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ALERTA

Março Lilás: o perigo silencioso do câncer que mais cresce na Bahia

O número de casos do câncer de colo de útero cresceu significativamente no estado

Franciely Gomes

Por Franciely Gomes

24/03/2026 - 12:02 h

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O câncer de colo de útero é um dos mais nocivos para as mulheres
O câncer de colo de útero é um dos mais nocivos para as mulheres -

O mês de março traz uma reflexão importante sobre as taxas crescentes do câncer de colo de útero. Conhecida como uma doença silenciosa, ela é uma das que mais tem ocasionado a morte de mulheres na Bahia nos últimos anos, ocupando a sexta posição entre os tipos mais frequentes de câncer.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número estimado de novos casos da doença no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, deve chegar a marca de mais de 19 mil.

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Na Bahia, a estimativa é que sejam registrados 1.370 novos casos ao longo destes três anos, sendo 250 deles em Salvador, sua capital. No ranking, o estado ainda aparece acima de outros da região Sudeste, como São Paulo, e abaixo de locais com maior vulnerabilidade, como Maranhão e Amazonas.

Março Lilás

O câncer de colo de útero é uma das doenças mais perigosas
O câncer de colo de útero é uma das doenças mais perigosas | Foto: Divulgação

Ciente do alerta em torno do avanço no número de casos, o Governo Federal criou a campanha do Março Lilás, que acontece durante o mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.

A iniciativa visa realizar ações de conscientização dedicadas ao combate ao câncer de colo de útero, que é considerado o terceiro tipo de tumor maligno que mais afeta mulheres.

A campanha também conta com o objetivo de alertar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença, que pode ser feito através de exames ginecológicos preventivos, como o Papanicolau, que detecta alterações nas células do colo do útero.

Em entrevista e reportagem do portal A TARDE, a médica Marcella Salvadori, oncologista clínica especialista em tumores femininos da clínica AMO, destacou que o diagnóstico precoce pode aumentar as taxas de remissão da doença.

“Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero tem altíssimas taxas de cura. O diagnóstico das lesões precursoras garante praticamente 100% de chance de cura; no estágio inicial invasivo há 90% de sobrevida em 5 anos”, disse ela.

Perigo silencioso

Detectável através dos exames, o câncer de colo de útero é assintomático durante o estágio inicial, sendo considerado silencioso. O vírus do HPV (Papilomavírus Humano), responsável por 100% dos casos, permanece no corpo da mulher e vai causando lesões na região uterina ao longo do desenvolvimento da doença.

“As alterações muitas vezes são vistas somente ao exame colposcópio (exame ginecológico com o uso de lentes de aumento) e que demandam biópsia para o diagnóstico. Isso ocorre porque as lesões precursoras desenvolvem de forma localizada no epitélio cervical, sem comprometer estruturas mais profundas”, informou Marcella Salvadori.

A médica ainda listou os principais sintomas de alerta, que surgem apenas em estágio avançado. “Quando surgem sintomas, a doença costuma estar mais avançada, apresentando sangramento vaginal fora do período menstrual e após relação sexual, corrimento vaginal persistente (às vezes com odor), dor pélvica ou durante a relação e sintomas urinários”.

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Tratamento e prevenção

A visista regular ao ginecologista é importante
A visista regular ao ginecologista é importante | Foto: Ana Varjão | Divulgação

No estágio inicial, o câncer pode ser tratado com um procedimento cirúrgico, que retira parcialmente o colo do útero, ou o órgão de forma completa, em casos de alta periculosidade do tumor.

Já em estágios avançados, a indicação médica é o tratamento com quimioterapia e radioterapia, com a função de destruir ou inibir o crescimento de células cancerígenas que se espalharam pelo corpo da paciente.

Entretanto, a doença pode ser prevenida com algumas estratégias, como o uso de preservativos durante as relações sexuais, acompanhamento médico regular e a vacinação contra o HPV, que é gratuita pelo SUS para jovens de 9 a 19 anos.

“A vacina contra o HPV é altamente eficaz na prevenção das lesões precursoras e, consequentemente, do câncer. Existem evidências robustas de proteção de mais de 90% contra lesões de alto grau”, destacou a oncologista Marcella Salvadori.

“Países como a Austrália já caminham para quase eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública, graças à vacinação e rastreamento para diagnóstico precoce da doença”, reforçou.

Cobertura vacinal baixa em Salvador

Jovem sendo vacinada em Salvador
Jovem sendo vacinada em Salvador | Foto: Raphael Muller | Ag. A TARDE

Apesar da distribuição gratuita da vacina, Salvador não atingiu os números esperados para a imunização de crianças e adolescentes. Segundo dados do novo Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), a Bahia ficou abaixo da média de cobertura vacinal.

Estudos recentes indicam que o índice de vacinação em alguns bairros periféricos da capital baiana não chega a 70%. Para Marcella, esse número pode estar ligado a fatores socioeconômicos, reforçando que a campanha deve ser redobrada nessas regiões.

“Precisamos retomar as campanhas de vacinação nas escolas e ações de informação são importantíssimas. O câncer de colo do útero é uma doença altamente prevenível e curável quando diagnosticada precocemente”, disparou.

“No entanto, ainda persiste como um problema relevante de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões com menor acesso ao rastreamento e à vacinação. Estratégias como a ampliação da cobertura vacinal e o fortalecimento do diagnóstico precoce são fundamentais para mudar esse cenário”, concluiu.

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