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Ranking global destaca 19 cientistas da Bahia; veja quem são

Pesquisadores estão entre os nomes de maior influência no cenário científico mundial

Alice Paulilo
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Veja quem são os cientistas baianos de destaque mundial
Veja quem são os cientistas baianos de destaque mundial - Foto: Adilton Venegeroles / Ag. A Tarde

Um levantamento internacional identificou 19 cientistas vinculados a instituições que atuam na Bahia entre os pesquisadores de maior impacto e influência no mundo. O ranking foi divulgado neste sábado, 31, e considera indicadores de citações científicas com profissionais de diferentes áreas do conhecimento.

Do total, 17 pesquisadores estão ligados a universidades baianas. Os outros dois têm vínculo com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

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O estudo foi elaborado pelo professor John Ioannidis e sua equipe, em parceria com a Universidade Stanford, e publicado na revista científica PLOS Biology. A relação conta com pesquisadores de instituições públicas estaduais e federais.

Quem são os cientistas baianos no ranking?

A lista reúne profissionais de áreas como saúde, engenharia, química, biologia e odontologia; confira:

  • José Patrício Bispo Júnior - Fisioterapeuta, especialista em Saúde Pública na Ufba;
  • Marcos Pereira - Nutricionista, especialista em gestão de Alimentos, Nutrição e Saúde na Universidade Federal da Bahia (Ufba);
  • Matheus Melo Pithon - Especialista em Odontologia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb);
  • José Cleiton Sousa dos Santos - Químico, especialista em Biociências Moleculares na Unilab;
  • Marcos Almeida Bezerra - Químico com especialização em química ambiental na Uesb;
  • Mansueto Gomes Neto - Fisioterapeuta, especialista em pesquisa clínica na Ufba;
  • Federico Costa - Biólogo, especialista em Saúde Coletiva na Ufba;
  • Eraldo Medeiros Costa Neto - Biólogo, especialista em Ecologia e Recursos Naturais na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs);
  • André Rodrigues Durães - Médico, especialista em Epidemiologia na Ufba;
  • Luiza Amim Mercante - Química, especialista em Materiais e Nanotecnologia na Ufba;
  • Bruno Fonseca Santos - Farmacêutico, especialista em Nanotecnologia e Biomateriais na Ufba;
  • Daniel Véras Ribeiro - Engenheiro, especialista em Engenharia dos Materiais na Ufba;
  • Paulo Henrique Gonçalves Dias Diniz - Químico, especialista em análise de alimentos, fármacos e biocombustíveis na Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob);
  • André Wilson Machado - Odontólogo, especialista em odontologia estética e fotografia dentária na Ufba;
  • Milena Botelho Pereira Soares - Bióloga, especialista em biofísica na Universidade Senai Cimatec;
  • Walter Nei Lopes dos Santos - Químico, especialista em química analítica na Universidade do Estado da Bahia (Uneb);
  • Carlos Dornels Freire de Souza - Fisioterapeuta, especialista em Saúde Coletiva e Gestão da Saúde na Univasf.
  • Franklin Riet-Correa - Médico-veterinário, especialista em Patologia Experimental e Comparada na Ufba;
  • Mirco Solé Kienle - Biólogo, especialista em anfíbios no ecossistema Mata com Araucária na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc);

Como funciona o ranking internacional?

O levantamento busca identificar pesquisadores que estão entre os 2% de maior impacto em suas respectivas subáreas. Para isso, considera 20 grandes áreas do conhecimento e 174 subdisciplinas.

A classificação apresenta dois recortes: um avalia o impacto acumulado ao longo da carreira acadêmica, enquanto o outro considera o desempenho dos cientistas em um ano específico. Assim, é possível observar tanto a influência construída durante a trajetória profissional quanto a repercussão mais recente das pesquisas.

Diferentemente de listas que consideram apenas o volume de publicações, o estudo utiliza indicadores relacionados às citações científicas. Entre os critérios estão a posição do pesquisador como autor do trabalho, o índice H, a coautoria e os ajustes referentes às autocitações.

A base reúne informações da Scopus até agosto de 2026, com métricas de citação consolidadas até o fim de 2025.

Entre os mil pesquisadores mais bem posicionados no ranking global, também aparecem dois nomes vinculados a instituições brasileiras: Rajender S. Varma, associado à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Martinus Theodorus van Genuchten, pesquisador sênior em física do solo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Produção científica e acesso à universidade

A presença de pesquisadores baianos no levantamento também chama atenção para as condições de formação e desenvolvimento da ciência no estado.

De acordo com a 16ª edição do Mapa do Ensino Superior, publicada pelo Instituto Semesp em 2026, a Bahia ocupa a penúltima posição entre os estados brasileiros na proporção de jovens de 18 a 24 anos com formação no ensino superior.

O percentual de jovens baianos com algum nível de formação superior é de 13,7%, segundo o estudo. Em 2024, o Nordeste também apresentou a menor proporção de matrículas no ensino superior do país, tanto na modalidade presencial quanto na educação a distância (EAD).

Na Bahia, 80,6% das matrículas estão concentradas na rede privada. Entre essas instituições, predominam as faculdades, que geralmente têm participação menor na produção científica quando comparadas às universidades.

Os dados também mostram que o país possui 1.745 faculdades privadas e 152 públicas. Entre as universidades, a distribuição é mais equilibrada: são 116 públicas e 90 privadas, conforme informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Apesar da maior quantidade de instituições privadas, estudos bibliométricos baseados em bases como a Web of Science, da Clarivate Analytics, apontam que as universidades públicas concentram a maior parte da produção científica brasileira. Estimativas citadas no levantamento atribuem a elas entre 90% e 95% das pesquisas nacionais.

O cenário reforça a importância do financiamento público para o desenvolvimento científico. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da economista Mariana Mazzucato também apontam o Estado como principal agente de investimento em ciência e tecnologia.

Participação feminina ainda é pequena

Entre os 19 pesquisadores vinculados a instituições que atuam na Bahia, apenas duas são mulheres: as cientistas Luiza Amim Mercante e Milena Botelho Pereira Soares.

Para Luiza Mercante, os obstáculos enfrentados pelas mulheres na carreira científica ainda são uma realidade, mesmo com a presença feminina expressiva nas universidades. A pesquisadora destaca a diferença entre a participação nas instituições de ensino e o acesso aos cargos de liderança.

“Infelizmente, ainda existem desafios para as mulheres na ciência. Embora sejamos maioria nas universidades, isso não se reflete nas posições de liderança dentro da carreira científica. Às jovens cientistas, eu diria: é importante sermos realistas e reconhecer que as dificuldades sempre existirão. Apesar dos obstáculos, precisamos seguir firmes em nossos objetivos”, afirmou ao Bahia Notícias.

Já a bióloga Milena Soares avalia que as condições para a atuação feminina na ciência têm avançado. Com contribuições para os estudos sobre a doença de Chagas, ela aponta iniciativas de instituições científicas voltadas à ampliação da igualdade de gênero.

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“Isso varia muito de área para área. As mulheres são maioria nas áreas da saúde, e hoje se busca uma maior igualdade na composição das instituições. Essa é uma política adotada pela Academia Brasileira de Ciências. Temos a honra de ter uma presidente nessa instituição, é evidente que ainda existem desigualdades. Mas, de modo geral, a sociedade vem trabalhando para que elas sejam reduzidas”, declarou.

Apesar dos avanços, a presença reduzida de mulheres entre os pesquisadores de maior destaque evidencia que a igualdade na ciência ainda enfrenta desafios. A ampliação da participação feminina também passa pelo acesso a posições de liderança e pelo reconhecimento da produção acadêmica.

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