INEOS
Gigante petroquímica paralisa três fábricas e cerca de 4 mil empregos entram no radar
Decisão da Ineos de paralisar unidades em Hull expõe o impacto devastador dos preços recordes de gás


A empresa Ineos anunciou a suspensão das atividades em três complexos industriais localizados em Hull, no Reino Unido. A medida afeta as últimas unidades de acetila em escala global remanescentes no continente europeu.
Duas das unidades já interromperam a produção, enquanto a terceira tem encerramento programado para os próximos dias.
Custos energéticos e disparidade global
O principal fator determinante para a paralisação é o custo do gás natural na Europa.
Os contratos futuros do gás britânico alcançam aproximadamente US$ 23,51 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu). Em contrapartida, o índice de referência norte-americano Henry Hub registra cerca de US$ 2,84/MMBtu.
Desse modo, o insumo europeu apresenta valor cerca de 12 vezes superior ao dos Estados Unidos e cerca de 8 vezes superior à produção baseada em carvão na China.
Impactos econômicos e setoriais
As instalações situadas no Saltend Chemicals Park produzem matérias-primas essenciais para diversos setores industriais, tais como:
- Fabricação de medicamentos;
- Produção de vestuário e cosméticos;
- Formulação de detergentes;
- Suprimento para materiais de construção;
- Geração de componentes para explosivos de uso militar.
A suspensão coloca em risco aproximadamente 4.000 postos de trabalho qualificados, incluindo programas de aprendizado e funções correlatas na região de Humberside.

Declarações e críticas regulatórias
O presidente da corporação, Sir Jim Ratcliffe, apontou falhas nas diretrizes regulatórias europeias e britânicas. Segundo o executivo, a combinação entre tarifas elevadas de energia e a incidência de taxas sobre carbono compromete a competitividade da base fabril regional.
O dirigente argumenta que a transferência da produção para outras regiões gera impactos ambientais opostos aos metas oficiais, uma vez que a pegada de carbono de produtos substitutos fabricados nos Estados Unidos dobra o índice europeu, enquanto a produção chinesa multiplica o indicador por oito.


