VILLA MIX?
Dupla sertaneja fatura mais de R$ 2,7 milhões no São João da Bahia
Atração terá o maior cachê dos festejos juninos do estado


O São João da Bahia de 2026 vai chegar com um ar de Villa Mix — um dos maiores festivais de música sertaneja do Brasil —, pelo menos na disposição de alguns municípios em investir alto em atrações do "country brasileiro" nos festejos juninos.
De acordo com o Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira, 1, a atração com o maior cachê do São João no estado é a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano.
Eles vão fazer shows em três cidades — Tucano, Conceição do Jacuípe e Porto Seguro — e em cada contratação irão receber R$ 905 mil. No total, o faturamento ultrapassa R$ 2,7 milhões. As cifras tem como origem recursos municipais, ou seja, serão pagas pelas próprias prefeituras locais.
Importante ressaltar que essas informações são as que constam no Painel da Transparência. Na agenda de junho de 2026 divulgada pela banda nas redes sociais, constam outros shows na Bahia: em Irecê, Caculé, Senhor do Bonfim, Amargosa, Santa Maria Vitória e Itabuna.
No entanto, as informações sobre os cachês dessas contratações ainda não estão no Painel, que é alimentado pelos municípios. Ou seja, o montante recebido pela dupla na Bahia será ainda maior.
Até a publicação deste texto, apenas 83 das 417 cidades baianas participaram do levantamento. O Painel da Transparência ainda será atualizado com novas informações.
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Zé Neto e Cristiano x Wesley Safadão
No ano passado, o cantor Wesley Safadão teve o cachê mais alto do São João da Bahia. O artista recebeu, no total, R$ 3,3 milhões, mais do que Zé Neto e Cristiano em 2026.
Safadão se apresentou em três cidades baianas — Oliveira dos Brejinhos, Cruz das Almas e Jequié —, e recebeu em cada uma R$ 1,1 milhão.
Queda no faturamento
Em 2025, Zé Neto e Cristiano fizeram quatro shows na Bahia durante o São João e faturaram R$ 3,2 milhões.
Eles se apresentaram em Itabuna (R$ 804 mil), Ipiaú (R$ 804 mil), Luís Eduardo Magalhães (R$ 804 mil) e Eunápolis (R$ 800 mil).
Maiara e Maraisa em segundo lugar
A dupla Maiara e Maraisa será a segunda atração mais bem paga do São João baiano, aponta o Painel do MP-BA.
As irmãs já têm shows marcados em Serra do Ramalho e Conceição do Jacuípe. Elas vão embolsar R$ 784 mil por cada performance. Somando os valores, chega a um total de R$ 1,5 milhão.


E o teto de R$ 700 mil?
A União dos Municípios da Bahia (UPB) havia estabelecido um teto de R$ 700 mil para cachês pagos para artistas durante os festejos juninos da Bahia. A decisão vem na esteira das reclamações dos prefeitos com relação aos valores recentes cobrados por cantores durante os festejos juninos.
Após reuniões, os gestores levaram a demanda ao MP-BA, que é responsável pela fiscalização do emprego dos cachês de festas juninas.
Apenas em 2025, o total dos gastos com contratações acima do teto proposto foi de R$ 38 milhões, conforme levantamento feito pelo portal A TARDE, com base nos dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios do Estado da Bahia.
O que orienta o MP-BA
Na Bahia, contratos com valor acima de R$ 700 mil entrarão em uma faixa de atenção especial.
Nessas situações, deve existir uma fundamentação mais rigorosa, exigindo:
- Justificativa detalhada do preço
- Comprovação da capacidade financeira do município (disponibilidade de caixa, regularidade da folha de pagamento e inexistência de estado de calamidade)
- Declaração de que não haverá suplementação orçamentária para a cultura, exceto se houver superávit comprovado
Além disso, a cartilha informativa referente à orientação sobre contratação de artistas para os festejos juninos deste ano propõe que os municípios adotem como limite para o gasto total com os festejos de 2026 o mesmo valor gasto em 2025, corrigido apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O objetivo do documento divulgado pelo MP-BA é evitar o crescimento desmedido das despesas e proteger a saúde financeira municipal.
Segundo o órgão, a análise dos contratos firmados em 2025 indicou que apenas 1% ultrapassou R$ 700 mil, parâmetro que fundamentou a definição da faixa de atenção especial prevista na nota técnica.
“Não foi estabelecido valor máximo, mas, sim, uma faixa de atenção especial para contratações acima dos valores que representaram 99% dos contratos no estado. Nesses casos, exige-se uma justificativa técnica mais robusta e a demonstração da saúde financeira do município”, detalhou a promotora de Justiça Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção ao Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Caopam).


