Homens com mais de 70 anos e pessoas já doentes são principais vítimas do coronavírus

Publicado sábado, 29 de fevereiro de 2020 às 13:52 h | Atualizado em 29/02/2020, 14:00 | Autor: Marlowe HOOD e Amélie BAUBEAU | AFP

Os idosos ou aqueles que já sofrem de doenças como diabetes, asma ou hipertensão são os mais vulneráveis à nova epidemia de coronavírus, que também matou mais homens do que mulheres. Desde seu surgimento na China, em dezembro, essa infecção respiratória infectou mais de 85.000 pessoas em mais de 50 países, dos quais 2.800 morreram.

Na maioria dos casos, os sintomas são banais e moderados, como tosse, febre e cansaço, mas os pacientes mais graves podem ter problemas respiratórios agudos, sofrer insuficiências renais graves e registrar falhas em vários órgãos, o que pode levar à morte.

A taxa média de mortalidade permanece pequena, entre 1 e 3%, uma porcentagem maior que a gripe sazonal (0,1%), mas menor do que as epidemias anteriores relacionadas a um coronavírus muito mais virulento: 34,5% no caso da Mers (Síndrome Respiratória no Oriente Médio) ou 9,6% no caso da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), cujo vírus é 80% semelhante ao novo coronavírus.

Alguns segmentos da população estão em maior risco, de acordo com os dados disponíveis. A análise mais completa até agora, publicada em 17 de fevereiro pelas autoridades chinesas e mais tarde no dia 24, pela revista médica americana Jama, também mostra que a taxa de mortalidade aumenta com a idade.

Até agora, não houve mortos com menos de 10 anos de idade. Até 39 anos, a taxa de mortalidade é muito baixa, 0,2%, e chega a 0,4% em pessoas acima de 40 anos. Chega a 1,3% em pacientes entre 50 e 69 anos e é de 8% naqueles que têm mais de 70 anos. No caso dos infectados com mais de 80 anos, a taxa sobe para 14,8%.

Fora da China, também existem muitos idosos entre as vítimas. Na Itália, o país mais afetado da Europa, pelo menos seis pessoas nas primeiras 14 mortes tinham cerca de 80 anos de idade.

Crianças preservadas

A ausência de vítimas entre os mais novos deixa os especialistas perplexos, pois bebês e crianças tendem a ser mais vulneráveis a esse tipo de doenças infecciosas.

"É surpreendente porque, quando analisamos todas as outras infecções respiratórias, bacterianas ou virais, sempre temos muitos casos graves entre idosos e também entre os mais jovens, especialmente entre menores de cinco anos", disse Cécile Viboud, epidemiologista em Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

"Tem ver se não há uma forma de proteção pela recente epidemia sazonal de coronavírus", que causa resfriados, diz John M. Nicholls, professor de patologia da Universidade de Hong Kong.

Uma segunda hipótese é que o sistema imunológico das crianças foi projetado para "não reagir exageradamente a novos agentes infecciosos".

Outra característica importante do COVID-19 (o nome da doença causada pelo vírus) é que os homens morrem mais que as mulheres. Até agora, 63,8% das mortes são do sexo masculino.

O fator agravante do tabaco

Segundo Viboud, o fato de haver mais homens morrendo devido ao coronavírus poderia ser explicado "pelo menos em parte" pelo fato de que os homens, em geral, fumam mais que as mulheres e o tabaco aumenta o risco de morte. No entanto, é preciso ver diferenças de comportamento ou resposta imune.

Outros fatores de risco, de acordo com estudos chineses, seriam o fato de sofrer uma doença crônica. Assim, a mortalidade é de 6,3% entre os pacientes com doenças respiratórias, 10,5% entre os com doença cardiovascular e 7,3% entre os diabéticos. Pessoas com câncer e hipertensão também são mais afetadas.

Fora da China, esses parâmetros se repetem. Por exemplo, entre as primeiras 14 vítimas fatais da Itália, uma estava em tratamento contra o câncer, outra havia sofrido um ataque cardíaco dias antes, outra apresentava doença cardíaca e duas já estavam doentes com um prognóstico grave antes de contrair o vírus.

Outro dado significativo é que os profissionais de saúde chineses que morreram eram todos muito jovens.

Segundo David N. Fisman, epidemiologista da Universidade de Toronto, eles estavam sem dúvida mais em contato com os doentes do que os médicos ou enfermeiros mais velhos.

Eles também podem ter pecado pela "inexperiência", cuidando dos pacientes sem usar adequadamente equipamentos de proteção em um momento em que os hospitais chineses estavam sobrecarregados.

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