A TARDE AGRO
Setor aposta no cooperativismo para fortalecer cacau brasileiro
A CEPLAC aproxima a estratégia à escala na produção brasileira e o aumento do valor agregado


Com o mercado do cacau cada vez mais exigente, cresce também as estratégias para atender às novas demandas do setor. Neste sentido, a junção de produtividade, assistência técnica, ciência, tecnologia ao cooperativismo tornam-se fatores essenciais para o produtor brasileiro.
A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgão veiculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) se aproxima do setor com objetivo de unir essas estratégias para dar escala à produção brasileira e aumentar o valor agregado ao longo da cadeia, especialmente nas mãos de quem cultiva o cacau.
No Brasil, onde milhares de agricultores familiares vivem da cacauicultura, as cooperativas têm uma função que vai muito além da comercialização. Ao reunir produtores, elas conseguem concentrar volume, organizar processos de fermentação e secagem, ampliar o acesso à assistência técnica, buscar certificações e negociar com compradores de maior escala.
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Para o diretor da CEPLAC, Thiago Guedes Viana, o fortalecimento da cadeia depende da capacidade de transformar conhecimento científico em resultados no campo e aproximar as instituições das necessidades de quem produz.
“Temos uma grande oportunidade de transformar a ciência produzida pela CEPLAC em mais qualidade, conservação produtiva e renda no campo. O cooperativismo é a ponte que organiza os produtores, amplia a escala, facilita o acesso às tecnologias e abre mercados de maior valor. Ao unirmos pesquisa, inovação, cooperação internacional e organização coletiva, fortalecemos todo o setor e fazemos com que uma parcela maior da riqueza gerada pelo cacau permaneça com quem cultiva e dá origem a esse produto: o agricultor, o produtor rural. Esse é o caminho para consolidar o Brasil como referência mundial em cacau sustentável, de qualidade e com identidade”, disse ele.
Mercado externo
Essa agenda ganhou força com o Plano Inova Cacau 2030, cuja proposta é elevar a produtividade e a qualidade do cacau brasileiro, ampliar a renda no campo e fortalecer o país como fornecedor de uma produção cada vez mais associada à sustentabilidade nos mercados nacional e internacional.
Por meio do MAPA e da CEPLAC, o Brasil também estabeleceu entendimentos com Equador e Costa Rica para intercâmbio científico, melhoramento genético e ações relacionadas à prevenção de doenças como a monilíase. A aproximação com outros países produtores amplia o conhecimento sobre materiais genéticos, resistência a doenças e adaptação da cultura a diferentes condições.
A cooperação internacional também ganhou uma dimensão voltada à sustentabilidade. Em 2026, MAPA, CEPLAC e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) formalizaram o “Projeto Cacau Brasil Agrofloresta”, financiado com mais de US$ 30 milhões do Fundo Verde para o Clima. A iniciativa contempla sistemas agroflorestais na Amazônia e na Mata Atlântica, com foco em resiliência climática, produtividade e geração de renda para a agricultura familiar.
Para as cooperativas, esse conjunto de tecnologias e práticas pode se transformar em vantagem comercial. Cacau fino, produção orgânica, sistemas agroflorestais, certificação e rastreabilidade são atributos capazes de diferenciar o produto e abrir portas para compradores dispostos a pagar mais por qualidade, origem e sustentabilidade.
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A mudança ocorre em um mercado internacional cada vez mais atento à procedência do cacau. Ao concentrar informações de dezenas ou centenas de propriedades, a cooperativa consegue organizar a produção e ajudar o agricultor a cumprir requisitos que seriam mais difíceis de atender individualmente.
Presidente da Coopercabruca, Orlantildes Pereira resume o desafio enfrentado pelos produtores que pretendem alcançar o mercado externo. “Para exportar, a menos que seja um grande produtor, é muito difícil e quase impossível que um produtor isoladamente consiga vender para fora do país. A cooperativa existe porque cremos que é muito mais fácil para o produtor conseguir ganhos juntos do que isoladamente”.


