PERDEU A MÃO?
O deserto de ideias de Rogério Ceni: o Bahia voltou mais preguiçoso do que nunca
Derrota para o Fluminense expõe que o período de preparação não trouxe evolução ao Tricolor


A pausa para a Copa do Mundo era tratada pela torcida do Bahia como o momento da tão esperada "virada de chave". O período ideal para Rogério Ceni ajustar os ponteiros, recuperar fisicamente o elenco e desenhar alternativas táticas para um time que já dava claros sinais de estafa e previsibilidade.
No entanto, o amistoso contra o Fluminense, com uma derrota apática por 2 a 0 em pleno Maracanã, funcionou como um choque de realidade cruel: o Bahia não evoluiu um milímetro sequer. O ritmo segue moroso, o futebol continua modorrento e as velhas teimosias de Ceni parecem ainda mais cristalizadas.
A verdade tática é incômoda, mas precisa ser dita: o Bahia hoje é um time sem repertório, refém de individualidades e taticamente estéril.
O "vazio" no meio-campo: Jean Lucas e Caio Alexandre em outra rotação
O que aconteceu com a dupla que encantou o Brasil no ano passado? Jean Lucas e Caio Alexandre hoje jogam em uma rotação de câmera lenta que beira a apatia. Não são nem a sombra dos meio-campistas dinâmicos, intensos e combativos que ditaram o ritmo do Esquadrão.
Tecnicamente, o declínio é assustador. Caio Alexandre perdeu a capacidade de ditar o tempo do jogo; seus passes laterais não quebram linhas e apenas atrasam a transição ofensiva. Jean Lucas, por sua vez, exibe uma lentidão física e uma preguiça na recomposição que expõem constantemente a linha de defesa.
Falta combatividade, falta criatividade e, acima de tudo, falta intensidade. A dupla que deveria ser o motor do time hoje funciona como um freio de mão puxado. Por outro lado, Erick, Rodrigo Nestor e Michel Araújo seguem sem conseguir aproveitar as oportunidades e, a cada partida, deixam ainda mais evidentes suas limitações técnicas. Enquanto Acevedo é o exército de um homem só no meio.
"Dependência" crônica de Juba e Everton Ribeiro
Ficou feio para Rogério Ceni. As ausências de Luciano Juba e Everton Ribeiro escancaram uma limitação tática inadmissível para um treinador do seu calibre: Ceni simplesmente não sabe fazer o Bahia jogar sem eles.
A equipe perde completamente o rumo quando não tem o cérebro de Everton Ribeiro para clarear as jogadas ou a válvula de escape e profundidade de Luciano Juba. Sem a dupla, o Bahia vira um bando desorganizado, que troca passes de lado de forma improdutiva e sem qualquer contundência.
A incapacidade do treinador em criar dinâmicas coletivas alternativas para suprir essas ausências é o retrato de um trabalho que atingiu seu teto criativo.
Teimosia da improvisação: Marcos Victor não é lateral (E Román Gómez?)
Insistir em Marcos Victor improvisado na lateral direita é um erro desenhado no quadro tático e executado com requintes de teimosia. O atleta é zagueiro de origem e não possui nenhum cacoete para jogar pelo corredor. Não tem o tempo de apoio, carece de velocidade para o enfrentamento um contra um nas pontas e compromete totalmente a amplitude ofensiva do time pelo lado direito.
O pior dessa escolha não é apenas a ineficácia técnica de Marcos Victor improvisado, mas a injustificável resistência de Rogério Ceni em utilizar o argentino Román Gómez. O jovem lateral de origem é rápido, intenso, ofensivo e daria a dinâmica natural que o setor tanto implora.
Ao preterir um jogador com as valências físicas de Gómez para manter um zagueiro estático e perdido na ala, Ceni sabota o próprio plano de jogo em nome de uma convicção inexplicável.
Isolamento do camisa 9: Alejo Véliz estreou no deserto ofensivo
A torcida estava ansiosa para ver as estreias do goleiro Guido Herrera e, principalmente, do atacante Alejo Véliz. No entanto, o centroavante argentino mal conseguiu ver a cor da bola ontem. E a culpa não foi dele.
O Bahia de Rogério Ceni joga de costas para o seu camisa 9. Não há um mecanismo sequer de ativação do centroavante na área. Os pontas insistem em jogadas individuais infrutíferas para dentro, os meias não verticalizam o passe e os laterais simplesmente não cruzam ou procuram a referência.
O time constrói de forma burocrática, rodando a bola longe da zona de perigo, sem buscar o gol de forma objetiva. Ter um finalizador do calibre de Véliz em um time que não produz para a área é o mesmo que ter uma Ferrari sem combustível.
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O diagnóstico é preocupante, e o tempo é o pior inimigo de Rogério Ceni no momento. O Bahia voltou da pausa da Copa do Mundo apresentando um futebol preguiçoso, lento e sem alma, preso a conceitos táticos que parecem ter se esgotado.
Ceni tem pouquíssimos dias de trabalho para fazer com que esse elenco ganhe outra cara, mude de postura e recupere a intensidade perdida. Na próxima sexta-feira, o Campeonato Brasileiro finalmente retorna, e o Bahia tem um compromisso crucial contra a Chapecoense, em Salvador.
Jogando diante de sua torcida, qualquer resultado que não seja uma vitória convincente com uma atuação taticamente renovada transformará a Fonte Nova em um caldeirão de cobranças. O alerta está ligado: ou Ceni acha variações agora, ou o divórcio com a torcida se tornará inevitável.


