SAÚDE
Insônia em mulheres: saiba por que problema aumenta na menopausa
Dos 45 aos 54 anos estão 39,7% dos casos, segundo dados do Ministério da Saúde


Problema cada vez mais comum na vida das pessoas, a insônia atinge cerca de 31,7% dos adultos, segundo dados do Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde. Entre as mulheres, os números chegam a 36,2%, contra 26,2% dos homens.
A razão se dá devido a questões que passam do estilo de vida a, principalmente, fatores hormonais como exemplo da menstruação, gravidez e amamentação, segundo explica a neurologista e médica do sono Andrea Bacelar, ao portal A TARDE.
"Esses hormônios sexuais instáveis interferem diretamente no sono. A mulher tem jornadas de trabalho diferentes, ela vai para o mercado de trabalho, mas ela chega a casa e ela tem demanda doméstica, vai cuidar do filho. A mulher também tem mais transtornos de ansiedade", exemplificou.
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Problema se agrava na menopausa
A relação entre sono e saúde da mulher ganha relevância especialmente durante a menopausa, pois dos 45 aos 54 anos estão 39,7% dos casos. A situação ocorre pois, durante o período, há alterações hormonais, sintomas vasomotores, mudanças de humor e outras condições físicas e psicológicas que podem contribuir para o surgimento ou agravamento desse tipo de problema.
No período ocorre o chamado climatério, fase de transição biológica em que a mulher passa da fase reprodutiva para a não reprodutiva, causada pela diminuição gradual dos hormônios ovarianos.
Desta forma, são comuns sitomas como ganho de peso, alterações urinárias, fogachos e fog mental, causando alterações na memória, concentração, foco, velocidade do raciocínio e tabém dificuldade para dormir, pois há mais despertares noturnos, diminuição da eficiência do sono, diminuição da quantidade de sono profundo e com isso mais queixas de insônia.
"Essa transição hormonal e essa alteração lá no sistema nervoso central das regiões termorreguladoras acabam gerando esse aumento de temperatura corporal e essa fragmentação do sono. Também gera-se o impacto cerebral com alteração de neurotransmissores que promovem e que mantêm sono. Isso gera essa descontinuidade, essa eficiência do sono comprometida nesse período", disse a neurologista.
Desta forma, a avaliação médica deve considerar as diferentes causas da insônia e as características individuais de cada paciente.
Hábitos diários podem piorar os sintomas
Não apenas na menopausa, mas em qualquer faixa etária, alguns hábitos podem prejudicar a manutenção do sono como:
- Não regularidade no horário de levantar e de deitar;
- Estender o tempo na cama;
- Não tomar sol;
- não fazer exercício físico;
- ter alimentação e horários alimentares irregulares;
- fazer a maior refeição à noite próximo à hora de dormir;
- abusar de cafeínas ou estimulantes à noite;
- abuso de telas.
Tratamentos
Segundo Andrea Bacelar, é necessário buscar ajuda médica quando as queixas estão fugindo do controle e um dos sinais mais evidentes é despertar e ainda se sentir cansada.
Terapia Cognitivo-Comportamental
O manejo da insônia deve ser individualizado e seguir uma abordagem escalonada. Exite a possibilidade de tratamento medicamentoso, no entanto, as diretrizes clínicas recomendam a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) como tratamento de primeira linha, por reunir estratégias voltadas à mudança de hábitos, comportamentos e fatores que contribuem para a manutenção do problema.
A TCC-I consiste em uma terapia breve, focal, diretiva e estruturada, onde o paciente tem papel ativo e é corresponsável pelo tratamento.
"A terapia não é só recomendação de técnicas para dormir bem e de mudanças de hábitos. Ela também define algumas técnicas, alguns outros tipos de relaxamento, algumas desconstruções de crenças, mudanças cognitivas e não apenas comportamentais, restrições de tempo na cama, controles de estímulos negativos...", citou a neurologista.
Drogas Z
Em situações específicas, o tratamento pode incluir o uso criterioso de medicamentos, sempre considerando o histórico e as características de cada paciente. Neste ponto entram as chamadas "drogas Z", medicamentos controlados utilizados no tratamento de curto prazo da insônia para ajudar o paciente a dormir mais rápido. Elas são medicações potentes, com ação rápida e, por vezes, tempo de ação curto.
"Os próprios pacientes preferem um tratamento medicamentoso, que lhe coloque para dormir imediatamente ou que lhe desperte e lhe prepare para o dia. Mas a gente sabe que essa não é a melhor maneira. A melhor maneira é mudança de hábito, mudança de comportamento e também mudanças cognitivas", pontuou.
Segundo diretriz da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), em 2025, é preciso ter cuidado como manejo das substâncias, devido ao risco de dependência e outras questões ligadas ao uso prolongado.
"Precisa que o médico esteja acompanhando para prescrever, para diminuir a dose, para fazer o desmame, para tomar um tempo adequado. Tomar por conta própria está indo totalmente contra esse raciocínio científico e lógico de uma medicação, até porque existem vários tipos de insônia e existem vários fármacos que vão tratar a insônia e a sociedade".
Nesse contexto, a retirada das drogas Z deve ser conduzida de maneira gradual e com acompanhamento profissional, especialmente em casos de uso prolongado. O consenso recente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), publicado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, reforça a importância de estratégias de redução gradual (desmame) e do uso criterioso desses medicamentos.
Como começar a dormir melhor?
A especialista afirma que, antes de qualquer tipo de tratamento, o primeiro passo para dormir melhor é fazer uma espécie de diário do sono durante uma semana, considerando fatores como:
- Horário de deitar;
- Tempo demorado para dormir;
- Se dá despertar na madrugada e quanto tempo dura;
- Horário em que o despertador toca;
- Que horas levanta da cama;
- Média considerada tempo de sono.
Além disso, é preciso avaliar as mudanças de rotina durante o período.
"Um dia eu deito muito mais tarde, outro dia eu fico até mais tarde na cama, outro dia eu tomo cafeína próximo à hora de dormir [...] se eu evitar tela durante a noite eu melhoro meu sono eu resolvo esse problema? Eu estou exausto? Não estou rendendo? Eu estou cometendo falhas durante o dia?", questionou a médica.
Durante a menopausa, a maior recomendação é buscar primeiro o ginecologista, para estudar a dosagem dos hormônios e possibilidade de reposição.
Se o problema persistir, deve-se avaliar questões emocionais ou outros fatores como diabetes, hipertensão, doença imunológica, síndrome dolorosa, uso de remédio, etc.
"Um especialista em medicina do sono é essencial para tratar o mal pela raiz, para começar rapidamente a resolver esse problema e não perpetuar a insônia", finalizou.


