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Cérebro descansado sem nunca mais dormir? Saiba a descoberta dos cientistas

Estudo reproduziu em camundongos mecanismos do sono profundo

Iarla Queiroz
Por
| Atualizada em
Pesquisa identificou padrões cerebrais que reduziram sinais de fadiga
Pesquisa identificou padrões cerebrais que reduziram sinais de fadiga - Foto: Reprodução / Freepick

O sono continua sendo fundamental para a saúde, mas uma descoberta feita por pesquisadores dos Estados Unidos pode mudar a forma como a ciência entende os mecanismos de recuperação do cérebro. Um estudo publicado nesta segunda-feira, 08, na revista científica Nature Neuroscience mostrou que determinadas regiões cerebrais conseguiram apresentar sinais de descanso mesmo sem que os animais entrassem em sono completo.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison e utilizou camundongos para investigar como o cérebro reage após longos períodos acordado. Os resultados indicaram que parte dos benefícios normalmente associados ao sono profundo pode ocorrer de forma localizada em áreas específicas do cérebro.

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O que os pesquisadores descobriram?

Durante o sono profundo, os neurônios alternam períodos de intensa atividade com breves pausas. Esse comportamento é considerado essencial para a reorganização das conexões cerebrais, além de desempenhar papel importante na consolidação das memórias e no processamento das informações acumuladas ao longo do dia.

Para entender melhor esse fenômeno, os cientistas mantiveram os camundongos acordados por cinco horas consecutivas. Em seguida, aplicaram uma técnica conhecida como optogenética para estimular neurônios em regiões específicas do córtex cerebral.

A intervenção conseguiu reproduzir padrões muito semelhantes aos observados durante o sono profundo, mesmo sem que os animais adormecessem.

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Menos sinais de fadiga

Após o experimento, a equipe analisou a atividade cerebral dos camundongos e observou que as áreas estimuladas apresentavam uma menor necessidade de recuperação durante o período de sono posterior.

Na prática, essas regiões pareciam ter recebido parte dos efeitos restauradores normalmente proporcionados pelo descanso.

Segundo os pesquisadores, a descoberta sugere que alguns mecanismos ligados à recuperação cerebral podem depender mais da forma como os neurônios se comportam do que necessariamente do estado completo de sono.

Efeitos também apareceram na memória

Os cientistas também avaliaram o impacto da técnica na capacidade de aprendizagem dos animais.

Os camundongos passaram por uma atividade de memorização e, posteriormente, foram divididos em grupos. Enquanto alguns puderam dormir normalmente, outros permaneceram acordados. Parte dos animais privados de sono recebeu a estimulação cerebral que imitava os padrões do sono profundo.

No dia seguinte, os pesquisadores constataram que os animais que ficaram sem dormir tiveram desempenho inferior na tarefa. Já aqueles que receberam a estimulação apresentaram resultados semelhantes aos dos camundongos que conseguiram descansar.

Para a equipe responsável pelo estudo, isso reforça a hipótese de que determinados benefícios do sono podem ocorrer de maneira localizada em circuitos específicos do cérebro.

Descoberta ainda está longe de substituir o sono

Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que a pesquisa foi realizada exclusivamente em camundongos e utilizou um método invasivo, baseado em alterações genéticas e estímulos por luz.

O próximo desafio será investigar se tecnologias menos invasivas poderão reproduzir efeitos semelhantes em seres humanos.

Por enquanto, os pesquisadores reforçam que a conclusão permanece a mesma: dormir continua sendo indispensável. No entanto, compreender com mais profundidade como o cérebro se recupera pode abrir novas possibilidades para o tratamento de problemas relacionados ao sono, à memória e ao funcionamento cerebral.

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