O que não pode faltar na revisão de viagem

Além de fazer manutenção preventiva do veículo antes de pegar estrada, é preciso minimizar riscos de acidentes

Publicado quarta-feira, 29 de dezembro de 2021 às 05:02 h | Atualizado em 28/12/2021, 22:18 | Autor: Núbia Cristina

Quem vai viajar de carro no Réveillon, precisa redobrar os cuidados com a segurança. Isso significa não apenas fazer a manutenção preventiva do veículo antes de pegar a estrada, mas também adotar comportamentos que reduzam os riscos de acidentes. O motorista precisa estar descansado, tranqüilo e bem alimentado. E ainda deve acomodar adequadamente a bagagem e estar atento para as regras de transporte de crianças ou pets. Sem contar que os viajantes devem respeitar todos os protocolos de prevenção da Covid-19 e da gripe H3N2.

O especialista em segurança viária e diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego, Alysson Coimbra, alerta que o fator humano é responsável pela maioria dos acidentes e alguns cuidados podem mitigar os riscos. “Para viagens longas, é preciso que o motorista tenha dormido o suficiente à noite e esteja descansado. Não indicamos que quem iniciou algum tratamento recentemente faça uso do medicamento e dirija, já que há remédios que podem interferir diretamente na capacidade de concentração e reação. Na dúvida, consulte seu médico”, explica Coimbra.

Diabéticos 

O médico adverte que diabéticos devem sempre levar um alimento doce para evitar hipoglicemia, mesmo em viagens curtas. “Se houver uma interrupção no fluxo do trânsito, o motorista tem que estar preparado para evitar essas crises, que interferem na sua capacidade de dirigir com segurança”, afirma. Outra regra fundamental é não ingerir bebida alcoólica, antes ou durante a viagem, e não usar qualquer outro tipo de droga.

“Temos assistido a um aumento das multas por excesso de velocidade e consumo de substâncias psicoativas, isso, somado ao crescimento dos transtornos de ansiedade e estresse, deixam o motorista brasileiro mais agressivo e imprudente”, destaca o médico especialista em Medicina do Tráfego.

“Comportamentos de risco, como ultrapassagens em locais proibidos, excesso de velocidade e não manter distância segura do veículo à frente são algumas das principais causas de sinistros e podem ser evitados”, comenta Coimbra.

É regra básica, mas convém lembrar que é fundamental usar cintos de segurança, assentos ou cadeirinhas para as crianças. “Para cada faixa etária há uma forma de transporte seguro de crianças. Por sua composição física, a criança é mais suscetível a ferimentos graves e todo cuidado é pouco no transporte”, afirma.

O mesmo cuidado com a segurança vale para o transporte dos pets. Um levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) mostrou que 80% dos tutores os transportam de forma errada. “Além dos riscos de morte e ferimentos para os pets, o transporte inadequado pode provocar acidentes e gerar multas”, adverte Coimbra.

A revisão preventiva é de extrema importância, principalmente antes de colocar o carro na estrada. “É quando são detectados problemas iniciais, que se não forem resolvidos terão de passar por uma manutenção corretiva, que geralmente é mais cara, por já ter prejudicado outras peças”, alerta o gerente da oficina da Hyundai Grande Coreia, Ruy Vilas Boas. “Antes de viajar, temos que verificar como está todo o funcionamento do veículo, para que não tenhamos problemas na estrada, e esta revisão tem de ser feita por mecânicos treinados e oficinas capacitadas”, alerta. 

Alguns itens obrigatoriamente devem ser verificados: todo o sistema de freio (pastilhas, disco, cilindro de freio); pneus (estado de uso) fazer o alinhamento da direção e balanceamento das rodas, suspensão, nível da bateria, líquido de arrefecimento e, claro, fazer a troca do óleo de motor, filtro de óleo, filtro de combustível e verificar os demais filtros e fluidos do veículo.

“É na revisão que os técnicos identificam alguma anormalidade no veículo, que nem sempre é despercebida pelos usuários/motoristas. Por exemplo: algum tipo de vazamento (óleo de motor, direção, freio), líquido de arrefecimento baixo. Assim como problemas em peças de desgaste por uso: pneus, pastilhas e cilindro de freio, bateria”, explica Vilas Boas. 

Nesse check list da revisão os problemas são resolvidos e não há risco de uma pane na estrada ou no destino da viagem. “O motorista que não tem o hábito de fazer revisão preventiva só procura as oficinas quando o veículo quebra, fazendo com que a revisão, que seria preventiva e mais barata, passe a ser corretiva e, claro, mais cara, porque muitas peças foram afetadas”, alerta.

O gerente de oficina da Fiori Paralela, Wellington Nunes, também destaca a importância da revisão de viagem, mas lembra de algo muito fundamental. “Antes de viajar, verifique se a documentação do veículo está regular. Muita gente esquece isso”. Outra dica importante é a verificação de itens de segurança, como macaco, chave de roda, triângulo, pneus (estado geral e calibragem). Vale verificar ainda a validade do extintor de incêndio.

O sistema de amortecimento e estabilidade do veículo é tão importante quanto o dos freios. Além dos amortecedores, as molas, as buchas, as bandejas, os pivôs e os terminais também merecem inspeção para evitar que você saia da sua rota.

Nunes lembra ainda da correia dentada. “A substituição preventiva segundo os fabricantes, deve ser efetuada (em média) a cada 50 mil km. Mas uma verificação em cada 15 mil km pode mostrar se há a necessidade de troca. O rompimento desta peça pode danificar gravemente o motor”, alerta. Com esses cuidados com a segurança, a viagem de fim de ano vai deixar boas lembranças.

Bebê conforto: até um ano de idade ou até 9 kg
Bebê conforto: até um ano de idade ou até 9 kg |  Foto: Divulgação
 

Forma correta de transportar crianças

Bebê conforto: crianças de até um ano de idade e até 9kg, posicionado em sentido contrário ao painel do veículo.

Assento conversível: crianças de até um ano de idade e até 13 kg posicionado no sentido contrário ao painel do veículo até a criança completar 1 ano de idade.

Cadeirinha: crianças de 1 a 4 anos de idade, que tenham entre 9 e 18 kg, posicionamos de frente para o painel do veículo.

Assento de elevação: crianças de 4 a 10 anos de idade que não tenham atingido 1,45 m de altura, com peso entre 15 e 36 kg, sempre conectado ao cinto de três pontos.

Banco traseiro e dianteiro somente com o cinto de segurança: crianças com mais de 10 anos de idade e/ou estatura superior a 1,45 m

Cuidados com os pets

Há cinco formas seguras para transportar os pets: caixa de transporte; cestinhos ou cadeirinhas; cinto de segurança; grades de contenção ou capa protetora para banco traseiro. 

A caixa de transporte deve ser fixada pelo cinto de segurança do veículo no banco traseiro. Precisa ser ventilada e estar de acordo com as dimensões do animal.

As cadeirinhas (cestinhos) são recomendadas para animais de pequeno porte que não se adaptam em viajar nas caixas de transporte. São projetadas para serem utilizadas com os animais utilizando coleiras do tipo peitoral e devem ser fixadas no encosto de cabeça do banco traseiro e retidas com o cinto de segurança do veículo.

Cães de porte médio ou grande podem ser transportados com cinto de segurança na posição central do banco traseiro, com os adaptadores presos às coleiras peitorais, e fixados no encaixe do cinto de segurança do veículo. As grades de proteção são indicadas para animais de grande porte e têm a função de limitar a circulação do animal dentro do carro e impedir o cão de saltar pela janela. Já a capa protetora de banco traseiro pode ser usada com o cinto de segurança, minimizando o risco do animal de sofrer ferimentos em desacelerações bruscas, por exemplo.

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