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Após 100 dias de combate a incêndios florestais, bombeiros registram queda de 29% nos focos de calor durante a operação

Dados foram apresentados pelo comandante-geral do CBMBA

Redação
Por Redação
Corpo de Bombeiros em operação
Corpo de Bombeiros em operação - Foto: Corpo de Bombeiros

O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) completou, nesta quarta-feira, 7, 100 dias de operação florestal, com 189 bombeiros e bombeiras e 44 viaturas em dedicação exclusiva às ações de prevenção e combate aos incêndios.

Apesar das temperaturas mais elevadas, redução da umidade e ventos mais fortes, a Bahia mantém o número de focos de calor abaixo da média nacional e registrou, em setembro, redução de 29% em relação ao mesmo mês do ano passado.

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Os dados foram apresentados pelo comandante-geral do CBMBA, coronel Aloisio Fernandes, durante reunião do Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, que acompanha e articula as ações do Governo do Estado.

A atenção, agora, está voltada especialmente para os próximos dez dias, quando as condições meteorológicas devem aumentar o risco de propagação dos incêndios. Segundo o coordenador de Estudos do Clima e Projetos Especiais do Instituo do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Aldírio Almeida, as temperaturas máximas podem ultrapassar os 42°C em áreas do Vale do São Francisco e do Oeste, enquanto a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 15%, com ausência de chuvas em praticamente todo o estado. “É uma condição muito propícia para a propagação de incêndios florestais. Na presença de fogo na vegetação, essas queimadas acabam se espalhando facilmente”, alertou.

O cenário dos próximos dias exige atenção redobrada. Várias regiões estão entrando na chamada “regra dos 30”, combinação de umidade abaixo de 30%, ventos acima de 30 km/h e temperaturas superiores a 30°C. “Nós temos aí os ingredientes nas condições ideais para queima e estamos com quase toda a região nesse tripé”, explicou o coronel Aloisio Fernandes.

Diante desse cenário, os órgãos envolvidos estão intensificando o monitoramento e as ações nos territórios considerados prioritários, entre eles Bacia do Paramirim, Rio Corrente, Rio Grande, Sertão do São Francisco, Sertão Produtivo e Velho Chico. Para o superintendente de Proteção e Defesa Civil da Bahia, Osny Bomfim Santos, os resultados apresentados na reunião mostram que a estratégia adotada já produz efeitos. “Os órgãos do sistema estão atuando intensamente para mitigar os efeitos do El Niño. O monitoramento continuado das ações tem mostrado resultados efetivos”, afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem Após 100 dias de combate a incêndios florestais, bombeiros registram queda de 29% nos focos de calor durante a operação
Foto: Corpo de Bombeiros

Redução dos focos e reforço no combate

Em setembro de 2025, foram registrados quase 20 mil focos de calor na Bahia, enquanto, no mesmo mês deste ano, o total ficou abaixo de 15 mil. A redução de 29% ocorreu apesar do aumento da demanda por combate. Para atender ao maior número de ocorrências, os bombeiros ampliaram de 547, no mesmo período do ano passado, para cerca de 900 intervenções nos primeiros 100 dias da operação, evitando demanda reprimida e garantindo o combate efetivo aos incêndios registrados. A Bahia também está abaixo da média nacional de focos de calor, situação diferente da registrada no ano passado.

Para o coronel Aloisio Fernandes, o resultado ganha ainda mais relevância diante das condições meteorológicas enfrentadas este ano. Nos primeiros 100 dias de operação, os bombeiros percorreram mais de 460 mil quilômetros, consumiram cerca de 53 mil litros de combustível nas ações e realizaram 1.452 atividades preventivas. O trabalho de combate já alcançou 107 municípios, mais de 26% das cidades baianas. “É realmente resultado de um esforço. Eu falo aqui em nome de todos os bombeiros: estamos com dedicação exclusiva aos incêndios florestais, hoje, com 189 bombeiros e bombeiras”, ressaltou o coronel Aloisio Fernandes.

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Ações de saúde

Na área da Saúde, o Estado está em fase de mobilização e acompanha os municípios prioritários a partir do cruzamento de informações sobre decretos de emergência, focos de calor, baixa umidade e altas temperaturas. Dos nove Núcleos Regionais de Saúde (NRS), cinco já contam com planos regionais de preparação e resposta, que avaliam a capacidade da rede instalada e as vulnerabilidades de cada região.

“A gente ainda tem, pontualmente, municípios em emergência, mas, no geral, estamos na fase de mobilização. Ainda não chegamos à fase de alerta ou de emergência”, explicou o coordenador da Vigilância de Populações Expostas aos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres) da Secretaria de Saúde (Sesab), Edson Ribeiro Júnior.

Imagem ilustrativa da imagem Após 100 dias de combate a incêndios florestais, bombeiros registram queda de 29% nos focos de calor durante a operação
Foto: Corpo de Bombeiros

Entre as novas medidas está a publicação de portaria, nesta terça-feira (6), que amplia a estratégia estadual de fornecimento de medicamentos para situações de emergência em saúde pública. O Estado já dispunha de um kit para desastres, adaptado à realidade dos municípios de menor porte.

“Nessa nova portaria, a gente inseriu um kit de medicamentos específico para seca. Pensamos nas dermatites, ressecamento ocular, intoxicação por fumaça, reidratação oral e venosa, olhando para os agravos que monitoramos e para a forma como podemos apoiar os municípios”, explicou Edson. A portaria também cria um kit específico para surtos de arboviroses, voltado principalmente à reidratação e analgesia. A estratégia prevê estoques de retaguarda nos nove NRS, além da manutenção de uma reserva no nível central para atender às demandas dos municípios.

A Sesab também trabalha diretamente com os municípios prioritários na elaboração dos planos de contingência e mantém monitoramento diário dos alertas meteorológicos e dos impactos sobre a saúde. A atenção está concentrada especialmente nas populações mais vulneráveis, como comunidades rurais, quilombolas e indígenas, crianças menores de cinco anos, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, além dos profissionais que atuam diretamente na resposta como brigadistas, bombeiros, agentes de saúde e equipes de Defesa Civil.

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