SAÚDE
Na contramão global, Brasil registra alta de 22% em casos de HIV
Outros países tiveram queda, totalizando média de 43%


O Brasil registrou um aumento no número de 22% nos novos casos de HIV desde 2010, segundo Relatório Global do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), lançado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro. Os dados seguem a contramão global, que registrou uma queda de 43% no mesmo período, exceto em 21 países.
Desde o início da epidemia do vírus, o Brasil é considerado referência internacional pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS), no quesito prevenção e tratamento.
No entanto, de acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, com divulgação em 2024, foram contabilizados 39,2 mil novos casos de HIV. O número equivale a uma alta de 21,9% em relação a 2014.
A estimativa é que quase 1,7 milhão de brasileiros vivam com o vírus atualmente. O total de pessoas infectadas sobe em recortes populacionais específicos, como homens gays, transgêneros e trabalhadores do sexo.
Leia Também:
O que explica o aumento?
Até 2013, o país não exigia o registro compulsório de novos casos de infecção por HIV, somente de Aids. No entanto, a partir de 2014, a notificação de infecção pelo vírus passou a ser obrigatória.
A alta acontece, mesmo diante de recentes conquistas brasileiras como a certificação pela eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho) e ampliação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).
Durante o evento, especialistas e lideranças do setor apontaram que a alta de casos é resultado da combinação de fatores sociais, econômicos e estruturais como:
- Fim das grandes campanhas de conscientização;
- persistência do estigma e discriminação em algumas populações;
- desigualdades no acesso à PrEP;
- cortes de financiamento;
- ilusão do fim da ameaça entre os mais jovens.
Dados mundiais
Em 2010, o mundo tinha cerca de 2,1 milhões de novas infecções por ano. Em 2025, o indicador recuou para 1,2 milhão, marca mais baixa registrada em três décadas.
Em toda a América Latina, o aumento do número de novos casos chegou a 25% entre 2010 e 2025, segundo o novo relatório.


