SAÚDE
Lito Sousa deve participar de estudo experimental em Harvard
Ministério da Saúde acionou Harvard após diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob


Uma tentativa de encontrar tratamento experimental para Lito Sousa mobilizou o governo brasileiro nesta semana. Diagnosticado com doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), o influenciador teve a inclusão em um estudo clínico de Harvard solicitada formalmente pelo Ministério da Saúde.
O pedido foi confirmado nesta terça-feira, 25, pelo ministro Alexandre Padilha. Segundo ele, a pasta mantém contato com familiares de Lito e pesquisadores internacionais desde o fim de semana e vem levantando centros que desenvolvem pesquisas sobre a doença.
“Apoiamos a busca de centros de pesquisa e estudos sobre a doença, assim como formalizamos a solicitação da inclusão de Lito na fase inicial dos testes do único estudo clínico ativo identificado até o momento, em Harvard”, afirmou Padilha.
A mobilização ocorre diante da ausência de um tratamento específico para a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Pedido também chegou a outros países
O caso de Lito também levou o Itamaraty a procurar alternativas fora dos Estados Unidos. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as embaixadas brasileiras em países que possuem ensaios clínicos relacionados à DCJ foram acionadas.
A intenção é verificar a existência de pesquisas experimentais e tentar viabilizar a participação do influenciador nos estudos disponíveis.
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Enquanto isso, o Broad Institute, centro de pesquisa localizado em Cambridge, Massachusetts, informou nesta terça que está em contato com a equipe de Lito. A instituição disse que pretende ajudar a avaliar as opções existentes após receber mensagens sobre o caso.
O instituto é resultado de uma parceria entre Harvard, MIT, hospitais ligados à universidade e outras instituições acadêmicas, além de empresas.
Família busca alternativa após negativa para medicamento
Antes da mobilização do governo, a família já tentava encontrar uma vaga em pesquisas experimentais. Mila Seidl, mulher de Lito, afirmou nesta terça-feira que ainda não havia conseguido uma oportunidade para o marido participar de estudos.
Uma das possibilidades consideradas era uma pesquisa da Ionis Pharmaceuticals com o medicamento experimental ION717. Segundo Mila, a empresa informou que o estudo não aceita novos participantes e que o medicamento não poderia ser disponibilizado para uso compassivo.
A família considerava o ION717 a “principal esperança de tratamento” para Lito.
Influenciador fez apelo a pesquisadores
No domingo, 23, Lito publicou um vídeo em que aparece hospitalizado e faz um apelo em inglês à Ionis, à Universidade de Harvard e à Mayo Clinic.
Na gravação, ele se coloca à disposição para participar como voluntário de pesquisas conduzidas pelas instituições. Foi a primeira aparição pública do influenciador desde que o diagnóstico veio a público.
A mobilização também envolve familiares, amigos e seguidores do criador do canal Aviões e Músicas. Segundo Mila, Lito passou a apresentar dificuldades para caminhar e perda de visão. O casal tem um filho de 7 anos.
Doença é rara e não tem tratamento específico
A DCJ é uma doença neurodegenerativa associada aos chamados príons, proteínas capazes de provocar alterações no sistema nervoso. Esses agentes apresentam grande resistência a diferentes processos físico-químicos.
Entre as manifestações da doença estão demência, alterações cerebrais, tremores e perda de habilidades motoras.
Atualmente, não existe tratamento específico capaz de combater a doença. Os cuidados médicos disponíveis são direcionados ao controle dos sintomas e aos cuidados paliativos.
É diante dessa ausência de tratamento que a família de Lito tenta conseguir acesso a pesquisas experimentais, enquanto órgãos do governo brasileiro procuram centros que possam avaliar o caso e as possibilidades de participação em estudos.


