TURISMO
Intercâmbio na Bahia cresce com alta por destinos europeus e atrai público 50+
Salvador amplia busca por experiências além de EUA e Canadá


A busca por intercâmbio na Bahia apresenta uma transformação profunda na forma como estudantes e profissionais de diferentes idades planejam suas experiências internacionais.
Em Salvador, a procura por cursos de idiomas no exterior lidera o volume de atendimentos, seguida pelos programas de Au Pair, programas de férias para adolescentes e cursos universitários.
A decisão das famílias baianas tem se consolidado como um planejamento de longo prazo. Em vez de uma viagem isolada, o mercado local registra a adesão a uma jornada contínua de educação internacional, em que jovens iniciam vivências curtas na infância ou adolescência e progridem para formações acadêmicas mais amplas.
França e Itália entram na preferência do público baiano
No cenário nacional, os três destinos de intercâmbio mais procurados são Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Contudo, os dados da capital baiana revelam preferências regionais distintas: o Canadá assume o primeiro lugar em buscas em Salvador, enquanto a França e a Itália figuram na quarta e quinta posição, respectivamente.
Renata Bueno, diretora geral da Experimento Intercâmbio Cultural, explica que a agência pioneira no país, com mais de 60 anos de mercado e integrante da CVC Corp, acompanha as especificidades de cada região.
"A gente tem um tipo de intercâmbio para cada momento de vida dos nossos estudantes e a gente costuma apresentar os nossos programas dentro de uma jornada de vivências de educação internacional", afirma.
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O interesse por países europeus é impulsionado pelo desejo de aprender um segundo ou terceiro idioma, impulsionado pelo acesso facilitado ao inglês na rotina digital. Além disso, a facilidade de deslocamento dentro do continente europeu permite imersões culturais mais amplas.
Regras de visto e oportunidade de estudo e trabalho
A reconfiguração na busca por destinos também reflete mudanças regulatórias. Desde 2024, governos dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra intensificaram o rigor na concessão de vistos e controle migratório.
O cenário abriu espaço para o crescimento de países da Europa e da Ásia, como Japão e Coreia do Sul, que mantêm incentivos para atrair estudantes internacionais.
Na Experimento Intercâmcio Cultural, ara o público adulto, um dos principais atrativos é a possibilidade de trabalhar legalmente durante o período de estudos. No entanto, as exigências variam de acordo com o país escolhido:
- Austrália e Nova Zelândia: exigem matrícula mínima em cursos com duração de 16 semanas para concessão da permissão de trabalho.
- Irlanda: estabelece a necessidade de cursos com duração mínima de 25 semanas para acesso ao mercado de trabalho local.
- Estados Unidos e Inglaterra: não permitem que estudantes matriculados exclusivamente em cursos de idiomas trabalhem legalmente.
A duração dos cursos de idiomas é flexível, iniciando a partir de duas semanas. A maior parte do público adulto opta por formações de quatro semanas, aproveitando os períodos de férias do trabalho ou recesso universitário no Brasil.

Durante a pandemia, a agência observou outro comportamento. A Inglaterra e os Emirados Árabes Unidos registraram aumento na procura, segundo Bueno, em parte por apresentarem condições de entrada consideradas mais favoráveis naquele período.
No Reino Unido, a procura também deixou de se concentrar exclusivamente em Londres. Liverpool, Manchester e Brighton ganharam espaço entre os estudantes interessados em estudar inglês, com a possibilidade de encontrar custos de vida e acomodação mais acessíveis.
Modalidades para público 50+ e High School
O portfólio de viagens educacionais passou a englobar faixas etárias variadas e objetivos profissionais específicos. Entre as modalidades disponíveis na Experimento, destacam-se:
Senior Explorer (50+): focado no público acima de 50 anos, tem duração média de três a quatro semanas. Combina o aprendizado do idioma com vivências culturais, passeios estruturados e convivência em grupo.
High School e High School Experience: o programa tradicional permite cursar um semestre ou todo o ensino médio no exterior com equivalência das notas no Brasil. A versão Experience oferece uma degustação de quatro a oito semanas na grade curricular estrangeira.
Cursos executivos e de carreira: formações focadas em áreas como marketing, design e negócios, além do programa em Harvard direcionado a executivos sobre gestão e inteligência artificial.
Programas exclusivos: imersões voltadas a áreas específicas, como treinamento de futebol na estrutura do Manchester City, empreendedorismo no Vale do Silício para criação de startups e o programa Agroexer na Universidade de Illinois.
Outra tendência em ascensão é o intercâmbio em família, no qual pais e filhos viajam no mesmo período. Enquanto os mais jovens participam de colônias de férias acadêmicas, os adultos realizam cursos focados em idiomas para negócios ou áreas de interesse como gastronomia, artes e esportes.
Intercâmbio atende diferentes objetivos
A escolha do programa é feita a partir do perfil e dos objetivos de cada estudante, segundo Renata Bueno. São considerados fatores como nível do idioma, tempo disponível, grau de independência, preferência por cidades grandes ou menores e interesse por vida cultural, social ou litorânea.
A consultoria também envolve preparação de documentos, orientação relacionada a vistos, organização da viagem, passagem aérea, chip telefônico e preparação para o embarque, além do acompanhamento durante a experiência até o retorno ao Brasil.


