TECNOLOGIA
Nasa lança telescópio que promete criar novo ‘Atlas do Universo’
Roman terá visão 100 vezes maior que a do Hubble e estudará matéria escura


A Nasa lançou neste domingo, 30, o telescópio espacial Roman, um observatório projetado para ampliar a visão dos cientistas sobre o Universo. O equipamento terá um campo de visão mais de 100 vezes maior que o Hubble e será usado para investigar fenômenos como a matéria e a energia escuras.
O lançamento ocorreu às 7h26 no horário local da Flórida (8h26 em Brasília), a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy. Depois de chegar ao espaço, o Roman seguirá para uma região localizada a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
A viagem até o ponto de observação deve durar cerca de 100 dias. De lá, o telescópio fará observações em grandes áreas do céu e deverá produzir um dos maiores catálogos de objetos astronômicos já reunidos.
Telescópio Roman terá visão ampla do espaço
O novo observatório foi desenvolvido durante mais de uma década e custou mais de US$ 4 bilhões. Seu nome homenageia Nancy Grace Roman, astrônoma americana considerada uma das responsáveis pela criação do programa espacial que levou ao desenvolvimento do Hubble.
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Apesar de também observar o Universo em infravermelho, o Roman terá uma função diferente dos telescópios que já estão em operação. Seu campo de visão permitirá analisar regiões muito maiores do céu de uma só vez.
A expectativa é que o equipamento trabalhe em conjunto com observatórios como o James Webb, o Rubin, no Chile, e a missão Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA).
O que o Roman vai procurar?
Entre os objetivos da missão está a identificação de milhares de exoplanetas e dezenas de milhares de supernovas, explosões associadas à morte de estrelas.
O telescópio também vai investigar a matéria escura e a energia escura, dois componentes cuja natureza ainda não é conhecida pelos cientistas. Juntas, elas são estimadas como responsáveis por cerca de 95% do Universo.
A matéria escura é associada à estrutura gravitacional que mantém galáxias e outros objetos unidos. Já a energia escura é relacionada à expansão acelerada do Universo.
Como o Roman poderá observar objetos cuja luz viajou durante bilhões de anos até chegar aos instrumentos, os pesquisadores esperam usar os dados para reconstruir diferentes períodos da história cósmica.
Novas observações podem desafiar modelos atuais
A missão também poderá ajudar a testar teorias usadas atualmente para explicar a evolução do Universo.
Segundo Julie McEnery, cientista-chefe do projeto Roman, observações recentes levantaram dúvidas sobre a capacidade dos modelos atuais de explicar completamente a expansão do Universo.
“Observações recentes indicam que nosso modelo padrão do universo está incorreto”, afirmou.
Para a cientista, os dados produzidos pelo telescópio poderão indicar se o modelo atual continua válido ou apontar caminhos para novas explicações.
Roman vai gerar 1,3 terabyte de dados por dia
O volume de informações produzido pela missão será outro desafio. A previsão é que o telescópio gere aproximadamente 1,3 terabyte de dados diariamente.
Segundo Dave Content, responsável técnico pelo Roman, a quantidade será tão grande que não poderá ser tratada como um conjunto convencional de arquivos baixados para computadores pessoais.
Os dados, no entanto, serão disponibilizados para cientistas e para o público. A expectativa da equipe é que, além de responder perguntas já conhecidas, o observatório encontre fenômenos que ainda não foram previstos.
“Espero, e na verdade considero isso como certo, que as descobertas científicas mais empolgantes do Roman serão uma surpresa”, afirmou Content.


