NA MÁXIMA?
Cantores sertanejos e do arrocha faturam quase R$ 100 milhões no São João
Levantamento foi feito pelo portal A TARDE nesta quinta-feira, 11
Em meio à polêmica das reduções de cachês no São João da Bahia e da valorização do forró, cantores sertanejos e do arrocha vão faturar alto em 2026. A soma dos vinte contratos com maiores valores entre esses artistas chega a um total de quase R$ 100 milhões.
O levantamento foi feito pelo portal A TARDE nesta quinta-feira, 11, com base nos dados que constam no Painel da Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).
Até o momento, 313 dos 417 municípios alimentaram o Painel com informações sobre os festejos juninos.
Sertanejo
O maior cachê vai ser de Gusttavo Lima, que fará apenas um show, em Itabuna, e vai receber R$ 1,5 milhão. A dupla Maiara e Maraísa se apresentará em sete municípios com cachê de R$ 784 mil — chegando a um total de R$ 5 milhões.
Confira o Top 10 do sertanejo (de acordo com o valor do cachê):
- Gusttavo Lima - 1 show (R$ 1,5 milhão)
- Zé Neto e Cristiano - 3 shows (R$ 2,7 milhões)
- Ana Castela - 1 show (R$ 900 mil)
- Nattan - 2 shows (R$ 1,2 milhão)
- Bruno e Marrone - 2 shows (R$ 1,6 milhão)
- Natanzinho Lima - 2 shows (R$ 1,5 milhão)
- Maiara e Maraisa - 7 shows (R$ 5,4 milhões)
- Matheus e Kauan - 1 show (R$ 705 mil)
- Victor e Léo - 1 show (R$ 70 mil)
- Matheus e Kauan - 6 shows (R$ 4,2 milhões)
Total: R$ 19,7 milhões
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Arrocha
Assim como em 2025, o arrocha é o gênero que domina as contratações do São João da Bahia em 2026. É o que revela o Painel da Transparência.
No ano passado, o ranking foi liderado pela banda Toque Dez, que fez 39 shows e faturou R$ 11,2 milhões. Neste ano, a banda repetiu o feito, com 41 contratações e um total de R$ 16,3 milhões na conta bancária — um aumento de R$ 5,1 milhões.
Confira o Top 10 do arrocha (de acordo com o número de contratações):
- Toque Dez - 41 shows (R$ 16,3 milhões)
- Netto Brito - 33 shows (R$ 8,5 milhões)
- Devinho Novaes - 28 shows (R$ 8,2 milhões)
- Tayrone - 24 shows (R$ 8,6 milhões)
- Thiago Aquino 23 shows (R$ 7,4 milhões)
- Pablo - 16 shows (R$ 11,1 milhões)
- Unha Pintada - 13 shows (R$ 4,7 milhões)
- Nadson O Ferinha - 12 shows (R$ 3,6 milhões)
- Silfarley - 12 shows (R$ 2,2 milhões)
- Kevi Jonny - 11 shows (R$ 2,4 milhões)
Total: R$ 73,4 milhões
Somando os valores totais das contratações de arrocha e sertanejo, o resultado é de R$ 93,2 milhões.
Recomendação do MP-BA
O MP-BA tem encaminhado recomendações aos municípios para que eles adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela instituição e Tribunais de Contas (TCM e TCE).
O órgão pede que as contratações tomem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com o objetivo de “evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos”.
“Nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil”, afirmou a entidade.
Já foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações de Flávio José, pelo valor de R$ 350 mil, um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado.
A economia já é superior a R$ 21 milhões aos cofres públicos. As reduções negociadas impactam diretamente 620 contratos em mais de 200 municípios baianos.
Flávio José recusou propostas do MP-BA
O cantor Flávio José deixou a Bahia de fora da sua programação do São João de 2026. O artista divulgou, na terça-feira, 9, a agenda oficial de apresentações. Ele confirmou 14 shows ao longo do mês de junho, todos em outros estados do Nordeste.
A agenda de Flávio sem a Bahia foi divulgada após uma reunião do cantor com MP-BA, que chegou ao fim sem nenhum acordo entre as partes presentes.
O encontro aconteceu na última segunda-feira, 8, e o objetivo era chegar a um consenso a respeito do cachê do artista.
Ao portal A TARDE, a promotora do MP-BA, Rita Tourinho, contou que o cantor não aceitou nenhum tipo de negociação e “não aceita reduzir nenhum real do contrato dele”.
“Isso coloca o Ministério Público em uma situação complexa, porque nós já fechamos acordo com diversos artistas que também são consagrados, como Adelmário Coelho, que é a nossa prata da casa e tem acordo com o MP-BA. Amado Batista, Elba Ramalho e Alceu Valença também. Os empresários deles sinalizaram que estão de acordo”, revelou.
Vias de diálogo esgotadas
Segundo Tourinho, o próprio representante de Flávio apresentou sugestões e o cantor não aceitou. “Nós sentimos muito. Sabemos a importância de Flávio José. E não houve nenhuma medida judicial envolvendo Flávio, mas ele entende que não vai tocar na Bahia em função disso. Nós fizemos todos os esforços que podíamos fazer”, afirmou.
O Ministério Público esgotou todas as vias de diálogo, mas ele, infelizmente, não abriu para nenhum tipo de diálogo.
Rita Tourinho - promotora do MP-BA
Shows de Flávio em 2026
No Painel da Transparência dos Festejos Juninos constavam dois shows de Flávio, um em Dias d'Ávila em 26 de junho, e outro em Senhor do Bonfim, no dia 23. O cachê dos dois são no valor de R$ 350 mil. No entanto, as apresentações do artista não aparecem mais no Painel.
Flávio José também tinha shows agendados em Lauro de Freitas, Aracaju, Salvador, entre outras cidades, em junho.
Faturamento de Flávio em 2025
Em 2025, o forrozeiro se apresentou em 14 cidades e faturou R$ 3,7 milhões. Ele recebeu R$ 500 mil em Mata de São João e R$ 250 mil em cada um dos outros 13 municípios.
Del Feliz detona debate sobre cachês e defende Flávio José
O cantor Del Feliz não poupou esforços para criticar o debate acerca dos cachês no São João da Bahia. Até o momento, quase 50 atrações firmaram acordo com o MP-BA para reduzir valores de contratos e, assim, se encaixar em normas estabelecidas pelo órgão.
“Isso não resolve nada. Isso e nada é a mesma coisa, com todo o respeito. Eu não tenho direito de dizer que o cachê de fulano é R$ 8 mil, R$ 1 milhão, R$ 2 milhões. Eu não tenho esse direito. Isso não resolve o problema, não é justo, não é constitucional. Agora, R$ 700 mil é muito dinheiro? Sim. Eu ainda acho que é um cachê muito alto, mas cabe aos prefeitos o bom senso”, pontuou.
Na Bahia, contratos com valor acima de R$ 700 mil entrarão em uma faixa de atenção especial, segundo o MP-BA.
As declarações de Del aconteceram em entrevista concedida à imprensa na noite de quarta-feira, 10, durante o lançamento oficial do São João da Bahia de 2026.
“É preciso respeitar Flávio José”
O forrozeiro aproveitou para sair em defesa do colega Flávio José. “Essa iniciativa deveria partir de quem se predisponha a dizer que vai ajudar a festa. Esse seria o passo para uma festa mais autêntica. Flávio José com um cachê de R$ 350 mil é muito mais compreensível do que qualquer outra atração que não tem nada a ver com o São João que recebe R$ 1 milhão e continua vindo para cá”, afirmou.
Continuam vindo atrações de R$ 1,5 milhão, de R$ 900 mil e R$ 800 mil. Esse não é o ponto. Primeiro, é preciso respeitar Flávio José e respeitar a tradição.
Del Feliz - cantor
Além disso, Del Feliz ressaltou que o discurso de que a festa precisa dos nomes que estão na mídia para atrair o público “é uma vergonha”.
“A pessoa deveria ter vergonha de falar isso. Ninguém sai de outro estado, ninguém sai de uma cidade distante e vem pra cá, para o São João do Nordeste, para assistir um show de arrocha e sertanejo, com todo respeito”, opinou.
O artista finalizou dizendo que as pessoas já têm “milhares de opções para assistir a shows de sertanejo, de arrocha e pagode. Eu nem estou sendo radical dizendo que eles não deveriam estar na nossa festa. Agora, as pessoas que organizam essa festa deveriam ter esse respeito com a nossa essência”.