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Tosse seca ou carregada no São João? Entenda perigo real da fumaça

Pneumologista revela qual fumaça de São João é mais tóxica

Bianca Carneiro
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Tosse após a fogueira de São João? Pneumologista revela o sinal de que você precisa ir à emergência
Tosse após a fogueira de São João? Pneumologista revela o sinal de que você precisa ir à emergência - Foto: Ilustrativa | Freepik

A tradição das fogueiras e dos fogos de artifício é a marca registrada do São João, mas a fumaça constante no ar pode transformar as festas em um desafio para a saúde respiratória. Mesmo quem não tem histórico de asma ou bronquite pode sofrer com o clima das celebrações juninas.

Para entender os impactos dessa exposição e saber como proteger a família, conversamos com o Dr. João Salge, pneumologista do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia. Confira os alertas e orientações do especialista:

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O impacto imediato da fumaça no corpo

O primeiro contato prolongado com a fumaça das fogueiras já é suficiente para desencadear reações no organismo. Segundo o Dr. Salge, "a exposição a uma carga grande de fumaça pode provocar sintomas irritativos das mucosas, como sensação de olho seco, ardência nasal e na garganta, tosse seca, chiado e até desconforto respiratório".

Ele explica que a gravidade varia de pessoa para pessoa: "A intensidade dos sintomas depende da quantidade e tempo de exposição e também da susceptibilidade individual. Pessoas com problemas respiratórios prévios tendem a sofrer mais. Importante frisar que estes efeitos são mais intensos no caso da queima de biomassa ocorrer em locais fechados, onde há menor dispersão dos poluentes". Em casos de inalação em grande quantidade, o médico alerta que "pode sim haver sensação de tontura, dor de cabeça e náuseas", indicando um quadro de intoxicação.

Fumaça de madeira x Fumaça de fogos coloridos

Existe diferença no ar que respiramos quando a fumaça vem da fogueira ou da pólvora dos fogos? O pneumologista detalha que "os efeitos principais da queima de biomassa sobre o sistema respiratório advêm de material particulado de carvão e gases voláteis, também oriundos da combustão".

Já em relação aos fogos, o risco se mistura com a química: "No caso da adição de agentes químicos (tintas, compostos aromáticos) no material, visando produzir fumaça colorida ou efeitos de fogos de artifício, pode ocorrer também a irritabilidade química decorrente da presença destes agentes, em tese com potencial de amplificar os sintomas, sobretudo em indivíduos susceptíveis". A boa notícia, segundo ele, é que "este tipo de artefato habitualmente é utilizado em ambientes abertos, o que favorece a dispersão, sendo este um atenuante para os eventuais efeitos nocivos".

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Como proteger a casa (e o mito do umidificador)

Para quem mora em ruas e bairros onde as fogueiras são tradição, manter o ar de casa limpo é um desafio. O especialista confirma que "a utilização de janelas fechadas funcionaria sim como proteção para minimizar a contaminação no ambiente ‘indoor’".

Mas será que aparelhos ajudam? "Sabemos que o ar muito seco tende a piorar a situação das vias aéreas expostas a estas fumaças tóxicas, porém não há comprovação de benefício com o uso de umidificadores ou purificadores de ar (não há estudos robustos disponíveis, o que não quer dizer que não funcionem, mas faltam evidências mostrando efetividade)".

A principal recomendação médica é evitar os locais mais poluídos, fugir dos horários sem vento e se hidratar bastante, "ingerindo água e fazendo lavagem nasal com solução fisiológica".

Sinais de alerta para asmáticos

Pacientes com doenças pré-existentes precisam redobrar os cuidados. O Dr. Salge orienta que os sinais de que uma crise está se tornando grave "são falta de ar (fôlego curto, intolerância a esforços que normalmente a pessoa costuma realizar sem desconforto), chiado no peito e tosse, que pode ser seca ou produtiva (com expectoração)".

"Estes sintomas podem ocorrer em episódios (“surtos”) com períodos de melhora entre eles (com uso de medicação ou até espontaneamente)", pontua o médico. A ida à emergência se torna obrigatória "se houver sintomas relacionados à infecção (febre ou expectoração amarelada ou esverdeada)", destaca.

A "tosse carregada" do dia seguinte

Passaram as festas, mas a tosse continuou? O pneumologista explica que a tosse carregada "indica que houve uma irritação dos brônquios, que ficam inflamados e passam a produzir mais muco (catarro)".

O limite entre uma reação natural e uma urgência médica está na duração e nos sintomas associados: "Se estes sintomas forem agravados por falta de ar, canseira, febre, expectoração amarelada ou esverdeada, ou se a duração for mais prolongada (persistentes por mais de 24-48h), merecem atenção".

"Deve-se destacar a maior preocupação da ocorrência destes sintomas em indivíduos que já sejam portadores de problemas respiratórios previamente, como asma, bronquite crônica, enfisema pulmonar, nos quais as consequências podem ser mais severas", finaliza o especialista.

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