MATERIALIDADE
MP pede júri popular para filho de vereadora que atropelou atleta
Justiça ressalta que conduta do empresário representou "perigo comum"


O Ministério Público da Bahia (MP-BA), por intermédio da promotora de Justiça Andrea Lemos Fontoura, pediu que o empresário Cleydson Cardoso Costa Filho seja levado a júri popular pela tentativa de homicídio duplamente qualificado do maratonista Émerson Pinheiro, de 30 anos.
O atropelamento ocorreu em agosto do ano passado, enquanto o atleta treinava na calçada da Avenida Octávio Mangabeira, na Pituba. A vítima teve a perna direita amputada.
Acusação
Em documento de 20 páginas enviado à 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital, a acusação sustenta que as provas de materialidade e os indícios de autoria do crime são inequívocos. As alegações finais baseiam-se em depoimentos e laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT).
De acordo com a perícia oficial, o acusado trafegava a quase 90 km/h em um trecho de orla urbana cujo limite máximo é de 40 km/h.
O DPT atestou ainda que a velocidade do veículo já se mantinha acima do permitido antes do choque e confirmou que o motorista conduzia sob o efeito de álcool.
"Perigo comum"
A promotora ressalta que a conduta do empresário representou "perigo comum", exposto o risco a transeuntes e frequentadores dos quiosques no momento do acidente, por volta das 5h40.
O MP-BA apontou também a qualificadora de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que o maratonista corria em área destinada a pedestres, protegida por balizadores de concreto, quando foi surpreendido pelo automóvel.
Leia Também:
Acidente
No dia 16 de agosto do ano passado, o estudante de educação física realizava o treino final para a Maratona de Buenos Aires quando foi atingido pelo carro do acusado, que invadiu o passeio em frente à Colônia de Pescadores, destruiu a proteção de cimento e derrubou um coqueiro.
Internado no Hospital Geral do Estado (HGE), Émerson precisou amputar a perna direita e passou por intervenções cirúrgicas devido a múltiplas fraturas na perna esquerda, permanecendo cerca de 30 dias hospitalizado.
O motorista foi preso em flagrante sem ferimentos e cumpriu 30 dias de prisão preventiva antes de obter liberdade provisória sob restrições, incluindo monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Em depoimento prestado na terceira audiência de instrução, o réu negou que estivesse embriagado.
Atualmente, o atleta realiza sessões de fisioterapia para adaptação e aguarda o cumprimento de decisão liminar para a concessão de uma prótese.


