SALVADOR
O que faz uma creche comunitária ser referência em Salvador
Há 50 anos em Nova Esperança, instituição do Monte Tabor une pedagogia e afeto para os jovens


As paredes contam um pouco do que acontece ali. Desenhos, pinturas e atividades feitas pelas próprias crianças dividem espaço com livros, brinquedos e materiais pedagógicos. Nas salas limpas e organizadas, cada detalhe é preparado para receber quem chega todos os dias. Atualmente, 150 crianças e adolescentes fazem parte da rotina da Creche-escola Amor ao Próximo, que atua há 50 anos na comunidade de Nova Esperança/CEASA, em Salvador, mantida pelo Monte Tabor - Centro Ítalo-Brasileiro de Promoção Sanitária.
Na Educação Infantil, a Creche-escola recebe crianças de 2 a 5 anos. O dia envolve acolhimento, alimentação, acompanhamento das atividades por meio de sistema e uma programação pedagógica que procura aproximar o aprendizado da vida cotidiana. Por trás dessa rotina está uma equipe de educadoras comprometida com o desenvolvimento das crianças e que também recebe orientação pedagógica para o planejamento das atividades.
A proposta vai além dos conteúdos tradicionalmente associados à Educação Infantil: autonomia, respeito ao outro, convivência e responsabilidade também são aprendizados trabalhados desde os primeiros anos. Em uma das experiências, por exemplo, um cenário montado com ruas, veículos e pedestres transforma a sala de aula em uma pequena cidade para ensinar, de forma lúdica, segurança no trânsito, atenção, responsabilidade e convivência.

A leitura ocupa um espaço especial nesse processo. Os livros fazem parte do cotidiano e ajudam a ampliar vocabulário, imaginação e repertório, enquanto as produções das próprias crianças ganham as paredes da Creche-escola. O ambiente deixa, assim, de ser apenas o lugar onde elas estudam para carregar também um pouco de suas descobertas, histórias e conquistas.
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O cuidado chega também à mesa. A alimentação de qualidade integra a rotina e se soma à atenção permanente com higiene, segurança e organização dos ambientes. São elementos aparentemente simples, mas que traduzem uma escolha importante: não basta garantir que uma criança tenha acesso à educação; importa também como ela é recebida, alimentada, estimulada e cuidada todos os dias.
Para crianças e adolescentes de 7 a 13 anos, o Projeto D. Luigi amplia esse trabalho no contraturno escolar. Com a participação de voluntários, são oferecidas oficinas de dança, canto, artesanato, capoeira e música. A partir dos 10 anos, os participantes também têm acesso a atividades de inclusão digital na sala de informática.

A educação ambiental completa essa formação voltada para a vida. Em experiências com compostagem e aproveitamento de resíduos orgânicos, as crianças aprendem sobre sustentabilidade enquanto participam de ações relacionadas à produção de adubo orgânico líquido. O conhecimento, mais uma vez, sai da explicação e ganha forma na prática.


