O GRANDE VILÃO DE 2026
Tomate 156% mais caro em Salvador: veja o porquê e quanto pesa no bolso
Chuvas retardaram ciclo das plantas e maturação do fruto e causaram redução na oferta na capital


O tomate foi o grande vilão da cesta básica do soteropolitano, não somente no mês de setembro, em que registrou alta de 43,75%, mas em todo o ano quando aumentou em 156,76% em 2026.
Os dados são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base em 3.353 cotações de preços realizadas em 88 estabelecimentos comerciais da capital baiana.
Neste mês, a cesta básica passou a custar R$ 608,50, diante do aumento de 3,64% em relação ao mês de agosto de 2026.
Por que o tomate aumentou tanto?
Imprescindível na mesa do brasileiro, o tomate vem registrando um aumento significativo a cada mês. No mês de setembro, o preço do tomate em Salvador chegou a R$ 6,21 e registrou participação de R$ 34,16 na cesta básica do mês.
De acordo com a SEI, o aumento está ligado à redução da oferta nos principais mercados do país, motivada pelas temperaturas mais baixas que retardaram o ciclo das plantas e a maturação dos frutos, da mesma forma que do esgotamento das áreas em ponto de colheita e das chuvas, que dificultaram as atividades no campo.
Diante da escassez de frutos aptos à comercialização, observou-se a presença expressiva de tomates verdes nos entrepostos, fenômeno característico de períodos de valorização. Esse movimento teve início na segunda metade de agosto e se estendeu ao longo de setembro.
Especialistas explicam que essa sensibilidade ao preço afeta mais o tomate porque o fruto é considerado perecível, dependente do clima, da oferta regional e das condições de transporte.
"O tomate é um fruto muito sensível, de acordo com os produtores, qualquer mudança climática com alteração de temperaturas, de índices pluviométricos, de intensidade de luz solar impacta na produção e na qualidade, resultando em queda da produção, aumento das perdas e dos custos. Geralmente o período do final do inverno com temperaturas mais baixas e clima seco reduz a produção e, a menor oferta consequentemente gera aumento dos preços", explica o Consultor de Economia e Finanças, Antonio Carvalho em entrevista ao Portal A TARDE.
Altas no mês
Dos 25 produtos da Cesta Básica de Salvador, 17 produtos apresentaram aumento. A batata-inglesa foi uma delas, que também sofreu com a falta de oferta nos mercados atacadistas pelas praças produtoras de São Paulo e de Minas Gerais, afetadas pelas chuvas.
Confira os cinco produtos mais caros de setembro:
- Tomate (43,75%);
- Flocão de milho (34,48%);
- Batata inglesa (34,16%);
- Cebola (17,20%)
- Maçã (7,46%);
- Farinha de mandioca (6,54%);
- Café moído (5,36%),
Oito produtos, entretanto, registraram redução nos preços, a saber:
- Cenoura (-7,46%);
- Feijão (-5,17%)
- Frango (-4,48%)
- Queijo prato (-2,47%)
- Ovos de galinha (-2,34%)
- Macarrão (-1,78%)
- Pão francês (-0,77%)
- Manteiga (-0,29%).
O aumento nos produtos que compõem a Cesta Básica de Salvador também afetou o almoço soteropolitano - composto por feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola. No mês, a refeição apresentou aumento de 5,27% e foi responsável por 37,78% do valor da referida cesta básica.
Por sua vez, dentro desta cesta, o subgrupo de gêneros alimentícios próprios da refeição matinal soteropolitana – formado por café, leite, açúcar, pão, manteiga, queijos e flocão de milho – sofreu aumento de 0,57% e correspondeu à 35,35% do valor da cesta no mês de setembro de 2026
Alta atinge quase metade do orçamento soteropolitano
Em setembro de 2026, o tempo de trabalho gasto por um trabalhador para obter uma cesta básica em Salvador foi de 89h 16min, comprometendo 40,58% da renda mínima constitucional.
De acordo com a SEI, considerou-se um salário mínimo líquido no valor de R$ 1.499,431, descontando-se 7,50% de contribuição previdenciária do salário bruto de R$ 1.621,00.