CONFLITOS
Itacaré: Turistas israelenses tentam vandalizar mural pró-Palestina
Grupo teria realizado atividades sem autorização no imóvel, segundo ativistas.


Um grupo de turistas israelenses tentou danificar um mural com mensagens de solidariedade ao povo palestino, produzido coletivamente por moradores, artistas e estudantes de Itacaré, no sul da Bahia, na sexta-feira, 30. A ação foi contida por pessoas que estavam na praça, segundo relato da professora Mariá Veiga, coordenadora da Frente Palestina do Sul da Bahia.
“Um grupo, que devia ter umas sete pessoas vestidas com as vestimentas tradicionais, foi caminhando até o casarão com a proposta de danificar o mural feito pelos moradores, pelos artistas, pelos estudantes, pela comunidade. Eles foram com essa intenção. E aí os próprios nativos, não estávamos nós, ativistas, nada disso. As próprias pessoas que estavam na praça protegeram o mural, porque as pessoas ficaram felizes com aquele mural ali”, explicou Mariá.
A intervenção artística foi realizada nas paredes de um casarão na Praça São Miguel e reuniu frases, pinturas e lambes em apoio aos palestinos, além de críticas às violências coloniais sofridas por diferentes povos. A atividade integrou uma manifestação em defesa do chamado “turismo ético” em Itacaré, que também denuncia práticas de racismo atribuídas a visitantes.
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Mural foi produzido durante evento cultural
Segundo Mariá Veiga, a pintura ganhou dimensão durante a Flicaré, feira de livros realizada na cidade. A programação cultural atraiu moradores e visitantes à praça e contou com a participação de artistas que se juntaram à mobilização.
“Vários artistas começaram a chegar, cada um querendo expressar um pouco da sua indignação, e ficou um painel bem maior daquilo que eu combinei”, explicou a professora.
A Frente Palestina afirma que o casarão tem importância histórica para Itacaré, por já ter abrigado uma escola de música. Segundo o coletivo, o imóvel foi alugado nos últimos meses por um grupo de israelenses, que teria utilizado o espaço sem as autorizações necessárias e para promover ideias supremacistas, racistas e sionistas.
Mariá também relatou que o grupo realizava cerimônias e preparava alimentos para comercialização no local, além de mencionar relatos de uso de pólvora e armas de fogo.
“Lá eles faziam as cerimônias deles, cozinhavam, faziam tipo um restaurante, sendo que não tinha alvará para isso, para restaurante. Na verdade, não tinha alvará para nada. E lá eles faziam uma série de coisas. Foram vistos vídeos deles usando pólvora lá dentro, com armas de fogo, muito, muito álcool”, afirmou.
Ainda de acordo com a Frente Palestina, o proprietário do casarão, que inicialmente havia autorizado a intervenção artística, pediu a retirada das mensagens das paredes após pressão de empresários da região.
Proprietário contesta pinturas e diz que não autorizou intervenção
Em pronunciamento divulgado em vídeo nessa segunda-feira, 2, o proprietário do imóvel, Marcelo Barros, afirmou que as pinturas não haviam sido autorizadas e não correspondiam ao que tinha sido combinado com os manifestantes. Ele também informou que o casarão recebeu novamente sua pintura original.

“Então, por conta de uma não conformidade com o que foi combinado, as paredes do casarão foram tomadas por pinturas que não estavam autorizadas. Não é? Então não foi o que foi combinado”, declarou.
Marcelo afirmou que o imóvel pertence à família há mais de um século e negou que ele ou seus familiares sejam racistas ou contrários a qualquer grupo étnico, racial ou religioso. No vídeo, também criticou o que considera uma postura de perseguição contra pessoas que chegam à cidade para morar.
“Todos que chegam a Itacaré sempre são recebidos com muito carinho, com muito amor e, acima de tudo, com muito respeito. Então, todas essas pessoas que há muitos anos chegaram de outros lugares para morar em Itacaré, sempre foram respeitadas, sempre foram muito bem recebidas, nunca foram perseguidas nem discriminadas”, afirmou.
O proprietário disse ainda que as autoridades foram informadas sobre o caso, que câmeras foram instaladas no casarão e na área da Praça São Miguel e que não autorizará novas intervenções no imóvel.
Veja vídeo completo com fala do proprietário do imóvel Marcelo Barros.
Prefeitura afirma que não houve agressões
Procurada pela reportagem de A TARDE, a Secretaria de Comunicação de Itacaré afirmou que não houve nenhum tipo de agressão durante o episódio.


