CARNAVAL
Lavagem da Funceb abre o Carnaval no Circuito Batatinha no Pelourinho
Evento, que completa 33 anos, arrastou uma multidão pelas ruas do Centro Histórico
Por Jackson Souza
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Com abre alas formado por Baianas e integrantes do bloco Filhas de Gandhy, aconteceu nesta quarta-feira, 26, a 33° Lavagem da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), que marca a abertura do Carnaval do Centro Histórico de Salvador. Com concentração na Rua Chile, o cortejo atraiu centenas de pessoas e percorreu as ruas locais até o Largo Quincas Berro D’água.
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“A Lavagem é uma retomada de uma coisa boa, de família, porque a Lavagem Cultural é de família, e vem gente de todo lugar. (...) As pessoas dizem para a gente que é o Carnaval delas, que se sentem seguras, tanto no cortejo quanto lá no espaço Quincas Berro D’água”, afirmou uma das organizadoras do evento, Amélia Freitas.
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O evento, organizado por funcionários da Funceb, nasceu pequeno, com comemorações mais discretas, mas há muitos anos passou a ser uma manifestação cultural que arrasta não só funcionários da fundação, mas também centenas de foliões que buscam comemorações pré-Carnaval.
Neste ano, foram homenageados a trancista especialista em torços e turbantes Negra Jhô, figura conhecida no Pelourinho por seu talento artístico com tranças, e Veko Araújo, artista símbolo do Cortejo Afro, que falou o quão importante considera ser um dos homenageados.
“Isso é muito importante, principalmente por estarmos no Centro Histórico, que vem da ‘História’, e é o que vamos fazer. (...) Hoje é a reafirmação do meu papel de mestre da cultura popular, representando todas as linguagens artísticas”, afirmou, em tom de agradecimento, o 'Homem do Sombreiro'.
Dada a importância e respeito a quem enaltece e eleva a cultura negra na Bahia através da música, os três vocalistas da banda Cortejo Afro, Portella Açúcar, Aloísio Menezes e Claudya Costta foram coroados, coletivamente, reis e rainha da Fundação Cultural.
“Isso é representatividade, porque é o sonho de muitos artistas ter esse reconhecimento, então, eu também estou realizando esse sonho. Para mim é uma responsabilidade imensa estar representando a minha cultura, a minha música, a arte como um todo, e representando, (também), a minha comunidade”, disse a agora coroada, Claudya Costta.
Com 40 anos de música, Aloísio Menezes vibrou com a homenagem e reconhecimento recebidos por sua trajetória artística, mas não deixou de manifestar sua insatisfação por não ter sido chamado para o Carnaval pela prefeitura de Salvador.
“Estou muito feliz, muito emocionado pela lembrança. Estou vivendo um momento muito interessante só de homenagens. [...] A prefeitura me deixou de fora [do Carnaval] desta vez, a pessoa tem 60 anos, desses, 45 são na Música, e, ainda assim, fiquei de fora, com a história que eu tenho no Carnaval”, desabafou o artista
A Lavagem, que completa 33 anos e homenageia, também, o gênero que pode ser considerado o mais baiano de todos, o Axé Music, que chega a seu aniversário de 40 anos com vislumbres do futuro. Ao som de fanfarras e tambores, canções eternizadas do gênero embalaram quem acompanhava o cortejo, como foi o caso da turista do Rio de Janeiro, Isabel Cruz, que já acompanha a manifestação há três anos. “Acompanho sempre que posso a Lavagem da Fundação, já é a terceira vez. Adoro as marchinhas, os afoxés, as bandas, tudo”, disse.
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