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Indústria de motos avança sob risco de seca

Com 384,4 mil motos emplacadas no 1º semestre, Nordeste assumiu uma ligeira liderança regional

Núbia  Cristina
Por Núbia Cristina
| Atualizada em
Profissionais da área de montagem em ação
Profissionais da área de montagem em ação - Foto: Divugação Honda

A indústria brasileira de motocicletas chega ao segundo semestre com o melhor resultado produtivo dos últimos 15 anos, mas já se prepara para um desafio que ocorre fora das fábricas: o risco de uma nova seca severa na Amazônia. Entre janeiro e junho, as montadoras instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram 1.063.397 unidades, alta de 6,3% sobre o mesmo período de 2025.

Paralelamente, o setor articula com os governos do Amazonas e federal medidas preventivas para preservar o transporte de componentes e o escoamento da produção, caso os rios voltem a atingir níveis críticos.

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“Estamos nos preparando para enfrentar uma seca de grandes proporções, caso ela ocorra. Hoje temos o aprendizado do que ocorreu há dois anos, quando enfrentamos esse fenômeno climático extremo. As medidas emergenciais são realizadas em parceria com os governos estadual e federal, como a dragagem dos rios”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Bento, durante coletiva acompanhada por A TARDE Autos.

Cenário do mercado com o El Niño

Para Bento, intervenções emergenciais, como a dragagem, reduzem os impactos imediatos, mas não eliminam a dependência do transporte fluvial. O executivo defende a recuperação e a pavimentação do trecho central da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, como alternativa para integrar os modais rodoviário e hidroviário e tornar a logística industrial mais resistente aos eventos climáticos extremos.

O cenário preventivo considera a configuração do El Niño, confirmada em junho. Os modelos climáticos indicam probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027, com possibilidade de fortalecimento nos próximos meses.

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Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão aponta chuvas abaixo da média em partes do centro-norte do País, condição que pode intensificar a estiagem e reduzir os níveis dos rios amazônicos.

Por enquanto, porém, não há confirmação de uma vazante extrema. No fim de junho, o nível do rio Negro em Manaus permanecia dentro da faixa de normalidade e próximo do comportamento esperado para a época.

Segundo o boletim elaborado por INPE, INMET, Cemaden, ANA, SGB e Defesa Civil, a principal preocupação está relacionada ao possível fortalecimento do El Niño e aos seus efeitos sobre a estiagem amazônica no segundo semestre.

A preocupação da Abraciclo tem como referência a estiagem de 2024, considerada pelo Serviço Geológico do Brasil a maior e mais impactante da história do monitoramento hidrológico do Amazonas. Naquele ano, os 62 municípios do estado tiveram situação de emergência reconhecida e 15 estações registraram recordes de vazante. Em Manaus, o rio Negro atingiu o menor nível da série histórica iniciada em 1902.

Nordeste na liderança da venda de motos

A demanda por motocicletas continua aquecida. Os emplacamentos alcançaram o recorde de 1.174.344 unidades no primeiro semestre, crescimento de 14,1% - mais que o dobro da expansão registrada pela produção.

O Nordeste assumiu uma ligeira liderança regional em volume, com 384,4 mil motocicletas emplacadas, ante 383,6 mil no Sudeste. Com a diferença diluída pelo arredondamento, as duas regiões aparecem com participação de 32,7% no mercado nacional.

As motocicletas de até 160 cm³ permaneceram como a base do setor. Foram produzidas 831.213 unidades nessa faixa, equivalentes a 78,2% do volume total e 5,5% acima do resultado registrado um ano antes. Os modelos de média cilindrada somaram 199.899 unidades, enquanto os acima de 450 cm³ chegaram a 32.285 unidades.

Embora representem apenas 3% da fabricação nacional, as motos de alta cilindrada apresentaram o maior crescimento proporcional do semestre, com avanço de 37,2%.

Junho destoou do desempenho acumulado. A produção caiu para 130.875 motocicletas, recuo de 29,9% em relação a maio e de 15,1% na comparação com junho de 2025. Segundo a Abraciclo, o resultado foi influenciado pelas férias coletivas programadas, período também utilizado pelas fabricantes para manutenção e ajustes nas linhas de montagem.

No varejo, contudo, foram emplacadas 194.249 unidades no mês, alta de 8,3% sobre junho do ano passado. As exportações também avançaram e somaram 24.084 motocicletas no primeiro semestre, aumento de 29,4%.

A Abraciclo manteve a projeção de 2,07 milhões de motocicletas produzidas em 2026, alta estimada de 4,5% sobre o ano anterior. Para atingir a meta, a indústria terá de combinar capacidade produtiva, demanda aquecida e uma logística capaz de resistir às oscilações cada vez mais intensas do regime dos rios.

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