A mais nova rodada da pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quinta-feira, 30, sobre temas que impactam na vida dos brasileiros, aponta que a maioria é favorável ao fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter apenas um de descanso.
O levantamento mostra não apenas a tendência geral da opinião pública, mas também revela como diferentes grupos sociais enxergam a possível mudança de jornada.
Maioria apoia o fim da escala 6x1
No cenário geral, 55,7% dos entrevistados se dizem favoráveis à extinção da jornada, enquanto 39,5% são contrários e 4,8% não souberam opinar. O dado indica um apoio consolidado à proposta, ainda que exista uma parcela significativa de resistência.
O respaldo à mudança aparece em praticamente todos os recortes demográficos, com destaque para jovens, pessoas com maior nível de escolaridade e determinados perfis ideológicos.
Quem mais apoia e quem resiste
A pesquisa detalha como a opinião varia entre diferentes grupos:
Gênero: homens (56,8%) e mulheres (54,5%) apresentam maioria favorável
Idade: jovens de 16 a 24 anos lideram o apoio (67,9%), seguidos por outras faixas etárias, todas com maioria absoluta, exceto o grupo de 45 a 59 anos, que registra apoio relativo (49,4%)
Escolaridade: quem tem ensino superior (64,2%) e médio (56%) apoia; já pessoas com ensino fundamental são majoritariamente contra (53,4%)
Renda: há apoio em quase todas as faixas, com exceção de quem ganha entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, onde 55,8% são contrários
Religião: ateus e agnósticos (80,7%) e pessoas sem religião (65,6%) lideram o apoio; católicos (48,9%) e evangélicos (49%) mostram divisão
Região: Sul (67,6%) e Centro-Oeste (62,6%) registram maior apoio; Sudeste aparece tecnicamente dividido (49,9%)
A divisão mais acentuada aparece no campo político
Eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva apoiam amplamente o fim da escala (85,6%), enquanto entre apoiadores de Jair Bolsonaro há forte rejeição (70,1%).
Impactos: mais qualidade de vida, dúvidas na economia
Quando questionados sobre os efeitos da mudança, os entrevistados demonstram otimismo em relação ao cotidiano do trabalhador:
- 63% acreditam que a qualidade de vida vai melhorar
- 55% dizem que a produtividade deve aumentar
Por outro lado, surgem incertezas em relação à economia:
- 47% acham que a inflação pode subir
- 42% acreditam que o lucro das empresas pode cair
- 44% veem risco de aumento do trabalho informal
- 43% dizem que o desemprego não deve ser afetado
Os dados mostram um contraste claro: enquanto os benefícios humanos são amplamente reconhecidos, os impactos macroeconômicos ainda geram dúvidas.
O que é a escala 6x1?
Prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a escala 6x1 organiza a jornada em seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso semanal remunerado.
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Esse modelo é comum em setores que não podem parar, como comércio, indústria, saúde e serviços essenciais. Hospitais, supermercados e fábricas, por exemplo, utilizam essa escala para manter funcionamento contínuo.
Apesar de garantir o descanso semanal, críticos apontam que o formato pode ser desgastante, especialmente em atividades com alta carga física ou emocional.
Profissões mais afetadas
A escala 6x1 está presente em diversas áreas, principalmente nas que exigem operação constante:
- Comércio: vendedores, caixas, atendentes
- Indústria: operários e técnicos
- Saúde: médicos, enfermeiros e técnicos
- Serviços: vigilantes, porteiros e limpeza
- Hotelaria e gastronomia: garçons, cozinheiros e recepcionistas
Proposta avança no Congresso
O debate ganhou força após a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil aprovar a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1.
O texto foi relatado pelo deputado Paulo Azi e aprovado por unanimidade em votação simbólica. Nesta etapa, os parlamentares analisaram apenas se a proposta atende aos critérios constitucionais.
O que pode mudar
Entre os pontos em discussão no Congresso estão:
- Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
- Transição gradual para adaptação das empresas
- Possível adoção da escala 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso)
Quando passa a valer?
A proposta ainda está longe de entrar em vigor. Após a CCJ, o texto segue para uma comissão especial e depois precisa ser aprovado em dois turnos no plenário da Câmara, com pelo menos 308 votos favoráveis.
Na sequência, ainda passa pelo Senado. Só após aprovação final e promulgação é que a mudança começa a valer. A expectativa é que a votação na Câmara ocorra até o fim de maio, mas ainda não há data definida para implementação.
AtlasIntel/Latam Pulse
O levantamento AtlasIntel/Latam Pulse entrevistou, por Recrutamento Digital Aleatório (RDR), 5.008 pessoas, entre os dias 22 e 27 de abril. A margem de erro é de +-1 (um ponto percentual) para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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