SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO
Igreja do século XVI no Centro Histórico de Salvador deve ser tombada
Fundação Gregório de Mattos abriu processo para reconhecer o templo como patrimônio cultural


A Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, localizada no Centro Histórico de Salvador, pode receber o título de patrimônio cultural do município pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). A entidade, ligada à prefeitura da capital baiana, já notificou a abertura do processo de tombamento do templo nesta sexta-feira, 6.
O procedimento, conforme apurado pelo portal A TARDE, estabelece que a igreja passa a contar com o regime de tombamento provisório a partir desta sexta. A proteção será mantida até a conclusão dos estudos necessários e a emissão de parecer pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
A notificação foi direcionada ao padre Jailson Jesus, atual pároco e representante legal do imóvel. O processo tem como base a Lei Municipal nº 8.550/2014, que estabelece normas de proteção e estímulo à preservação do patrimônio cultural de Salvador.
Problemas estruturais
A preservação do templo também envolve um histórico recente de problemas estruturais. Em 2020, a igreja chegou a ser interditada e a paróquia promoveu campanhas de arrecadação para custear intervenções no imóvel. Na época, o telhado apresentava danos, com infiltrações e presença de cupins.
A situação comprometia paredes, forros, pisos e arcos da construção. Também foram identificados problemas relacionados à presença de bactérias e fezes de pombos, que entravam pelas falhas na estrutura. O custo estimado para a recuperação do telhado era de R$ 570 mil.
A última grande intervenção no templo havia ocorrido em 1905. Após anos de mobilização da comunidade e da Arquidiocese de Salvador, o espaço foi revitalizado e elevado à condição de Santuário Arquidiocesano em junho de 2025.
Mais de 400 anos de história
Fundada em 1594 por Cristóvão de Aguiar Daltro, a Igreja de Santo Antônio Além do Carmo surgiu como uma capela de pau a pique. Construída além dos antigos limites da cidade colonial, a edificação testemunhou episódios importantes da história baiana, entre eles a resistência às invasões holandesas no século XVII.
Ao longo dos séculos, o templo passou por ampliações e reformas e incorporou características arquitetônicas do estilo rococó.
Bens protegidos pela Fundação Gregório de Mattos
O tombamento municipal é conduzido pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, com base na Lei nº 8.550/2014. Entre os bens culturais que já contam com proteção municipal estão:
- Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, na Liberdade;
- Pedra de Xangô e área considerada sítio histórico do antigo Quilombo Buraco do Tatu, em Cajazeiras X;
- Estátua de Jesus (O Salvador) e o morro que lhe serve de suporte, na Barra;
- Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn, em Plataforma;
- Marco de Fundação da Cidade, na Barra;
- Igreja da Ascensão do Senhor, no Centro Administrativo da Bahia;
- 19 painéis de Carybé expostos em espaços públicos e privados de Salvador;
- Maquete de Salvador, acondicionada na sede da Fundação Mário Leal Ferreira;
- Casa de Ògún, no Candeal Pequeno;
- 13 balaustradas da Praia da Paciência, no Rio Vermelho.