ARTIGOS
Rumo ao Palácio de Ondina
Corrida ao governo da Bahia começa hoje com as convenções partidárias da oposição


Existe um rito que marca, de fato, o começo oficial de uma eleição. Antes das pesquisas ganharem as manchetes diárias dos sites e jornais, dos programas eleitorais no rádio e TV ocuparem espaço na vida dos eleitores, a campanha toma conta das ruas, há um momento em que os projetos políticos consolidam suas forças e oficializam a disputa: as convenções partidárias.
É exatamente esse movimento que a Bahia passa a viver a partir desta semana.
De um lado, o União Brasil oficializa a candidatura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, ao Governo do Estado. Do outro, o PT prepara a convenção que confirmará a tentativa de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues ao Palácio de Ondina. Mais do que atos burocráticos exigidos pela legislação eleitoral, esses eventos funcionam como pura demonstração de organização, capacidade de mobilização e unidade entre aliados. Conforme determinação da Justiça Eleitoral, as convenções vão de 20 de julho a 5 de agosto.
É nesse contexto que cada detalhe desses eventos nos mostra seu respectivo peso político. O tamanho do público, a presença de lideranças nacionais, a composição dos palanques e até mesmo a mensagem transmitida pelos discursos fazem parte da estratégia eleitoral de inaugurar a campanha com uma narrativa que seja favorável até outubro.
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No caso do PT, um elemento amplia significativamente a repercussão da sua convenção: a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez na Bahia. Depois de uma sequência de agendas no estado ao longo deste ano, a participação do presidente foi confirmada, e vai fortalecer ainda mais o ato de lançamento da candidatura governista.
Já para o União Brasil, a convenção representa a oportunidade de consolidar a imagem de uma oposição organizada e pronta para iniciar uma disputa que promete ser uma das mais competitivas dos últimos tempos.
Naturalmente, convenções não elegem ninguém. Elas tampouco antecipam o resultado das urnas. Mas cumprem um papel importante ao estabelecer o tom da campanha, a escolha do jingle “chiclete”, medir a capacidade de articulação das forças políticas e oferecer os primeiros sinais de como cada grupo pretende conduzir a disputa.
Até outubro, teremos ainda debates, sabatinas, programas eleitorais, pesquisas, agendas pelo interior e confrontos de propostas. É o calendário político entrando em sua fase mais gostosa para quem gosta das eleições.
Por isso, na prática, a corrida pelo Palácio de Ondina começa agora e tende a ser emocionante. Nesta quarta, 22, com o União Brasil, no dia 1 de agosto, com o PT, e assim seguiremos.
*Eduardo Dias é coordenador de Política do núcleo digital do Grupo A TARDE.


