TARDE tentou contato com o Ministério Público, a Prefeitura de Salvador e as cooperativas Coopteletaxi e Tele Táxi, mas não obteve resposta até o momento.

Porém, o A TARDE permanece aberto para eventual posicionamento das partes envolvidas.

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