ECONOMIA
Bahia Origem Week estreia com foco em gastronomia, pesca e artesanato
Edição deste ano integra o Chocolat Festival e a Expo Pesca Nordeste
Por Carla Melo e Isabela Cardoso
A efervescência da produção local e das riquezas naturais da Bahia tomou conta de Salvador nesta quinta-feira, 3, com a abertura da 4ª edição do Bahia Origem Week, no Centro de Convenções. Considerada uma das maiores e mais consagradas feiras de origem e negócios do país, o evento retorna reunindo uma programação diversa, gratuita e cheia de experiências sensoriais, gastronômicas e culturais.
A edição deste ano, que integra o Chocolat Festival e a Expo Pesca Nordeste, marca um importante intercâmbio de atividades e saberes, com o objetivo de fomentar o setor produtivo baiano. Para ter acesso ao evento, é solicitado ao público a doação de 1Kg de alimento não perecível, que será destinado à campanha Bahia Sem Fome.
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Idealizador do evento, o empresário Marco Lessa reforçou, em entrevista ao Portal A TARDE, a importância de valorizar e divulgar os produtos e talentos das diversas regiões do estado.
“Faltava um espaço com muita dignidade e qualidade para apresentar os produtos de centenas de empreendedores do estado inteiro. O incrível é que o estado é muito grande, e muitas vezes as pessoas não sabem disso. Às vezes uma região não sabe que a gente produz queijo premiado, charutos reconhecidos, chocolates especiais, artesanato de primeira. Trazer isso para a capital é importante para o estado se reconhecer, e também para os visitantes”, destaca.
Para Lessa, o crescimento do evento ano após ano mostra a relevância da proposta. “O Brasil e a Bahia são formados por empreendedores, microempreendedores, agricultores familiares, A cada ano o evento cresce, e a gente quer que o Origem Week seja esse grande encontro da diversidade e das origens dessa rica Bahia que tanto nos orgulha”, completa.
Valorização da pesca
Entre os destaques da programação está a valorização da pesca e da aquicultura, representada pela presença da Bahia Pesca. Daniel Vitória, presidente da empresa, ressaltou a importância da presença do pescado na feira como elemento de identidade baiana.
“A Bahia Pesca, por si só, já tem uma estrutura que contempla todos esses seres aquáticos, não só a pesca artesanal. Apesar de a gente ter o maior litoral do Brasil, nós temos essa riqueza hídrica gigantesca, vários biomas. Então a gente consegue trazer toda essa riqueza um pouquinho aqui para essa feira”, diz.

Segundo Daniel, a inserção do pescado no evento celebra não apenas a economia do mar, mas a própria história do povo baiano. Ele relembrou as outras edições, as quais tinham produtos originários da Bahia, mas não havia o pescado.
“No Recôncavo, temos os quilombolas; no extremo sul, os indígenas. Isso se confunde com a história da Bahia. O pescador artesanal é também um povo tradicional, é um povo originário. Então trazer a cultura do pescador artesanal, da marisqueira, é trazer um pouco da história da Bahia. É mais do que um pedaço de uma feira, é um marco significativo para a história da pesca na Bahia”, destaca.
Aquicultura como política pública
A secretária nacional da Aquicultura, Tereza Nelma, também marcou presença na abertura. Ao Portal A TARDE, ela destacou os investimentos federais voltados ao fortalecimento da aquicultura como política pública estratégica para o combate à fome e o desenvolvimento regional.

“Estamos aqui representando o Ministério da Pesca e Aquicultura com a Superintendência da Pesca e Aquicultura da Bahia, onde realizamos a aula presencial do primeiro curso online de aquicultura do Brasil, com a chancela da UNP e da FAO. Um curso de 160 horas que ensina desde o que é a aquicultura até como acessar crédito, algo essencial para a inclusão produtiva”, afirma.
A secretária pontuou iniciativas que visam a capacitação de homens e mulheres no setor, como o convênio firmado com a UFRB e a criação de tecnologias inovadoras, como alimentadores automáticos para tanques de criação.
“Nós acreditamos que, com apoio do governador, dos parlamentares e dos investimentos certos, a aquicultura pode mudar a história da Bahia. Temos rios, lagos, oceano, mar, lagoas e açudes, um potencial imenso. E eu digo: a aquicultura é uma grande política pública. Todo brasileiro pode criar um peixe no fundo do quintal e matar sua fome. É isso que nós precisamos no país”, completa.

Economia e turismo
Para o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacelar, o Bahia Origem Week cumpre um papel estratégico ao integrar diferentes áreas e fomentar a economia em todas as regiões do estado.
“Nós aqui reunimos desde a agricultura familiar até a agroindústria, com produtos de origem animal, mas também com muitos elementos da economia criativa. Isso estimula a economia do nosso Estado, fortalece o turismo da Bahia com os seus produtos de origem das 13 zonas turísticas. É uma ação do governo do Estado que estimula a economia, mas também o fluxo turístico”, afirma Bacelar.
Segundo o secretário, o governo baiano tem investido em diversas frentes para fortalecer o setor turístico, incluindo formação profissional, obras de infraestrutura e promoção do destino Bahia. “Trazer os produtos de origem baiana das 13 zonas turísticas para expor aqui na capital é estimular a curiosidade das pessoas em relação à origem desses produtos que são elaborados”, completa.
Agricultura baiana
O novo secretário de Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, destacou o papel estratégico da feira no fortalecimento da agricultura familiar e na valorização do trabalho no campo.
“É uma feira importantíssima para valorizar os produtos da nossa Bahia. Aqui falamos de pesca, aquicultura com sustentabilidade, do chocolate e do cacau que produzimos com tanta eficiência. A Origem Week mostra os quatro cantos da Bahia e projeta para o Brasil tudo o que nossa agricultura familiar tem de bom. Isso fortalece laços, revoluciona a cadeia produtiva e valoriza quem mais precisa: o homem e a mulher do campo”, pontua.

Barrozo reforçou ainda o compromisso da nova gestão com a continuidade das boas práticas e a busca por inovação. “É sempre um desafio lidar com a agricultura em um estado onde esse setor é tão forte. Mas temos um corpo técnico exemplar e o apoio de um governador que conhece de perto a realidade do campo. Isso nos dá tranquilidade para desenvolver um trabalho sério, comprometido com o produtor rural”, conclui.
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