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DECLÍNIO DO FORRÓ?

Arrocha mantém soberania no São João da Bahia pelo terceiro ano consecutivo

Das dez atrações mais contratadas em 2026, apenas quatro são de forró

Edvaldo Sales
Por
Cenário se repete pelo terceiro ano consecutivo
Cenário se repete pelo terceiro ano consecutivo - Foto: Divulgação

Assim como em 2025, o arrocha é o gênero que domina as contratações do São João da Bahia em 2026. É o que revela o Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira, 1º.

No ano passado, o ranking foi liderado pela banda Toque Dez, que fez 39 shows e vai faturou R$ 11,2 milhões. Agora, quem desponta no topo é Devinho Novaes, com 10 shows (R$ 3 milhões).

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Das dez atrações mais contratadas em 2026, apenas quatro — Batista Lima, Desejo de Menina, Saia Rodada e Adelmário Coelho — são de forró. As outras seis são de arrocha.

Além de Devinho, a lista conta também com Netto Brito, com 10 shows ((R$ 2,6 milhões), Tayrone, com nove (R$ 3,3 milhões) e Pablo, com sete (R$ 4,9 milhões).

Veja o Top 10 e o faturamento:

  • Devinho Novaes - 10 (R$ 3 milhões)
  • Netto Brito - 10 (R$ 2,6 milhões)
  • Tayrone - 9 (R$ 3,3 milhões)
  • Thiago Aquino - 8 (R$ 2,3)
  • Pablo - 7 (R$ 4,9 milhões)
  • Batista Lima - 6 (R$ 1,5 milhões)
  • Desejo de Menina - 6 (R$ 1,5 milhões)
  • Saia Rodada - 6 (R$ 2,7 milhões)
  • Toque Dez - 6 (R$ 2,6 milhões)
  • Adelmario Coelho - 5 (R$ 1,5 milhões)

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Devinho lidera, mas não supera Toque Dez

Apesar de liderar o ranking, Devinho não chegou nem perto dos números de Toque Dez no ano passado. Foram 39 apresentações e R$ 11,2 milhões embolsados. Devinho não alcançou nem a metade disso.

No entanto, é importante ressaltar que essas informações são as que constam no Painel da Transparência do MP-BA até agora.

Até a publicação deste texto, apenas 83 das 417 cidades baianas participaram do levantamento. O Painel da Transparência ainda será atualizado com novas informações.

Cenário que se repete desde 2024

Em 2024, o cenário foi parecido — porém mais equilibrado —, com Toque Dez em primeiro lugar, com 44 shows na Bahia e faturamento de R$ 7 milhões. Ou seja, a banda aumentou o lucro em R$ 4,2 milhões em um ano.

Devinho Novaes ficou em segundo, com 39 apresentações. Logo depois veio:

  • Heitor Costa (34)
  • Mastruz com Leite (29)
  • Tayrone (29)
  • Iguinho e Lulinha (28)
  • Calcinha Preta (25)
  • Tarcisio do Acordeon (24)
  • Vitor Fernandes (23)
  • Pablo (22)

Ou seja, cinco de arrocha e cinco de forró.

Desafio para o forró

O cantor Adelmário Coelho, um dos principais nomes do forró da história, foi questionado pelo portal A TARDE sobre o “domínio” do arrocha nas festas de junho e destacou que não tem “nada contra ninguém”.

De acordo com o cantor, os gêneros podem coexistir em harmonia no São João. “Não só o arrocha, o sertanejo, o pop e o rock também, eu acho que tudo se harmoniza bem”, afirmou Adelmário. Ele pontuou, porém, que se perguntar para as pessoas o que elas querem ouvir nessa época do ano, elas vão falar que é forró. “A resposta está na boca do povo”, afirmou.

O artista ressaltou, porém, que quem contrata tem a caneta e “quer ver uma repercussão de público dessa coisa toda, mas não pode esquecer essa realidade”.

Não tem problema em harmonizar, o problema é a dosagem. Você tem que ter 90% de forró, com o resto você atende a demanda das outras pessoas. É a forma que eu vejo. Nada contra ninguém, porque eu sei que todos estamos aí na batalha da vida.

Adelmário Coelho - cantor

O cantor confessou que não acredita que há uma desvalorização do gênero musical, mas sim, uma demanda de público voltada para artistas de outros segmentos, o que deve ser dosado pelos contratantes.

“Eu não acredito que seja esse o sentimento de desvalorização, e sim que o mercado tem uma dinâmica que às vezes induz um contratante a pensar naquele momento. Mas quem conduz a história, a cultura popular nordestina, por anos e anos, são os forrozeiros e as forrozeiras mesmo”, disse ele, que defende mudanças nas contratações das festas juninas.

Ele completou: “Todo gestor tem que ter o cuidado, a dosimetria adequada de colocar numa festa tradicionalmente de forró, como as festas juninas, seus legítimos representantes. Então, esse critério, por exemplo, o que leva a mais público? Esse argumento, evidentemente, que às vezes ele confronta com a valorização mesmo da nossa cultura”.

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arrocha São João da Bahia

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