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JAZZ E MARESIA

Praia famosa da Bahia recebe festival com três dias de shows gratuitos; confira

De Gilberto Gil a Luiz Gonzaga: evento terá releituras de clássicos

Mariana Abreu*
Por Mariana Abreu*
A Banda Monarka
A Banda Monarka - Foto: Divulgação

O Festival de Jazz - Música e Arte chega a sua quinta edição entre quinta-feira, 29, e sábado, 31, em Praia do Forte, com uma diversidade de artistas e estilos. Com apresentações gratuitas, o evento mantém a proposta de valorizar a música instrumental e a produção artística baiana em um dos principais destinos turísticos do estado.

Desde da sua concepção, o projeto idealizado e com curadoria de Thaise Pinto nasceu com o objetivo de aproximar artistas já consagrados, de nomes novos do jazz, junto com a motivação de valorizar a identidade cultural de Praia do Forte.

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“Ao longo dessas cinco edições, o projeto cresceu, conquistou seu espaço no calendário cultural e se consolidou como um importante encontro entre música, arte, turismo e comunidade. Mais do que realizar shows, queremos construir um legado cultural para a região”, afirma Thaise.

Mesmo visto como um gênero mais fechado, mais restrito em si, por uma parte da população, Thaise acredita que um evento como o Festival permite que essa música extrapole muros construídos em torno dela e alcance um maior número de público.

“Democratizar o acesso à cultura sempre foi um dos meus maiores propósitos. Acredito que a música não deve ter barreiras, nem escolher quem pode ou não se emocionar com ela. A cultura precisa pertencer a todos. O jazz, muitas vezes associado a espaços mais restritos, ganha um significado ainda mais especial quando ocupa as ruas, as praças e se aproxima das pessoas. Queremos que uma criança da nossa comunidade tenha a mesma oportunidade de se encantar com a música que qualquer pessoa teria em uma grande sala de concerto”, reafirma Thaise ao explicar como se dá de maneira prática esse processo de democratização do evento.

“Ao distribuir as apresentações por diferentes espaços de Praia do Forte, como a Alameda da Lua, a Praça da Igreja, o Coretinho e o Projeto Tamar, queremos fazer a música circular, movimentar diferentes pontos da Vila e envolver toda a comunidade. Essa proposta também fortalece o comércio local, os restaurantes, os artesãos e os pequenos empreendedores, fazendo com que os benefícios do festival sejam compartilhados por todos”, esclarece a curadora ao informar que durante essas cinco edições, já foram reunidas cerca de 70 mil pessoas e 36 artistas.

“Mas para mim o que mais me emociona não são os números. É ver uma criança encantada diante de uma orquestra, um músico da nossa região tendo seu talento reconhecido e famílias inteiras vivendo juntas a magia da música. Para esta edição, esperamos receber milhares de pessoas durante os três dias de programação, entre moradores, turistas e apaixonados pela cultura”, torce a idealizadora.

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Programação

Geleia Solar, banda anfitriã da tradicional Jam no MAM
Geleia Solar, banda anfitriã da tradicional Jam no MAM - Foto: Divulgação

A programação será aberta na quinta-feira, 29, com o tradicional Encontro de Orquestras, que reúne jovens músicos e talentos da região em uma celebração da formação artística e da música instrumental.

A novidade desta edição é a participação especial de três convidados: o bandolinista Fabrício Rios, o saxofonista local Edimael Júnior e o renomado violinista Luciano Afro. Professor, maestro e pesquisador musical baiano, Afro admite estar empolgado para participar do Festival e defende que o jazz deve circular pelos mais diferentes espaços e atingir o maior número de pessoas.

“Minha expectativa é contribuir para valorizar o jazz, compartilhar experiências musicais. Acredito que o jazz ainda é visto por muitos como um gênero restrito, mas existe um movimento importante para democratizá-lo, levando essa música a diferentes públicos e espaços. Afinal, o jazz deve ser acessível a todos, sem perder sua riqueza e sua essência, mas mostrando que a música pode ser apreciada por todos”, garante Luciano.

A reunião reúne diferentes gerações e trajetórias em uma apresentação que destaca a diversidade e a força da música instrumental.

Na sexta-feira, 30, sobem ao palco a Geleia Solar, banda anfitriã da tradicional Jam no MAM, e a Banda Monarka. No sábado, 31, a programação será encerrada com shows do guitarrista Igor Gnomo e do cantor Adelmo Casé.

Já conhecido no metiê, três vezes ganhador do Prêmio Profissionais da Música, Gnomo não esconde a sua felicidade em estrear na 5° edição do Festival de Jazz - Arte e Música e reafirma também a importância de acontecer um evento dessa magnitude de maneira totalmente gratuita e aberta ao público.

“A existência e a acessibilidade deste festival é fundamental porque quebra o mito de que a música instrumental ou o jazz são linguagens elitizadas ou distantes do grande público. Quando ocupamos a praça pública e parques sem barreiras de ingressos, permitimos que pessoas de todas as origens, moradores e visitantes, encontrem essa arte de maneira orgânica. Assim fiz no meu interior, Paulo Afonso, incentivando a formação de plateia para o consumo da minha obra”, continua.

“Acredito que democratizar não é apenas baratear o acesso, é formar o público e mostrar que a música instrumental produzida aqui, com as nossas matrizes nordestinas, conversam diretamente com a alma das pessoas. Eventos assim descentralizam a cultura e reafirmam que a arte pertence à rua”, pontua Gnomo.

Sobre seu show, ele promete muita energia no som: “A expectativa está altíssima, especialmente por ser minha estreia no festival, que chega consolidado em sua quinta edição. Vou apresentar um repertório em que sertão e litoral se encontram. Vou levar minhas composições autorais ao lado de releituras muito especiais de mestres que são a minha grande escola: Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Luiz Gonzaga e Gilberto Gil. Além da participação de instrumentistas locais para uma conexão especial. É uma celebração da nossa identidade com muita energia, improvisação e a força da música instrumental baiana. Tenho certeza de que será uma noite inesquecível de troca com o público no Jazz Música e Arte”, conclui.

O Festival de Jazz tem o apoio do Projeto Tamar, Prefeitura de Mata de São João, patrocínio da Solar Coca-Cola, Amstel e do Estado da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

Festival de Jazz – Música e Arte / Quinta (29), sexta-feira (30) e sábado (31) / Com Encontro de Orquestras, Fabrício Rios, Edimael Junior e Luciano Afro (29), Geleia Solar e Banda Monarka (30), Igor Gnomo e Adelmo Casé (31) / Palcos na Alameda da Lua, Praça da Igreja, Coretinho e Projeto Tamar, em Praia do Forte / Gratuito

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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