Busca interna do iBahia
HOME > SAÚDE

SAÚDE

Pediatras alertam sobre uso de “canetas emagrecedoras” em crianças

Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda uso restrito a casos específicos

Isabela Cardoso
Por
Canetas emagrecedoras
Canetas emagrecedoras - Foto: Shutterstock

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” por crianças e adolescentes sem indicação médica preocupa a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Em nota, a entidade chama atenção para efeitos adversos e reforça que os medicamentos devem ser prescritos apenas em situações específicas, com acompanhamento profissional.

A recomendação foi divulgada pelo Departamento Científico de Endocrinologia da SBP e inclui orientações sobre indicações, contraindicações e riscos relacionados aos medicamentos conhecidos como incretínicos.

Tudo sobre Saúde em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Segundo a entidade, produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Anvisa, não devem ser utilizados.

Uso estético preocupa pediatras

A SBP afirma que adolescentes com peso adequado não devem utilizar esses medicamentos para mudar a aparência ou alcançar um determinado padrão corporal.

A preocupação aumenta diante da pressão estética nessa faixa etária. Segundo o presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da entidade, Crésio Alves, crianças e adolescentes estão em uma fase de desenvolvimento da identidade, autoestima e comportamento.

Por isso, antes de prescrever um medicamento, o pediatra deve investigar as razões que levaram o adolescente a querer emagrecer, quanto pretende perder, quem recomendou o tratamento e quais são as expectativas em relação ao resultado.

Leia Também:

MEDICINA E TECNOLOGIA

IA na medicina pode tornar atendimento mais humano, diz especialista
IA na medicina pode tornar atendimento mais humano, diz especialista imagem

ESTUDO

Evolução do cérebro humano pode explicar risco de autismo
Evolução do cérebro humano pode explicar risco de autismo imagem

APROVAÇÃO

Segundo genérico de semaglutida é aprovado pela Anvisa no Brasil
Segundo genérico de semaglutida é aprovado pela Anvisa no Brasil imagem

A entidade também desaconselha o uso para perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições, ou como forma de compensar alimentação inadequada e sedentarismo.

O uso com finalidade estética pode ainda contribuir para o surgimento ou agravamento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Ansiedade e sintomas depressivos relacionados à imagem corporal também aparecem entre as preocupações.

Quando esses medicamentos podem ser usados?

As chamadas “canetas emagrecedoras” são medicamentos com indicações específicas. De acordo com a SBP, até agosto de 2026, três incretinas tinham aprovação da Anvisa para utilização em determinadas faixas etárias pediátricas: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

Os medicamentos são aplicados por via subcutânea e atuam, entre outros mecanismos, aumentando a sensação de saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos e retardando o esvaziamento do estômago.

As indicações variam conforme o princípio ativo:

  • Liraglutida: pode ser utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos e da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos com peso superior a 60 kg.
  • Semaglutida: indicada para o tratamento da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos com peso superior a 60 kg.
  • Tirzepatida: indicada para diabetes tipo 2 em crianças a partir dos 10 anos, em situações específicas de intolerância, contraindicação ou resposta inadequada à metformina.

Mesmo quando o paciente apresenta obesidade ou diabetes, a prescrição não ocorre automaticamente.

A decisão deve considerar a resposta a tratamentos anteriores, a gravidade da doença, a existência de outras condições de saúde, os possíveis riscos, a possibilidade de acompanhamento e as expectativas do adolescente e da família.

Quais são os riscos?

Os efeitos colaterais mais frequentes dos medicamentos incretínicos são gastrointestinais. Náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação podem aparecer principalmente durante o período de aumento gradual das doses.

A SBP também chama atenção para a perda de massa muscular, que precisa ser acompanhada durante o tratamento.

Entre as complicações potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, condição caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar.

O uso inadequado também pode levar a desidratação e alterações nos níveis de eletrólitos. Em crianças e adolescentes, a entidade alerta ainda para possíveis impactos sobre crescimento e desenvolvimento.

Quando há intolerância aos medicamentos, o acompanhamento médico permite avaliar a necessidade de ajuste da conduta.

Por que a SBP quer mudar o nome?

A entidade recomenda que a expressão “canetas emagrecedoras” seja substituída por “medicamentos para tratar a obesidade”.

Para a SBP, a expressão popular concentra a atenção na perda de peso e pode passar a ideia de que os medicamentos são produtos destinados exclusivamente à redução de medidas.

A terminologia defendida pela entidade também reforça que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento busca melhorar a saúde e a qualidade de vida do paciente.

O uso da expressão relacionada ao emagrecimento pode ainda contribuir para a banalização desses medicamentos e reforçar o estigma enfrentado por pessoas com obesidade que precisam de tratamento farmacológico.

Quem não deve usar?

A nota também lista situações em que os medicamentos são contraindicados, entre elas hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação, gravidez e amamentação.

Histórico de pancreatite exige avaliação individualizada e é considerado uma contraindicação relativa.

A SBP reforça que a segurança observada nos estudos depende do uso dentro dos critérios avaliados e associado a mudanças no estilo de vida.

O alerta da entidade está direcionado principalmente ao que considera a banalização dos medicamentos, impulsionada também pela exposição nas redes sociais. A recomendação é que a indicação seja feita individualmente por profissionais capacitados, considerando as condições clínicas e o desenvolvimento de cada paciente.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

Obesidade pediatria Saúde

Relacionadas

Mais lidas