ALTA ESTAÇÃO
Como a temporada de cruzeiros pode mexer com comércio, hotelaria e trabalhos
Temporada 2026/27 começa em Salvador e deve levar 48 navios aos portos baianos até abril


A temporada de cruzeiros 2026/2027 começou nesta quarta-feira, 7, na Bahia com a chegada do primeiro navio ao Porto de Salvador. Até abril de 2027, a expectativa é que 48 embarcações levem mais de 179 mil turistas aos portos de Salvador e Ilhéus.
O número chama atenção não apenas pelo movimento no terminal marítimo. A passagem dos cruzeiristas também representa uma oportunidade para uma série de setores que ficam em terra, como restaurantes, comércio, transporte, hotelaria, turismo e serviços.
O primeiro navio da temporada foi o World Odyssey, da Star Ship, com cerca de 600 passageiros. Ao todo, estão previstas 46 atracações em Salvador e outras duas em Ilhéus.
Quanto dinheiro os cruzeiros movimentam na Bahia?
O impacto econômico da atividade já apareceu nos números da temporada passada. Entre 2025 e 2026, 230 mil cruzeiristas passaram pela Bahia, considerando Salvador, Ilhéus e operações em destinos como Porto Seguro, Itacaré e Barra Grande.
No período, a atividade injetou cerca de R$ 115 milhões na economia baiana, segundo dados divulgados pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA).
O dinheiro não fica restrito ao Porto de Salvador. Quando um passageiro desembarca, ele pode gastar com alimentação, transporte, compras, passeios turísticos e outros serviços antes de retornar ao navio.
É justamente esse efeito que transforma os cruzeiros em uma cadeia econômica que alcança diferentes pontos da cidade.

Restaurantes e comércio entram na rota dos turistas
Salvador é uma das principais portas de entrada dos cruzeiristas que chegam à Bahia. Depois do desembarque, muitos visitantes seguem para pontos turísticos, centros comerciais, restaurantes e outros estabelecimentos.
Na temporada passada, por exemplo, turistas estrangeiros relataram interesse em conhecer lugares como o Pelourinho, Farol da Barra, Mercado Modelo e outros cartões-postais da capital.
Com milhares de passageiros circulando ao longo dos meses, restaurantes, bares, lojas, vendedores, guias e empresas de receptivo passam a integrar essa rota de consumo.

Transporte também sente o impacto
Outro setor diretamente beneficiado é o transporte. Ônibus de turismo, táxis, motoristas por aplicativo e empresas especializadas em receptivo entram na operação para levar os passageiros aos destinos escolhidos durante a parada.
Durante a temporada 2025/2026, uma empresa de receptivo que atua com passageiros da MSC informou que utilizava entre 12 e 20 ônibus por semana para atender os cruzeiristas na Bahia.
Os roteiros oferecidos incluíam Salvador e destinos do Litoral Norte, mostrando como o impacto pode ultrapassar as áreas próximas ao porto.
Na prática, o turista que chega de navio pode movimentar uma cadeia que começa no terminal marítimo e segue por diferentes bairros e regiões turísticas da capital.
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E a hotelaria?
A hotelaria também pode ser beneficiada, principalmente nos casos em que o passageiro chega antes do embarque ou permanece na cidade depois do desembarque.
Além dos próprios cruzeiristas, a operação envolve tripulantes, equipes de apoio, prestadores de serviços e profissionais ligados ao turismo.
O movimento, portanto, não se resume às horas em que o navio permanece atracado. A presença de visitantes pode ampliar a demanda por hospedagem, alimentação, transporte e passeios turísticos em diferentes momentos da viagem.

Impacto dos cruzeiros vai muito além da Bahia
O efeito econômico da atividade também aparece nos números nacionais.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil), apontou que a temporada 2025/2026 movimentou R$ 4,76 bilhões na economia brasileira.
Desse total, R$ 2 bilhões vieram dos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e trânsito. Apenas a operação de cabotagem movimentou R$ 4,28 bilhões e esteve associada a 64.529 postos de trabalho.
Considerando também os navios internacionais em trânsito pelo país, o número de empregos associados à atividade chegou a cerca de 72 mil.
O estudo mostra ainda o efeito multiplicador do setor: na temporada passada, cada R$ 1 investido pelas companhias de cruzeiro movimentou R$ 3,89 na economia brasileira.
Quando é mais caro viajar?
Assim como acontece com outros tipos de viagem, períodos de maior procura costumam pesar mais no bolso.
Natal, Réveillon, Carnaval e feriados prolongados tendem a ter tarifas mais altas, enquanto viagens fora desses períodos podem oferecer preços mais competitivos.
Também é preciso observar o que está incluído na tarifa. A acomodação e as principais refeições costumam fazer parte do pacote, mas bebidas, restaurantes especiais, excursões e alguns serviços podem ter cobrança adicional.

Temporada segue até abril de 2027
Com 48 embarcações previstas e mais de 179 mil turistas esperados, a temporada 2026/2027 deve manter os portos baianos movimentados até 9 de abril de 2027.
A estrutura montada para receber os passageiros envolve a Codeba, Governo do Estado, prefeituras e a Contermas, com equipamentos de controle de passageiros e bagagens, detectores de metais, raio-X, sistemas de segurança e reforço das ações nas áreas portuária e urbana.
Mais do que receber navios, a temporada representa uma oportunidade de fazer o dinheiro dos turistas circular pela cidade. E, para Salvador, isso significa uma cadeia que vai do porto ao restaurante, do transporte ao comércio e dos passeios à hotelaria.


