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Peso volta até 4 vezes mais rápido após interrupção de 'canetas'

Pesquisa revela que usuários de Wegovy e Mounjaro recuperam cerca de 0,8 kg por mês ao suspender tratamento

Rodrigo Tardio
Por
| Atualizada em
Análise, que envolveu 37 estudos e mais de 9 mil pacientes, aponta um fenômeno de "efeito rebote" acelerado
Análise, que envolveu 37 estudos e mais de 9 mil pacientes, aponta um fenômeno de "efeito rebote" acelerado - Foto: Reprodução

Novos dados científicos lançam um alerta sobre a sustentabilidade do emagrecimento via medicamentos de última geração. De acordo com um levantamento publicado no British Medical Journal (BMJ), pacientes que interrompem o uso de injeções como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) tendem a recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que aqueles que apostam em dietas convencionais e exercícios físicos.

A análise, que envolveu 37 estudos e mais de 9 mil pacientes, aponta um fenômeno de "efeito rebote" acelerado. Enquanto usuários das injeções perdem até um quinto do peso corporal, a interrupção do tratamento gera um ganho médio de 0,8 kg por mês. Nesse ritmo, o paciente retorna ao peso original em apenas um ano e meio. Em contraste, quem opta por dietas tradicionais recupera o peso de forma mais lenta, cerca de 0,1 kg mensais.

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O "interruptor" da fome

A explicação para a rápida retomada do peso reside na biologia. Esses medicamentos imitam o hormônio GLP-1, que regula a saciedade no cérebro. Ao suspender as doses, o organismo sofre um choque metabólico. Relatos de pacientes descrevem a sensação como um "interruptor" que, ao ser desligado, ativa uma fome instantânea e avassaladora.

"Foi como se algo se abrisse na minha mente e dissesse: 'Coma tudo'", relatou uma das participantes dos estudos. Para Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, a forma como o fármaco atua no sistema nervoso central torna o abandono abrupto um desafio crítico para o paciente.

Barreira financeira e acesso

No Brasil, o tratamento esbarra no alto custo. A dose inicial do Mounjaro, comercializada nas farmácias desde maio de 2025, custa aproximadamente R$ 1.400 (caixa com quatro doses). Como os medicamentos ainda não estão disponíveis no SUS e as fabricantes reforçam que a obesidade é uma "doença crônica", o cenário sugere uma dependência financeira e medicamentosa de longo prazo.

A farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, defende que o tratamento deve ser contínuo, comparando-o ao manejo da hipertensão. No entanto, autoridades de saúde, como o NHS britânico, são mais cautelosas: o Wegovy possui um limite de prescrição de dois anos no sistema público daquele país, visando evitar o uso indiscriminado.

Cenário nacional

No final de 2025, a Anvisa ampliou a indicação do Wegovy para incluir o tratamento de gordura no fígado (esteato-hepatite), consolidando a droga no mercado nacional. Médicos reforçam, porém, que a "caneta" não é uma solução mágica isolada.

"O uso deve ser acompanhado de alimentação saudável e atividade física", afirma a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. Sem a mudança de hábito, o ponteiro da balança parece destinado a subir assim que a última dose termina.

Em nota, a Novo Nordisk, indústria farmacêutica dinamarquesa, diz que o Wegovy® (semaglutida injetável 2,4mg) é, de fato, indicado para o controle do peso, e é esperado que algum grau de reganho possa ocorrer em caso de descontinuação do medicamento.

Um estudo conduzido pela própria Novo Nordisk, publicado em 2022 a partir do ensaio clínico STEP 1, demonstrou que a interrupção do tratamento com semaglutida resultou no reganho de cerca de dois terços do peso perdido ao longo de 52 semanas.

Esses achados reforçam o caráter crônico da obesidade e sugerem que o tratamento contínuo é necessário para a manutenção das melhorias no peso e na saúde geral dos pacientes, de forma semelhante ao manejo de outras condições crônicas, como diabetes ou hipertensão.

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Tags

efeito rebote Emagrecimento medicamentos nutrição Obesidade sustentabilidade

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