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Madalena trabalha com ajudante de hidráulica em uma obra há 7 meses

8 DE MARÇO, 8 MULHERES, 8 HISTÓRIAS

Entre tubos e coragem: a história da mulher que desafia o machismo nas obras

Madalena Paixão é a terceira personagem da série especial do Portal A TARDE; veja a trajetória da mulher que decidiu não desistir

Madalena trabalha com ajudante de hidráulica em uma obra há 7 meses - Foto .José Simões / Ag. A TARDE

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Andrêzza Moura

Por Andrêzza Moura

07/03/2026 - 8:30 h

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No terceiro capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, a reportagem segue para o canteiro de obras do empreendimento Legacy, no Caminho das Árvores, em Salvador - que será o maior edifício da Bahia e foi premiado como melhor arranha-céu das Américas pelo International Property Awards.

É nesse lugar de grandes estruturas, concreto e tubulações que o Portal A TARDE apresenta Madalena Paixão Costa, 37 anos.

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Ajudante de hidráulica, há sete meses, ela representa uma geração de mulheres que vem conquistando espaço em um setor historicamente dominado por homens.

Entre ferramentas, conexões e muito aprendizado, ela constrói sistemas hidráulicos e constrói também um novo capítulo da própria história, marcado por coragem, descobertas e persistência.

No setor onde a ajudante de hidraúlica trabalha estão 17 homens e somente ela de mulher.

Um sonho antigo que ganhou oportunidade

Madalena lembra que o interesse pela construção civil não surgiu por acaso. Desde pequena, ela conviveu com esse universo dentro da própria família. “Meu pai é carpinteiro e meu avô era mestre de obras. Então, essa vontade sempre existiu em mim”.

Ela relata que a oportunidade de transformar essa vontade em profissão veio por meio de cursos realizados no Senai. Determinada, decidiu aproveitar todas as chances que surgiram. “Eu fiz três cursos: pedreira, pintura de obras e gesso. Quando apareceu essa chance, eu me joguei”, disse ela, entre risos.

Madalena agarrou as oportunidades com 'unhas e dentes'
Madalena agarrou as oportunidades com 'unhas e dentes' | Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

Orgulhosa de si mesma e feliz por exercer a profissão que escolheu, a ajudante relata que, durante a formação, uma coordenadora percebeu sua dedicação e fez uma promessa que ela jamais esqueceu.

“Ela sempre dizia: ‘quando surgir uma vaga, eu vou correr atrás para você’. E foi exatamente o que aconteceu”, relembra a ajudante, cheia de gratidão por todo o apoio recebido.

E, quando finalmente surgiu a oportunidade, a emoção falou ainda mais alto. “Eu chorei. Porque a gente quer muito, mas nem sempre as portas se abrem, principalmente para mulheres”.

O primeiro passo dentro da obra

Para Madalena, chegar ao canteiro de obras foi, ao mesmo tempo, um desafio e uma conquista. Sem experiência prática na área, ela sabia que precisaria aprender tudo do início.

“Eu cheguei sem experiência nenhuma, mas fui muito bem amparada. Tive colegas que me ensinaram passo a passo: como cortar um tubo, como usar um PEX, coisas que eu nunca tinha visto”, explicou.

Inicialmente, ela chegou ao local para trabalhar como ajudante de pedreiro. No entanto, o destino reservava outro caminho. “Me colocaram na hidráulica. Hoje, se você me perguntar do que eu gosto mais, eu respondo: hidráulica”, afirma, sem titubear.

Uma paixão que surgiu no caminho

O que começou como um aprendizado acabou se transformando em paixão. Madalena conta que nunca havia visto uma mulher trabalhando nessa área antes. Por isso, perceber que estava construindo esse espaço foi algo inesperado.

“Eu nunca tinha visto uma ajudante de encanador, imagine uma encanadora. Então, acabou virando uma realização que eu nem esperava”, disse ela, ainda surpresa.

“Eu nunca tinha visto uma ajudante de encanador, imagine uma encanadora"
“Eu nunca tinha visto uma ajudante de encanador, imagine uma encanadora" | Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

Apesar do esforço físico do trabalho, ela encara os desafios com naturalidade e não se esquiva quando precisa pegar materiais pesados. “Tem peso, tem esforço. A gente levanta saco de 25 quilos, pega material pesado. Mas eu tiro de letra”, pontua, entre risos.

Essa força também se apoia na superação de experiências marcantes do passado. “Eu tive uma fratura de fêmur há 20 anos e tenho parafusos na perna. Mesmo assim estou aqui, trabalhando normalmente”.

O orgulho que chega em casa

Se no trabalho ela aprende diariamente novas técnicas, em casa, Madalena recebe o reconhecimento mais importante: o do filho de 13 anos. Um episódio simples na escola dele marcou profundamente a ajudante de hidráulica.

Agora, Madalena sonha sem ser encanadora
Agora, Madalena sonha sem ser encanadora | Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

“Perguntaram para ele o que a mãe fazia. Ele respondeu: ‘minha mãe agora é encanadora’. Eu nem sou ainda oficialmente, mas aquilo me emocionou”, relata.

Ela ressalta que episódios como esse, compartilhados com o filho, reforçam a importância e o valor de todo o esforço. “Eu ainda tenho muito a aprender, mas quero chegar lá”, acrescenta.

Uma vida de trabalho desde cedo

Antes de chegar à construção civil, ela já havia passado por diversas atividades. Desde muito jovem, aprendeu a trabalhar e se virar. “Eu trabalho desde os 12 anos. Já fui digitadora, já dei aula de bicicleta para crianças, adultos e idosos”, conta.

Mesmo com experiências em diferentes áreas, ela encontrou na obra um novo propósito. “Hoje, se você me perguntar, eu digo que me apaixonei pela hidráulica”, ratifica.

A única mulher da equipe

Atualmente, Madalena é a única mulher entre quinze trabalhadores no setor de hidráulica da obra. Para ela, essa condição não é motivo de intimidação, pelo contrário. Ela conta que recebe reconhecimento dos colegas pela dedicação e proatividade.

“Todo mundo que trabalha comigo diz que eu vou longe porque sou dedicada. Eu não fico esperando alguém mandar fazer. Eu vou lá e faço”.

Força e persistência
Força e persistência | Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

Mas, ela revela que, de vez em quando, ainda enfrenta situações de preconceito e que é preciso se posicionar. “Já ouvi comentários dizendo que tinham que ter cuidado comigo por causa da perna [lesão] . Eu digo logo: não precisa. Eu sei trabalhar e sei me cuidar”.

Independência e força feminina

A forma como Madalena encara o trabalho e a vida foi fortemente moldada pelos ensinamentos da mãe, que sempre incentivou a independência das filhas. Ela relembra o que ouvia desde cedo: “minha mãe sempre dizia: trabalhem para não depender de homem”.

Para ela, essa orientação se tornou um princípio norteador da vida, fazendo do trabalho não apenas uma fonte de sustento, mas, acima de tudo, uma expressão de liberdade.

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“A mulher tem que estar onde ela quiser. Não existe essa história de que mulher nasceu só para cuidar da casa. A gente pode fazer tudo”, ratifica ela, com convicção.

Um futuro que ainda está começando

Madalena sente que ainda há muito a conquistar em sua trajetória profissional. Ela revela que seu objetivo é claro. “Hoje eu sou ajudante de encanador, mas quero ser encanadora", declara.

Além disso, a ajudante diz que deseja continuar crescendo dentro da construção civil, adquirindo cada vez mais conhecimento e experiência. “Essa obra um dia vai acabar, mas eu quero seguir para outras. Quero continuar trabalhando, aprendendo e evoluindo”, afirma.

E, antes que surgisse qualquer dúvida, a ajudante afirmou em alto e bom som, mostrando que vive intensamente o presente, mas com o olhar voltado para o futuro: “Eu não estou morta. Eu estou viva!”.

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E é com essa energia que Madalena Paixão Costa segue todos os dias para o canteiro de obras, provando que sonhos podem ser construídos, literalmente, com as próprias mãos.

Próxima história: Érica transforma o sonho do pai em realidade

No próximo capítulo da série “Oito de Março, Oito Mulheres, Oito Histórias”, o som das ferramentas dá lugar ao movimento das máquinas. O Portal A TARDE acompanha a trajetória de Érica Soledade Mercês de Oliveira, operadora de empilhadeira na BYD, que aprendeu o ofício com o apoio do pai, também operador.

Hoje, ela conduz grandes equipamentos com a mesma determinação que move a história de tantas mulheres que transformam trabalho em conquista.

Érica Soledade Mercês de Oliveira
Érica Soledade Mercês de Oliveira | Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

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Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento "Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança". O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador - BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.

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