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Rodoviários e empresários terminam audiência sem acordo e nova reunião pode definir greve

Categoria fará assembleia após nova audiência no TRT e poderá decidir pela paralisação do transporte público na capital baiana

Luan Julião
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| Atualizada em
Nova rodada de negociação acontece nesta quinta-feira, 21
Nova rodada de negociação acontece nesta quinta-feira, 21 - Foto: Foto: Luan Julião | Ag. A TARDE

Mais uma audiência de conciliação entre rodoviários e empresários do transporte público de Salvador terminou sem acordo na tarde desta quarta-feira, 20. A reunião, dessa vez mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), durou cerca de quatro horas e terminou com a definição de uma nova rodada de negociações marcada para esta quinta-feira, 21, às 11h.

A expectativa é que o novo encontro seja decisivo para tentar evitar a greve geral anunciada pela categoria. Após a audiência no tribunal, os rodoviários irão realizar uma assembleia para avaliar os rumos da campanha salarial e decidir sobre uma possível paralisação do transporte público na capital baiana.

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Segundo os trabalhadores, as propostas apresentadas até o momento não contemplam as principais demandas da categoria. Já os empresários alegam enfrentar sérias dificuldades financeiras e afirmam que as empresas não possuem condições de arcar com os custos reivindicados.

Tribunal tenta evitar paralisação

A presidente do TRT-5, Ivana Nilo Magaudi, afirmou que o tribunal apresentou uma proposta durante a audiência e que as partes solicitaram sigilo para que novas discussões internas fossem realizadas.

"Essa foi a primeira audiência de tentativa de acordo. A audiência durou em torno de quatro horas, e o tribunal, a presidência. E as partes pediram para que a minha proposta ficasse em segredo, para que fizessem uma nova reunião hoje à noite, os sindicatos com os seus representantes, a empresa com os demais representantes."

A magistrada também destacou que a intenção do tribunal é impedir a paralisação do sistema de transporte.

"E eu designei às 11 horas da manhã para que possamos fechar esse acordo, para que possamos evitar esta greve que está anunciada. Mas eu acho que todo mundo está assim, no afã de fechar esse acordo, e a gente vai fechar o acordo porque é um benefício para a própria sociedade evitar uma greve de transporte, é o que a gente deseja aqui."

"Estou aqui à disposição. Assim, marcamos a audiência com 24 horas e tudo está sendo muito rápido, e, com certeza, a gente vai definir, caso haja o acordo, terá uma decisão minha a respeito de como deve ocorrer a greve, o percentual, as questões da greve, e depois designar um novo relator, em seguida assinar prazo para a defesa do suscitado e nova audiência, que será na próxima semana, a depender do prazo que for assinado."

Sindicato denuncia problemas de saúde e condições de trabalho

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Hélio Ferreira, afirmou que a campanha salarial deste ano está entre as mais difíceis enfrentadas pela categoria e destacou problemas operacionais que, segundo ele, afetam diretamente a saúde física e mental dos trabalhadores.

"Tratamos da nossa pauta, das nossas reivindicações. Primeiro, também quero agradecer, em nome da categoria, ao tribunal, que está fazendo todo o esforço de ouvir as duas partes e ter essa compreensão e o esforço de fazer o acordo."

"Mas aqui é o nosso momento, é o momento de a gente estar divulgando, reivindicando todos os problemas que a gente passa no dia a dia. Eu mostrei aqui no tribunal, na mesa de negociação, que essa campanha é uma das mais difíceis pelo fato de ela ter atingido diretamente a saúde do trabalhador, ou seja, a crise do transporte refletiu na saúde física e mental do trabalhador."

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O sindicalista citou excesso de jornada, problemas operacionais, pressão sobre motoristas e condições precárias da frota.

"Então, os problemas hoje, os problemas operacionais hoje que têm no sistema de transporte, eles são gigantescos e causam vários problemas para a categoria. Nós temos as situações hoje da telemetria, que tem um BIP muito alto, que incomoda tanto o passageiro como o trabalhador que está ali no dia a dia, isso está causando doenças ocupacionais e cria um estresse muito grande, excesso de jornada, principalmente no final de semana, com muitas horas extras, o que acaba também com os trabalhadores, multilinhas, a jornada de trabalho, a questão também da carta horária, que não dá direito aos trabalhadores de ir ao banheiro ou beber uma água em cada viagem realizada."

"Então, hoje, nós temos problemas de condições de trabalho que afetam a saúde dos trabalhadores de forma muito grave, e eu considero que isso é devido à crise do transporte público no que se reflete nos seus trabalhadores. E aí vieram também as questões das cláusulas econômicas, onde os empresários não avançam nem com a inflação do período, e a gente precisa ter um ganho real de salário, precisamos melhorar nosso ticket de alimentação, precisamos manter as nossas conquistas anteriores."

Hélio Ferreira também criticou propostas que, segundo ele, representariam retirada de direitos históricos da categoria.

"E quando os empregados se instalam em um dissídio, já se instala um dissídio, de alguma forma, contrapondo as nossas conquistas anteriores com a intenção já de modificar as nossas cláusulas anteriores, como tirar o plano de saúde, como congelar o ticket e ainda aumentar o desconto para 20%, querer limitar o nosso acesso dentro do ônibus, para poder pegar o trabalho, que a gente tem esse direito. Então, são várias medidas de uma pauta que nós temos, que não está sendo ouvida, mas que a gente está denunciando para a sociedade do que passa o trabalhador."

Empresários alegam crise financeira

Representando os empresários, Pedro Castro afirmou que as empresas atravessam dificuldades financeiras e que o setor enfrenta problemas de fluxo de caixa.

"Nós temos uma grande dificuldade, isso foi muito explicitado na nossa solicitação do ciclo coletivo de greve, porque as empresas hoje não têm condição de pagar, estão com fluxo de caixa muito baixo para fazer isso, mas, felizmente, nós temos uma presidência de tribunal que nos deu um dever de casa, e vamos para o dever de casa, vamos ver se a gente volta aqui amanhã e tenta fazer o acordo."

Ele também ressaltou a complexidade das negociações trabalhistas.

"Olha, negociador tem que gostar e querer fazer a coisa. Então, a luta será para fazer a coisa. Se for possível, vamos fazer. Vamos lutar por tudo que for possível para fazer a coisa, como a gente fez desde antigamente. Nós já tivemos uma crise mesmo, foi em 2006. Há alguns anos, a gente não tem tido uma crise que tenha feito acordo coletivo."

"A relação do trabalho não é uma coisa simples. Tem muita coisa envolvida nessa história. Por exemplo, a expectativa dos trabalhadores, a expectativa das empresas, cada um em seu momento. Não é fácil você antecipar as negociações e tranquilizar. Se fosse possível, se o mundo fosse bem equilibrado, talvez a gente conseguisse isso. Mas, infelizmente, na relação de trabalho, sempre tem esses problemas e, às vezes, tem que vir para o tribunal para fazer isso."

Assembleia pode definir greve

O sindicato informou que a assembleia da categoria será realizada após a nova audiência no TRT-5. Os trabalhadores irão avaliar o resultado das negociações e decidir se aceitam a proposta construída durante a mediação.

"Quem está negociando sempre terá esperança de que possa nascer um acordo. Hoje foi aqui no tribunal a primeira mediação. Esperamos que amanhã tenha outra mediação. Esperamos que nasça um acordo que seja defensável para os trabalhadores. Mas o acordo tem que passar por essas correções de condições de trabalho e tem que passar também por correção das cláusulas econômicas."

"Então, não dá para a gente entrar numa campanha, sair de uma campanha com um problema gravíssimo que está afetando a saúde do trabalhador e sem seus reajustes necessários, com o ganho real para corrigir seus salários e principalmente seu ticket alimentação, que está defasado, e outras coisas mais que a gente colocou na pauta e que estão na ordem do dia como coisas simples. Nós temos coisas aí, por exemplo, nós temos uma situação do ponto eletrônico."

"O trabalhador bate o ponto eletrônico ali dentro do ônibus, a outra não faz, o trabalhador tem que estar lá na garagem, muitas vezes tem que perder seu dia, tem uma questão das multilinhas, tem um trabalhador que está em uma linha aqui e daqui a pouco tem que ir para outra, as cargas horárias apertadas, as horas, são várias coisas que afetam a saúde do trabalhador que não podemos sair da campanha também com uma proposta que não contemple os trabalhadores na maioria dos problemas que eles estão enfrentando no dia a dia."

"Nós temos uma frota de ônibus hoje sucateada, uma frota de ônibus que penaliza os trabalhadores, uma frota de ônibus que não dá condições para o trabalhador desenvolver as suas funções, então são coisas que a gente precisa ter um norte."

"Amanhã haverá audiência às 11 horas, em seguida a gente vai para a Assembleia e aí, na Assembleia, vamos apresentar o que for discutido nessa reunião de conciliação amanhã."

*Com infomações da repórter Silvânia Nascimento, Portal MASSA!
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Mobilidade rodoviários Salvador Semob

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