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Trabalhadores da indústria são afetados pela escala 6x1

CONSENSO NACIONAL

AtlasIntel mostra que apoio ao fim da escala 6x1 atravessa classes sociais

Dados indicam que maioria vê melhora na qualidade de vida, mas teme inflação no país

Trabalhadores da indústria são afetados pela escala 6x1 - Foto Tomaz Silva | Agência Brasil

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Isabela Cardoso
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A mais nova rodada da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quinta-feira, 30, sobre temas que impactam na vida dos brasileiros, aponta que a maioria é favorável ao fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso.

O levantamento mostra não apenas a tendência geral da opinião pública, mas também revela como diferentes grupos sociais enxergam a possível mudança de jornada.

Maioria apoia o fim da escala 6x1

No cenário geral, 55,7% dos entrevistados se dizem favoráveis à extinção da jornada, enquanto 39,5% são contrários e 4,8% não souberam opinar. O dado indica um apoio consolidado à proposta, ainda que exista uma parcela significativa de resistência.

O respaldo à mudança aparece em praticamente todos os recortes demográficos, com destaque para jovens, pessoas com maior nível de escolaridade e determinados perfis ideológicos.

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Quem mais apoia e quem resiste

A pesquisa detalha como a opinião varia entre diferentes grupos:

Gênero: homens (56,8%) e mulheres (54,5%) apresentam maioria favorável

Idade: jovens de 16 a 24 anos lideram o apoio (67,9%), seguidos por outras faixas etárias, todas com maioria absoluta, exceto o grupo de 45 a 59 anos, que registra apoio relativo (49,4%)

Escolaridade: quem tem ensino superior (64,2%) e médio (56%) apoia; já pessoas com ensino fundamental são majoritariamente contra (53,4%)

Renda: há apoio em quase todas as faixas, com exceção de quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, onde 55,8% são contrários

Religião: ateus e agnósticos (80,7%) e pessoas sem religião (65,6%) lideram o apoio; católicos (48,9%) e evangélicos (49%) mostram divisão

Região: Sul (67,6%) e Centro-Oeste (62,6%) registram maior apoio; Sudeste aparece tecnicamente dividido (49,9%)

A divisão mais acentuada aparece no campo político

Eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva apoiam amplamente o fim da escala (85,6%), enquanto entre apoiadores de Jair Bolsonaro há forte rejeição (70,1%).

Impactos: mais qualidade de vida, dúvidas na economia

Quando questionados sobre os efeitos da mudança, os entrevistados demonstram otimismo em relação ao cotidiano do trabalhador:

  • 63% acreditam que a qualidade de vida vai melhorar
  • 55% dizem que a produtividade deve aumentar

Por outro lado, surgem incertezas em relação à economia:

  • 47% acham que a inflação pode subir
  • 42% acreditam que o lucro das empresas pode cair
  • 44% veem risco de aumento do trabalho informal
  • 43% dizem que o desemprego não deve ser afetado

Os dados mostram um contraste claro: enquanto os benefícios humanos são amplamente reconhecidos, os impactos macroeconômicos ainda geram dúvidas.

O que é a escala 6x1?

Prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a escala 6x1 organiza a jornada em seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso semanal remunerado.

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Esse modelo é comum em setores que não podem parar, como comércio, indústria, saúde e serviços essenciais. Hospitais, supermercados e fábricas, por exemplo, utilizam essa escala para manter funcionamento contínuo.

Apesar de garantir o descanso semanal, críticos apontam que o formato pode ser desgastante, especialmente em atividades com alta carga física ou emocional.

Profissões mais afetadas

A escala 6x1 está presente em diversas áreas, principalmente nas que exigem operação constante:

  • Comércio: vendedores, caixas, atendentes
  • Indústria: operários e técnicos
  • Saúde: médicos, enfermeiros e técnicos
  • Serviços: vigilantes, porteiros e limpeza
  • Hotelaria e gastronomia: garçons, cozinheiros e recepcionistas

Proposta avança no Congresso

O debate ganhou força após a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil aprovar a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1.

O texto foi relatado pelo deputado Paulo Azi e aprovado por unanimidade em votação simbólica. Nesta etapa, os parlamentares analisaram apenas se a proposta atende aos critérios constitucionais.

O que pode mudar

Entre os pontos em discussão no Congresso estão:

  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
  • Transição gradual para adaptação das empresas
  • Possível adoção da escala 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso)

Quando passa a valer?

A proposta ainda está longe de entrar em vigor. Após a CCJ, o texto segue para uma comissão especial e depois precisa ser aprovado em dois turnos no plenário da Câmara, com pelo menos 308 votos favoráveis.

Na sequência, ainda passa pelo Senado. Só após aprovação final e promulgação é que a mudança começa a valer. A expectativa é que a votação na Câmara ocorra até o fim de maio, mas ainda não há data definida para implementação.

AtlasIntel/Latam Pulse

O levantamento AtlasIntel/Latam Pulse entrevistou, por Recrutamento Digital Aleatório (RDR), 5.008 pessoas, entre os dias 22 e 27 de abril. A margem de erro é de +-1 (um ponto percentual) para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

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Tags:

AtlasIntel economia escala 6×1

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