SAÚDE
Erro na geladeira pode contaminar alimentos sem você perceber
Organização e temperatura influenciam na segurança dos alimentos


A organização da geladeira vai além da praticidade. Armazenar alimentos no lugar errado, manter a temperatura inadequada ou misturar produtos crus e prontos para consumo pode favorecer a proliferação de bactérias e aumentar o risco de contaminação alimentar, alertam especialistas.
Manter a geladeira ligada não garante, por si só, que os alimentos estejam protegidos. Segundo a nutricionista Ana Clara Cruz, ao Correio Braziliense, a conservação depende também da temperatura interna, da organização dos produtos e de alguns cuidados simples no armazenamento.
De acordo com a especialista, a geladeira deve operar entre 0°C e 5°C, sendo 4°C ou menos a faixa considerada mais segura para reduzir a multiplicação de bactérias causadoras de doenças transmitidas por alimentos.
"A refrigeração não elimina os microrganismos, mas reduz significativamente sua velocidade de crescimento", explica.
A orientação segue recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de órgãos internacionais como a Food and Drug Administration (FDA) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Cada prateleira tem uma função
A disposição dos alimentos dentro da geladeira também interfere na segurança alimentar.
Segundo Ana Clara, alimentos prontos para consumo devem ficar nas prateleiras superiores. Já carnes, peixes e aves crus precisam ser armazenados na parte inferior, sempre em recipientes bem fechados.
Leia Também:
"O objetivo é evitar que líquidos das carnes escorram sobre alimentos que serão consumidos sem novo preparo."
As gavetas são o local mais indicado para frutas, verduras e legumes, pois ajudam a preservar a umidade desses alimentos.
Já a porta deve ser reservada para bebidas, molhos e condimentos, uma vez que sofre maior variação de temperatura devido às constantes aberturas.
Ovos e leite na porta? Especialista faz alerta
Um hábito bastante comum nas casas brasileiras pode comprometer a conservação dos alimentos.
Segundo a nutricionista, ovos e leite não devem ser armazenados na porta da geladeira. Como essa é a região que mais sofre oscilações de temperatura, alimentos mais sensíveis podem perder qualidade e ficar mais suscetíveis ao crescimento de microrganismos.
O ideal é mantê-los nas prateleiras internas, onde a temperatura permanece mais estável.
Nem tudo pode ficar muitos dias na geladeira
A refrigeração prolonga a conservação dos alimentos, mas não impede que eles estraguem. Carnes frescas, peixes, frutos do mar, carne moída, leite após aberto e refeições prontas continuam sendo produtos altamente perecíveis e devem ser consumidos em poucos dias.
Já alimentos como manteiga, queijos curados, ovos e conservas costumam apresentar maior durabilidade quando armazenados corretamente e dentro do prazo de validade.
Segundo Ana Clara, mesmo alimentos com aparência normal podem apresentar riscos quando permanecem refrigerados por tempo superior ao recomendado.
Excesso de alimentos também prejudica
Outro erro frequente é encher a geladeira além da capacidade. Quando há muitos produtos armazenados, o ar frio circula com dificuldade, criando áreas com temperaturas diferentes. Isso reduz a eficiência da refrigeração e favorece a multiplicação de microrganismos.
Também é importante evitar guardar preparações em recipientes abertos, pois elas ficam mais expostas à contaminação e podem transferir odores para outros alimentos.
"A organização adequada ajuda a manter a temperatura uniforme e reduz significativamente o risco de contaminação cruzada", reforça a nutricionista.
Pequenas mudanças aumentam a segurança
Ajustar a temperatura, separar alimentos crus dos prontos para consumo, utilizar recipientes fechados e respeitar a função de cada espaço da geladeira são medidas simples que ajudam a conservar melhor os alimentos e reduzem o risco de doenças causadas por contaminação.


