AMPLIAÇÃO DE DIREITOS
Nova lei reconhece fibromialgia como deficiência; entenda o que muda
Regulamentação deve beneficiar cerca de seis milhões de brasileiros afetados pela doença

Cerca de seis milhões de brasileiros afetados pela fibromialgia, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, terão a partir de agora acesso a diversos direitos, já que a condição foi oficialmente reconhecida como uma deficiência. A nova Lei da Fibromialgia valida o impacto funcional da doença, uma condição muitas vezes invisível, caracterizada por dor crônica, fadiga, alterações de sono e dificuldades cognitivas.
Com a nova regulamentação, pacientes com comprometimento funcional comprovado passam a ter acesso a direitos que podem transformar sua rotina, como o uso de filas preferenciais e vagas de estacionamento reservadas.
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Gabriel Caetano, reumatologista e professor do curso de Medicina da UniCesumar, explica o impacto positivo da mudança:
“Do ponto de vista médico, o reconhecimento da fibromialgia como uma deficiência representa um avanço importante porque valoriza o impacto funcional real da doença. Socialmente, a regulamentação permite que pacientes que realmente apresentam comprometimento funcional relevante tenham acesso a direitos e serviços públicos, trazendo mais dignidade e reduzindo a vulnerabilidade dessas pessoas”
No entanto, o especialista reforça que, para além da lei, o paciente tem um papel ativo em seu tratamento, que inclui adesão à medicação, prática de atividade física supervisionada e cuidado com a saúde mental.
“A primeira recomendação é entender que o diagnóstico não marca um ponto final, mas o início de um processo de cuidado ativo. Os direitos passam a ter um papel importante não como instrumento de acomodação, mas como ferramentas para favorecer a recuperação funcional”, afirma o médico.
“Quando tratamento e direitos caminham juntos, o objetivo deixa de ser apenas conviver com a dor e passa a ser retomar funcionalidade, dignidade e protagonismo na própria vida", complementa Caetano.
Como obter a identificação e ter acesso aos benefícios
Como a fibromialgia é uma "deficiência oculta" – ou seja, não é facilmente perceptível – e não uma doença rara, o instrumento mais indicado é o Cordão de Girassol, que sinaliza a necessidade de suporte e atendimento prioritário, em vez da Carteira de Identificação da Pessoa com Doença Rara (CIPDR).
O documento central para a solicitação é um laudo médico detalhado, contendo o diagnóstico, a evolução do quadro e as repercussões funcionais da doença, além de documentos de identificação (RG e CPF), comprovante de residência e exames recentes que ajudem a contextualizar a condição do paciente.
Para obter o Cordão de Girassol, o paciente deve procurar um CRAS, UBS ou o órgão municipal responsável pela política da pessoa com deficiência. Enquanto isso, para ter acesso a benefícios previdenciários, como o BPC/LOAS, o caminho é o INSS.
Além disso, isenções fiscais e o direito a vagas de estacionamento devem ser pleiteados junto ao DETRAN e às secretarias da fazenda estaduais ou municipais.
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