No quarto capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, o Portal A TARDE foi até a fábrica de carros elétricos da BYD, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS). Lá, a reportagem conheceu a trajetória de Érica Soledade Mercês de Oliveira, 39 anos, única mulher entre 14 homens no setor de operadores de empilhadeira.
Determinada e apaixonada pelo que faz, ela aprendeu o ofício com o pai, seu Natanael Rodrigues das Mercês, que também foi operador de empilhadeira e motorista carreteiro e faleceu há oito meses.
“Ele me motivava e me incentivava muito a estar aqui”, lembra Érica, entre lágrimas, ao falar do legado que a inspirou a seguir nessa carreira e do apoio que recebeu do pai para conquistar uma vaga na fábrica.
Um sonho que veio de casa
Antes de se tornar operadora de empilhadeira, Érica trabalhou em outras funções, como telemarketing e segurança, mas sempre manteve o sonho de trabalhar na área, motivada pelo exemplo do pai.
Ela conta que, quando ele sugeriu que ela fizesse o curso, a oportunidade se tornou realidade. “Nas conversas dentro de casa, ele explicava tudo sobre empilhadeira. Pediu para eu fazer o curso, fiz e, hoje, estou na área”, conta. Já são quatro anos de profissão.

Antes de iniciar a trajetória na BYD, há três meses, Érica trabalho em outra empresa. Ela relembra, cheia de orgulho, que no processo seletivo, se destacou entre 30 candidatos homens.
“Na seleção, tinha 30 homens, 30 operadores de empilhadeira e só eu de mulher. Fiquei feliz da vida quando fui selecionada para poder fazer o teste prático e em saber que eu consegui e que entrei”, lembra.
Quebrando barreiras em um setor masculino
Érica conta que, no início, conviver em um ambiente predominantemente masculino foi desafiador, mas, com o tempo, os colegas passaram a reconhecê-la e apoiá-la. Ela comenta: “No começo, alguns ficaram surpresos e disseram: 'é a primeira vez que trabalho diretamente com uma mulher'. Mas eles me ajudam muito e me abraçam. A gente consegue trabalhar tranquilamente”, afirma ela.
Preconceito, segundo ela, existe, mas não a intimida. A operadora explica que quando os colegas veem que ela consegue desempenhar a função tão bem quanto eles, a situação muda.

“Eles ainda acham diferente ver uma mulher operando a empilhadeira. Mas quando entendem que a gente consegue fazer o serviço tão bem quanto eles, já ficam mais tranquilos”, pontua.
Um legado que inspira
O filho de Érica observa com curiosidade e orgulho cada passo da mãe na fábrica. Assim como o pai, seu Natanael, fazia com ela, a operadora também compartilha com o jovem, de 20 anos, histórias e aprendizados da profissão, despertando nele interesse e admiração pelo trabalho que realiza.

"Ele acha lindo, fica curioso, pergunta as coisas, como é que eu faço, se é complicado, se não é. Ele gosta muito de dirigir e, às vezes ele demonstra esse interesse, mas ele é mais voltado para a área técnica", explica.
O sonho maior de Érica é se tornar carreteira, como o pai também era. Ela está se preparando para trocar a habilitação para alçar novos voos na carreira e na BYD. “Tenho que trocar habilitação, primeiro para B e depois para E. E devagarzinho chego lá. Quero aproveitar todas as oportunidades que a empresa oferece”, revelou.
Determinação e inspiração
Para Érica, o Dia da Mulher vai além de datas no calendário. “Os nossos dias são todos. O que eu gostaria que a sociedade enxergasse é que nós somos mulheres e podemos estar onde quisermos. É uma escolha, é onde nos identificamos e nos sentimos melhor”, reflete.

Ela deixa uma mensagem para todas as mulheres que sonham, mas que ainda têm medo de perseguir seus objetivos. Para Érica, acreditar em si mesma e não se deixar abalar por opiniões negativas é fundamental para seguir em frente.
“Nunca se abata e corra atrás. Se é um sonho, vá. Não se preocupe com as sinalizações negativas. Foque no seu sonho, na sua busca, porque nós temos capacidade e podemos chegar onde quisermos, em qualquer área”, finaliza Érica Soledade Mercês de Oliveira.
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Próximo capítulo: a primeira mulher na operação viária
No quinto capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, o Portal A TARDE seguirá para a Concessionária Bahia Norte para contar a história de Tiele Medrado, primeira e única mulher a atuar como operadora viária no setor.
A reportagem vai mostrar como ela construiu seu espaço em uma área historicamente ocupada por homens e de que forma transforma desafios diários em conquistas, reforçando que a presença feminina pode chegar a qualquer lugar.

“8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias” - Matérias
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Entre tubos e coragem: a história da mulher que desafia o machismo nas obras
Com o objetivo de debater temas fundamentais para o público feminino, o Grupo A TARDE promove o evento "Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança". O encontro será realizado no dia 17 de março, das 15h às 18h, no Auditório do SEBRAE (Rua Arthur de Azevêdo Machado, 1225, Edf. Civil Towers, Costa Azul, Salvador - BA). A iniciativa integra as celebrações em torno do Dia da Mulher, reunindo discussões sobre protagonismo e proteção no cenário atual.
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