SALVADOR
Obras do VLT de Salvador prometem acabar com alagamentos na Cidade Baixa e Subúrbio
Estrutura de captação terá mais de 16,9 mil metros em pontos estratégicos da Cidade Baixa e Subúrbio


As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador vão além da implantação do novo sistema de transporte. O projeto também prevê intervenções de macrodrenagem que prometem reduzir os alagamentos registrados com frequência na Cidade Baixa e no Subúrbio Ferroviário.
De acordo com a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), o novo sistema contará com 16.996,10 metros de estruturas de captação e escoamento de águas pluviais, distribuídas em pontos considerados críticos da capital.
Como vai funcionar o sistema
As intervenções incluem a construção de galerias subterrâneas de concreto armado, canalizações, aduelas, bueiros celulares, bocas de lobo, caixas coletoras e poços de visita, além da recomposição das vias após a conclusão dos serviços.
Na prática, a água da chuva será captada pelas bocas de lobo instaladas nas ruas e calçadas, conduzida por tubulações menores até as galerias principais e, posteriormente, direcionada para canais naturais ou para a Baía de Todos-os-Santos.
Segundo o presidente da CTB, Eracy LaFuente, a obra busca solucionar um problema histórico enfrentado pelos moradores da região.
"O VLT é muito mais que mobilidade, é uma grande intervenção para melhorar a vida das pessoas. Esse sistema vai sanar uma dor antiga dos moradores da Cidade Baixa e do Subúrbio. Os alagamentos na região sempre causaram muitos transtornos e a cidade nunca contou com uma estrutura de drenagem que contemplasse a região. Mas isso vai mudar. São mais de 16 mil metros de macrodrenagem para a captação da água", afirmou.
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Estruturas serão distribuídas em quatro trechos
As obras de macrodrenagem estão divididas em diferentes pontos do traçado do VLT:
- mais de 3,3 quilômetros entre a Calçada e o Comércio;
- cerca de 2,7 quilômetros entre a Calçada e a Ilha de São João;
- mais de 6,4 quilômetros ao longo da BR-528 (Estrada do Derba);
- aproximadamente 4,4 quilômetros entre a Baixa do Fiscal e o Retiro.
Moradores que convivem há anos com os transtornos causados pelas chuvas acreditam que a intervenção poderá melhorar a rotina da região.
Lidiane Mirian Bonfim de Brito, de 42 anos, que morou por mais de três décadas na Calçada, relembrou os prejuízos provocados pelos alagamentos.
"Dependendo da proporção da chuva, a gente já sabia", recordou.
O líder comunitário César Augusto dos Santos Pereira, morador de Paripe, também destacou os impactos das enchentes.
"Como morador, eu já presenciei vários alagamentos devido às chuvas", afirmou.

Primeiro trecho do VLT já opera em fase de testes
Enquanto as obras avançam, o primeiro trecho do VLT já está em operação assistida. Desde o fim de junho, passageiros podem utilizar gratuitamente o trajeto entre Calçada e Lobato, em viagens realizadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.
O percurso possui quatro quilômetros de extensão e sete paradas:
- São Joaquim;
- Calçada 2;
- Estação Calçada;
- Pátio Calçada;
- Santa Luzia;
- Lobato;
- Marisqueiras.
A viagem inaugural foi acompanhada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), que destacou o início da operação como uma alternativa de transporte para os moradores da região.
Obras seguem em três etapas
O projeto do VLT de Salvador está dividido em três trechos e, quando concluído, terá aproximadamente 43,7 quilômetros de extensão e 50 paradas.
Atualmente, o Trecho 1, entre Calçada e Ilha de São João, está em operação assistida e com cerca de 64% das obras executadas, enquanto o Trecho 2, entre Paripe e Águas Claras, alcançou 47% de execução e entrou na fase de implantação da via permanente.
Já o Trecho 3, que fará a ligação entre Águas Claras e Piatã, ainda aguarda o início das obras físicas, previsto para ocorrer após a assinatura da ordem de serviço.


