INSATISFAÇÃO
IBGE registra greve na Bahia em meio a crise contra direção nacional
Cerca de 40% dos servidores já aderiram à paralisação

Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Bahia entraram em greve nesta semana devido a uma escalada de conflitos entre a categoria e a direção nacional do instituto. O movimento é organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE) e contesta uma série de decisões recentes da gestão.
Cerca de 40% dos servidores das 50 unidades do IBGE na Bahia aderiram à paralisação, enquanto outras oito unidades permanecem em estado de greve e devem realizar assembleias para decidir sobre a adesão ao movimento ao longo da semana.
Além da Bahia, a greve acontece também no estado do Rio de Janeiro, onde estão paralisadas a sede nacional do IBGE, que aderiu ao movimento na semana passada, e a Superintendência no estado.
Entenda o motivo da paralisação
Um dos principais pontos de insatisfação que motivaram a greve foram as mudanças nas regras de trabalho dos servidores que ingressaram no último Concurso Nacional Unificado (CNU), além de alterações na progressão da carreira e mudanças na remuneração da indenização de campo.
Segundo a ASSIBGE, a mudança no regime de trabalho dos servidores recém-chegados ocorreu pouco antes do fim do período de estágio probatório. De acordo com o sindicato, os aprovados no concurso haviam sido informados de que poderiam ingressar no regime híbrido após um ano, previsão alterada por uma portaria publicada em julho.
O sindicato considera que a mudança foi feita sem discussão prévia com os servidores e afirma ter apresentado um mandado de segurança para suspender os efeitos da medida.
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Outro ponto que motivou a paralisação foi a indenização de campo paga aos servidores que realizam atividades externas. A categoria contesta mudanças nas regras de pagamento e afirma que a alteração ocorreu de forma repentina.
Há também questionamentos sobre as condições físicas das unidades e decisões relacionadas à estrutura tecnológica do instituto. O sindicato relata problemas de infraestrutura, como falta de internet e energia, mobiliário inadequado e espaços considerados inadequados para o trabalho presencial.
Gestão insatisfatória
O sindicato também direciona críticas à condução institucional do IBGE. Segundo o sindicato, os espaços de participação dos servidores foram reduzidos desde o início da atual gestão. A ASSIBGE cita como exemplo o funcionamento do Conselho Curador, que teria realizado apenas uma reunião neste ano.
Além disso, os trabalhadores questionam um contrato estimado em R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Segundo a ASSIBGE, a contratação estaria relacionada à transferência de serviços e recursos tecnológicos do instituto. O sindicato diz que o IBGE possui estrutura própria de processamento de dados e que não houve discussão suficiente com o corpo técnico sobre a necessidade da medida.
A ASSIBGE afirma ter levado parte dos questionamentos ao Tribunal de Contas da União (TCU), além de ter buscado interlocução com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e parlamentares.


